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O café reduz os efeitos colaterais no tratamento da hepatite C

19/09/2011

Um estudo Frances liderado pelo Dr. Spire apresentado na 10º Conferencia de AIDS comprova que o consumo moderado de café reduziu em mais de 80% a incidência de efeitos colaterais nos co-infectados HIV/HCV que se encontravam em tratamento da hepatite C. Confirmando o mesmo efeito observado em mono infectados com hepatite C.

O estudo "HEPAVIH ANRS CO13" foi realizado incluindo 106 pacientes co-infectados HIV/HCV que se encontravam em tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina.

Dos 106 pacientes, 86% se encontravam em tratamento do HIV e 52% apresentavam fibrose elevada ou cirrose (F3 e F4).

Ao inicio do tratamento 31% dos pacientes informaram não sentir nenhum efeito colateral devido ao tratamento do HIV e 25% relatavam sofrer mais de oito efeitos colaterais. A média entre todos os pacientes era de três efeitos colaterais.

Os pacientes foram avaliados conforme o consumo de café, separados entre os que bebiam ocasionalmente, os que bebiam uma, duas, três ou mais xícaras por dia. Em todos foram avaliados 30 diferentes sintomas que têm sido relatados como efeitos colaterais no tratamento da hepatite C, estabelecendo o grau de sofrimento que causaram nos pacientes.

Beber três ou mais xícaras de café por dia reduziu a incidência de efeitos colaterais auto relatada por mais de 80% dos pacientes em relação a não-bebedores de café em pessoas co-infectadas com hepatite C e HIV que estavam em tratamento da hepatite C.

O resultado mostra que os pacientes que bebiam três ou mais xícaras de café ao dia tinham 81% menos probabilidades de relatar efeitos colaterais devido ao tratamento da hepatite C. A probabilidade de relatar efeitos colaterais diminuíram um terço (33%) em cada grupo, assim, os que bebiam três xícaras ao dia tinham 33% menos efeitos colaterais que os que bebiam entre 1 e 2 xícaras e esses tinham 33% menos efeitos colaterais que os que bebiam ocasionalmente.

O estudo comprova a evidencia que o café poderia ser um útil e barato "complemento" para indivíduos em tratamento da hepatite C, podendo aumentar a taxa de sucesso do tratamento. Um estudo publicado no mês de junho de 2011 (Freedman ND, Curto TM, Lindsay KL, et al. Coffee consumption is associated with response to peginterferon and ribavirin therapy in patients with chronic hepatitis C - Gastroenterology 2011;140:1961-1969.) constatou que em 885 pacientes monoinfectados com hepatite C em tratamento com interferon peguilado e ribavirina, o fato de beber três ou mais xícaras de café aumenta em 80% a possibilidade de cura.

Os pesquisadores liderados pelo Dr. Freedman descobriram que após 20 semanas de tratamento, os pacientes que bebiam três ou mais xícaras de café por dia tinham a metade da carga viral que os pacientes que não bebiam café, e apresentaram duas vezes mais chances de conseguir a cura da hepatite C.

O Dr. Spire conclui que os resultados observados podem ser devidos a que os bebedores de café conseguem combater a fadiga e a falta de concentração e atenção, efeitos comumente relatados por pacientes em tratamento da hepatite C. No entanto, já é conhecido que o consumo de café está associado à níveis de transaminases mais baixos e uma progressão mais lenta da doença hepática. Nenhuma vantagem foi observada em relação a beber chá.

Em resumem, pessoas que não apresentam intolerância ao café (cuidado que em pacientes com cirrose o café pode provocar reações adversas) podem se beneficiar com três xícaras de café ao dia (não abusar bebendo grandes quantidades) e, assim, como beber bastante água é excelente para combater a desidratação provocada pelo interferon que afeta a pele e as mucosas, temos dois "medicamentos" simples, que são vendidos sem receita, baratos e gostosos que em muito podem ajudar quem se encontra em tratamento.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Spire B et al. Coffee consumption and side-effects relief during HCV treatment (ANRS CO13 HEPAVIH): a possible research hypothesis. Tenth AIDS Impact conference, Santa Fe, New Mexico. Abstract 81. 2011.


Carlos Varaldo
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