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Caminhos para erradicação da hepatite C

25/02/2017

Os novos medicamentos para tratamento da hepatite C conseguiram um grande impacto sobre os resultados no combate à epidemia, no entanto, milhões de infectados ainda estão sem diagnosticar é esse continua a ser o grande desafio dos sistemas de saúde.

Ninguém questiona que o primeiro passo para eliminar a hepatite C é encontrar os infectados, e esses não serão encontrados testando aleatoriamente a população em campanhas de testagem na rua. Ainda falta a compreensão clara de que os grupos nos quais existe um maior risco de ter sido exposto ao vírus devem ser o objetivo das campanhas de testagem.

Podemos afirmar sem medo de errar que ainda se desconhece quantos infectados com hepatite C existem no Brasil. O excelente modelo matemático elaborado pelo Ministério da Saúde estima que entre 1,3 e 1,7% da população esteja infectada, porém esse percentual não se confirma quando são realizadas campanhas de testes rápidos na rua, na população em geral, onde dificilmente o número de casos positivos ao anti-hcv passa de 1%.

O Boletim epidemiológico de 2016 do Ministério da Saúde coloca que em 16 anos, desde 2009, foram detectados 144.024 casos de hepatite C confirmados por biologia molecular. Mas esses números correspondem com a realidade? Existe muita sub-notificação, ou, pior ainda, não existe confirmação por biologia molecular de todos os resultados anti-HCV positivos. Pior ainda, em muitos casos não existe qualquer fluxo de atendimento dos casos positivos no anti-HCV quando a testagem é feita na rua ou locais públicos.

É necessário abrir a discussão sobre a realização de testes rápidos na rua, em especial quando a testagem é realizada sem aprovação e participação da secretaria municipal da saúde, pois é criminoso uma pessoa ter resultado positivo e ser abandonada a sua própria sorte, sem a realização da confirmação da doença por biologia molecular e, se positivo, ter o acesso a exames complementares e se necessário o tratamento.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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