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A discussão sobre a segurança dos medicamentos para tratamento da hepatite C

06/02/2017

Um relatório do "Institute for Safe Medication Practices" (Instituto de Práticas de Medicação Seguras - ISMP) coloca que os novos medicamentos livres de interferon chamados de medicamentos de ação direta -DAA- podem provocar efeitos adversos graves, como a insuficiência hepática em alguns pacientes. São citados os tratamentos com as diversas combinações do sofosbuvir.

De acordo com o relatório, enquanto os medicamentos curam a hepatite C, o tratamento em alguns casos reativa a hepatite B, com graves consequências para a saúde do paciente, incluindo a necessidade de um transplante do fígado ou a morte.

O relatório descreve 24 casos de reativação da hepatite B e cita ainda dados do registro de efeitos adversos do FDA que relatam 524 casos de insuficiência hepática e 1.058 notificações de lesão hepática grave, todos relacionadas aos medicamentos utilizados no tratamento da hepatite C.

Os dados, assim colocados parecem alarmantes, mas quando consideramos que já foram tratados no mundo 1,2 milhões de pacientes utilizando as combinações com sofosbuvir vemos que os problemas aconteceram em 1 a cada 1.000 pacientes tratados. Desse ponto de vista não é assim tão alarmante.

É necessário considerar que antes dos novos medicamentos, com o interferon os pacientes muito graves, descompensados, não podiam ser tratados e acabavam morrendo sem tratamento. Os novos medicamentos permitem tratar esses pacientes graves.

A melhoria na função hepática não é observada em todos os que conseguem a cura da hepatite C e, se acontecer uma regressão do dano no fígado isso poderá levar meses. Assim, alguns pacientes com doença muito avançada e descompensada continuam em risco para a progressão da doença hepática avançada, incluindo insuficiência hepática, apesar do tratamento com os novos medicamentos. E, geralmente é nesses pacientes que acontecem os efeitos adversos graves.

Carlos Varaldo
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