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31/05/2012
Hepatite C - O acesso ao tratamento permanece igual nos últimos 9 anos
Considerando somente dados oficiais do "MINISTÉRIO DA SAÚDE - Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos", constantes no "Relatório de Recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS -CONITEC-" a atual situação dos tratamentos na hepatite C é a seguinte:
Número de pessoas de todos os genótipos em tratamento para hepatite C crônica no último quadrimestre de cada ano, 2009-2011:
| Ano |
Número de pessoas em tratamento (1) |
| 2009 |
10.111 |
| 2010 |
11.628 |
| 2011 |
11.505 |
(1) - Dado fornecido por DAF/Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.
A - Fazem parte desse total de pessoas em tratamento:
- monoinfectados por HCV genótipo 1 (tratamento e retratamento);
- Coinfectados HIV-HCV;
- genótipos não-1 (tratamento e retratamento).
B - Uma vez que não há dados disponíveis sobre a proporção de tratamento por cada grupo acima descrito, utilizamos dados de literatura para obtermos essa estimativa.
C - Segundo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, a proporção estimada de coinfecção HCV-HIV variou de 9,8 a 13,8% entre os anos 2007 e 2010. Assumiu-se que a mesma proporção de coinfectados com HIV-HCV estimados pelo boletim epidemiológico está em tratamento para hepatite crônica C.
Segundo dados de retratamento obtidos de quatro centros brasileiros (HUCF UFRJ, UNIFESP, UFBA e SES RS), aproximadamente 5,6% das pessoas estavam em retratamento para infecção pelo genótipo 1.
CONSIDERAÇÕES DA ANALISE DOS DADOS OFICIAIS
Nos três anos da incorporação da hepatite C no Departamento DST/AIDS/Hepatites o crescimento no número de pacientes em tratamentos em três anos foi de 13,78%, aumento que se deu no primeiro ano da incorporação, em 2010, permanecendo praticamente no mesmo número de tratamentos em 2011, com uma leve redução.
Realizando uma projeção para estimar quantos tratamentos serão realizados em 2012, analisando o consumo de medicamentos no primeiro semestre do ano é possível estimar que possam ser realizados aproximadamente 10.500 tratamentos com interferon peguilado e 950 utilizando o interferon convencional, totalizando aproximadamente 11.450 pacientes tratados até o final do ano, um número praticamente igual à quantidade de tratamentos oferecidos no ano passado.
O calculo é realista, sendo checado pela projeção do consumo de capsulas de ribavirina no ano, no total de 16,2 milhões. Considerando que a média de capsulas empregadas no tratamento do genótipo 1 (descontadas as interrupções) é de aproximadamente 1.400 capsulas e, nos genótipos 2 e 3 o consumo é de 672 capsulas em tratamentos de 24 semanas e de 1.344 em tratamentos de 48 semanas, são valores compatíveis que confirmam que a estimativa no número de tratamentos em 2012 é correta.
Considerando então que aproximadamente 12% dos tratamentos são relativos a co-infectados com HIV, segundo informação do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o tratamento de pacientes monoinfectados será de 10.000 pacientes.
Pela falta de controles não existe um número confiável de quantos pacientes se encontram em retratamento. Quatro centros brasileiros (HUCF-UFRJ, UNIFESP, UFBA e SES RS), informaram ao ministério que aproximadamente 5,6% das pessoas estavam em retratamento para infecção pelo genótipo 1. Mas tal dado é colocado em dúvida por um número considerável de médicos, isso porque não existem controles confiáveis sobre os tratamentos realizados nos pacientes quando era utilizado o interferon convencional. Alguns estimam que o número de pacientes em retratamento seja superior aos 10% ou 15%, já que mais de 60% desses pacientes fracassaram ao utilizar o interferon convencional, muitas vezes de duvidosa qualidade, quando a resposta terapêutica não chegava aos 30%.
Trabalhando então com a média otimista de aproximadamente 10% de retratamentos, se observa que a possibilidade de acesso ao tratamento em 2012 é de aproximadamente 9.000 pacientes nunca antes tratados com qualquer antiviral.
ACESSO AO TRATAMENTO - COMPARANDO 2004 COM 2012
Para a população infectada interessa saber qual a possibilidade de acesso ao tratamento, isto é, quantos novos pacientes nunca antes tratados ingressam ao sistema anualmente. Ao se realizar o acompanhamento dos últimos oito anos os números são desalentadores.
Em 2004, primeiro ano após o nascimento do Programa Nacional de Hepatites Virais, foram tratados 8.216 pacientes (40% com interferon convencional e 60% com interferon peguilado). Tal número de tratamentos é um dado oficial constante no procedimento do Ministério Público Federal confirmado, ainda, pelo Tribunal de Contas da União e aceito como verdadeiro pelo Ministério da Saúde nas diversas contestações realizadas durante o procedimento investigatório.
O procedimento foi aberto por denúncia efetuada pelo Grupo Otimismo resultando na constatação de um desvio de faturamento nos recursos enviados aos estados, destinado a ressarcimentos na aquisição do interferon peguilado, de R$. 231 milhões de reais.
O impacto foi de tamanha importância que no domingo 21 de agosto de 2005, no programa Fantástico da TV Globo, o Ministro Corregedor da União, Dr. Waldir Pires foi entrevistado para explicar como foi realizado o desvio dos R$. 231 milhões de reais. O valor foi totalmente restituído ao ministério em 24 cotas entre os anos de 2006 e 2007.
