024_efeitos_port

Pacientes acima dos 65 anos apresentam efeitos adversos com os novos medicamentos para tratamento da hepatite C

21/03/2016

Os novos medicamentos de ação direta livres de interferon para tratamento da hepatite C são muito eficazes em pacientes idosos, mas nesses pacientes acontecem reações adversas em maior número e intensidade que nos pacientes com menos de 65 anos.

Apresentação feita no "International Conference on Viral Hepatitis (ICVH) 2016" alerta sobre os desafios que os médicos enfrentam. Nos ensaios clínicos feitos pelas empresas para aprovação dos medicamentos em geral não incluem pacientes idosos, ou são em menor proporção que pacientes jovens, assim, somente agora quando pacientes de todas as idades estão sendo tratados é que se observam as características dos pacientes com mais de 65 anos que estão recebendo tratamento.

Os pacientes com mais de 65 anos podem progredir mais rapidamente para a cirrose e são mais propensos a sofrer de manifestações extra-hepáticas, como fadiga e distúrbios neuropsicológicos. Também são mais propensos a interromper o tratamento e experimentar efeitos adversos durante o tratamento.

O estudo, realizado no Hospital Universitário da Corunha e o Hospital Álvaro Cunqueiro da Espanha entre agosto de 2012 a outubro de 2015 acompanharam 121 pacientes com 65 anos ou mais que foram tratados para a hepatite C. A idade média era de 72,6 anos, 95% infectados com o genótipo 1, 60% já com cirrose e 20% com fibrose F3.

Devido a idade mais de 85% dos pacientes faziam uso de outros medicamentos, incluindo anti-hipertensivos, inibidores da bomba de prótons (omeprazol), medicamentos da diabetes e estatinas. A preocupação com possíveis interações medicamentosas levou os médicos a mudar os medicamentos em um terço dos pacientes. Na maioria dos casos, os médicos perguntaram aos pacientes se desejavam interromper a medicação prescrita anteriormente durante 12 semanas.

Os efeitos adversos durante o tratamento que aconteceram foram, fatiga em 37,2% dos pacientes, anemia em 34,7%, boca seca em 14,9%, elevação da bilirrubina em 10,7%, insônia em 3,3% e irritabilidade em 2,5%.

Os tratamentos utilizados no estudo foram a combinação de ombitasvir, paritaprevir, ritonavir e dasabuvir (Viekira Pak , Abbvie) com ou sem ribavirina, e a combinação de ledipasvir e sofosbuvir (Harvoni®) com ou sem ribavirina.

Concluem os pesquisadores que é possível tratar pacientes com mais de 65 anos, mas é necessário ter cuidado para as interações medicamentosas e os efeitos adversos.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Direct-Acting Antivirals against HCV Infection in Elderly patients: Are they so well Tolerated and Safe as we thought? Iria Rodríguez-Osorio, Purificación Cid, Álvaro Mena, Luis Morano, Marta SuárezSantamaría, Manuel Delgado, Luis Margusino, Ángeles Castro, Berta Pernas, Andrés Tabernilla, José Pedreira and Eva Poveda - International Conference on Viral Hepatitis (ICVH) 2016. Presented March 14, 2016.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO