09/04/2010
Relação entre idade, efeitos colaterais e possibilidade de cura no tratamento da hepatite C
Diversos estudos estatísticos comprovam que a idade e um fator muito importante para realizar o tratamento da hepatite C, já que indivíduos jovens conseguem maior resposta terapêutica que indivíduos mais velhos.
Em artigo publicado no Journal of Infectious Diseases pesquisadores da Universidade de Kaohsiung de Taiwan avaliaram a segurança e eficácia do tratamento da hepatite C ao utilizar o interferon peguilado Pegasys combinado com ribavirina em 210 pacientes, sendo que 70 deles tinham mais de 65 anos e 140 entre 50 e 64 anos de idade.
Foi observado que no grupo de pacientes com mais de 65 anos os efeitos adversos graves aconteceram em 34,3% deles, já entre os pacientes com menos de 65 anos, somente 20% deles apresentaram efeitos adversos similares. A gravidade dos efeitos adversos resultou em que 21,4% dos pacientes mais velhos interromperam o tratamento, contra somente 6,4% dos pacientes de menos de 65 anos.
A cura da hepatite C ao se considerar todos os genótipos foi conseguida por 67,1% dos pacientes com mais de 65 anos e por 78,6% dos pacientes considerados mais jovens.
Ao se observar somente os pacientes infectados com o genótipo 1, 51,9% dos pacientes com mais de 65 anos conseguiram a cura, contra 75,9% dos pacientes com menos de 65 anos que resultaram curados.
Nos infectados com os genótipos 2 e 3 a possibilidade de cura era praticamente a mesma, sem importar a idade do paciente. Os pacientes com mais de 65 anos conseguiram 76,7% de cura, contra 80,2% dos pacientes com menos de 65 anos.
Os pacientes que conseguiram a resposta virologica rápida, isto é, aqueles que na semana quatro do tratamento se encontravam indetectáveis (negativos) conseguiram a mesma possibilidade de cura, não existindo diferenças em relação à idade. A cura dos infectados com o genótipo 1 que na semana quatro conseguiram estar indetectáveis foi conseguida por 80% desses pacientes. Nos infectados com os genótipos 2 e 3 com resposta rápida, a cura foi conseguida por 87,9% deles.
Ao se comparar os pacientes que conseguiram completar mais de 80% do tratamento, também não foram encontradas diferenças na possibilidade de cura em função da idade. No total dos genótipos, 80,4% dos pacientes com mais de 65 anos conseguiram a cura, contra 82,6% dos pacientes com menos de 65 anos.
Concluem os autores que os pacientes mais velhos, em especial os infectados com o genótipo 1 da hepatite C, apresentam uma freqüência maior de efeitos adversos de maior gravidade, o que ocasiona um maior numero de interrupções no tratamento ou uma menor aderência ao regime de medicação, o que pode ser o motivo pelo qual os pacientes com mais de 65 anos possuem menor possibilidade de cura da hepatite C com o tratamento de interferon peguilado e ribavirina.
MEU COMENTÁRIO:
A pesquisa mostra a importância do tratamento da hepatite C quando o infectado ainda e jovem, pois por possuir um organismo mais forte suporta melhor os medicamentos e por isso os efeitos colaterais e adversos são menores, conseguindo completar o tratamento, sem necessidade de interrupções ou reduções de doses, principal problema para pessoas de maior idade, os quais perdem a possibilidade da cura.
Tal qual um automóvel novo e uma maior certeza de nos levar sem problemas ao final da viagem que um carro velho, o mesmo principio podemos aplicar nos seres humanos, ou seja, um paciente jovem responde sempre melhor ao tratamento que um paciente velho.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
CF Huang, JF Yang, CY Dai, and others. Efficacy and Safety of Pegylated Interferon Combined with Ribavirin for the Treatment of Older Patients with Chronic Hepatitis C. Journal of Infectious Diseases 201(5): 751-759 (Abstract). March 1, 2010.
Hepatobiliary Division, Department of Internal Medicine and Departments of Occupational Medicine and Preventive Medicine, Kaohsiung Medical University Hospital, Graduate Institute of Medicine and Faculty of Internal Medicine, College of Medicine, Kaohsiung Medical University, Department of Internal Medicine, Kaohsiung Municipal Hsiao-Kang Hospital, and Department of Internal Medicine, Kaohsiung Municipal Ta-Tung Hospital, Kaohsiung, Taiwan.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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