Se neste ano de 2012, excluindo retratamentos e tratamentos de co-infectados, terão oportunidade de receber tratamento aproximadamente 9.000 novos infectados fica dramaticamente lamentável comparar com os dados de 2004, quando 8.216 tinham possibilidade de receber o tratamento. Um crescimento de somente 10% desde a criação do Programa Nacional de Hepatites Virais.
MINHAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
Se em sete anos de um Programa Nacional de Hepatites Virais e mais três anos da incorporação no Departamento DST/AIDS/Hepatites o aumento na possibilidade de acesso de novos infectados ao tratamento foi de somente 10% (1% a cada ano) é necessário reconhecer que a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde não deu certo.
Apresentações com belos slides coloridos mostrando quantas capacitações foram realizadas, quantas reuniões, viagens, encontros, treinamentos, aquisição de equipamentos, etc., conseguem aplausos e entusiasmam os mais desavisados, mas é pela crua e fria realidade dos números mostrando os resultados que as ações e programas devem ser avaliados.
Na avaliação por resultados é necessário reconhecer que o trabalho e as intenções por melhores que tenham sido não conseguiram os resultados esperados pelo gestor e pela sociedade. Devemos assumir que estão praticamente perdidos oito anos no enfrentamento da hepatite C. Os tratamentos que eram realizados antes da existência de um programa são quase os mesmos que os realizados atualmente.
É necessário abrir a discussão a toda a sociedade, reunindo governo federal, estaduais, municipais, Sociedades Médicas, Sociedade Civil, Congresso Nacional, Ministério Público, Defensoria Pública, instituições como a Ordem dos Advogados e outras associações de classe para em conjunto se encontrar a melhor estratégia para enfrentar a maior epidemia da historia, em número e recursos, que o Brasil deve enfrentar.
As estimativas otimistas do governo estimam em 2,1 milhões os brasileiros cronicamente infectados com hepatite C, estimativas realistas calculam que o número deva ficar entre 3 e 3,5 milhões.
Seja qual for o número colocado numa mesa de discussões, o que importa é que estamos falando de uma epidemia com um numero de infectados entre 3,5 e 6,5 vezes maior que na epidemia de HIV/AIDS. A quantidade de infectados merece e precisa de forma urgente de um programa específico, estratégico, com técnicos capacitados em hepatite C, para de vez por todas o Brasil enfrentar de forma responsável o grave problema.
Não dá mais para ignorar ou tentar explicar com belas palavras em puro gerúndio. Devemos avaliar e nos guiar pura e exclusivamente pelos resultados conseguidos nesses últimos oito anos.
Carlos Varaldo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM
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| pessoas morrem por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas mueren en el mundo por culpa de las hepatitis B o C!
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31/05/2012
Hepatitis C - El acceso al tratamiento permanece igual en los últimos 8 años en Brasil
Considerando solamente datos oficiales del "MINISTERIO DE LA SALUD - Secretaría de Ciencia, Tecnología e Insumos Estratégicos", constantes en el "Informe de Recomendación de la Comisión Nacional de Incorporación de Tecnologías en el SUS -CONITEC-" la actual situación de los tratamientos en la hepatitis C es la siguiente:
Número de personas de todos los genotipos en tratamiento para hepatitis C crónica en el último cuatrimestre de cada año, 2009-2011:
| Año |
Número de pessoas em tratamiento (1) |
| 2009 |
10.111 |
| 2010 |
11.628 |
| 2011 |
11.505 |
(1) - (1) - Datos suministrados por DAF/Componente Especializado de la Asistencia Farmacéutica.
A - Hacen parte de ese total de personas en tratamiento:
A - Hacen parte de ese total de personas en tratamiento:
- mono infectados por HCV genotipo 1 (tratamiento y retratamiento);
- Coinfectados HIV-HCV;
- genotipos no-1 (tratamiento y retratamiento).
B - Una vez que no hay datos disponibles sobre la proporción de tratamiento por cada grupo arriba descrito, utilizamos datos de la literatura para lograr esa estimativa.
C - Según el Boletín Epidemiológico de Hepatitis Virales, la proporción estimada de coinfección HCV-HIV varió de 9,8 a 13,8% entre los años 2007 y 2010. Se asumió que la misma proporción de coinfectados con HIV-HCV estimados por el boletín epidemiológico está en tratamiento para hepatitis crónica C.
Según datos de retratamiento obtenidos de cuatro centros brasileños (HUCF UFRJ, UNIFESP, UFBA y SES RS), aproximadamente 5,6% de las personas estaban en retratamiento para infección por el genotipo 1.
CONSIDERACIONES DE LA ANALICE DE LOS DATOS OFICIALES
En los tres años de la incorporación de la hepatitis C en el Departamento ETS/SIDA/Hepatitis el crecimiento en el número de pacientes en tratamientos en tres años fue del 13,78%, aumento que se dio en el primer año de la incorporación, en 2010, permaneciendo prácticamente en el mismo número de tratamientos en 2011, con una leve reducción.
Realizando una proyección para estimar cuántos tratamientos serán realizados en 2012, analizando el consumo de medicamentos en el primer semestre del año es posible estimar que puedan ser realizados aproximadamente 10.500 tratamientos con interferón pegilado y 950 utilizando interferón convencional, totalizando aproximadamente 11.450 pacientes tratados hasta el final del año, un número prácticamente igual a la cantidad de tratamientos ofrecidos en el año pasado.
El calculo es realista, siendo chequeado por la proyección del consumo de capsulas de ribavirina en el año, en el total de 16,2 millones. Considerando que la media de capsulas empleadas en el tratamiento del genotipo 1 (descontadas las interrupciones) es de aproximadamente 1.400 capsulas y, en los genotipos 2 y 3 o consumo es de 672 capsulas en tratamientos de 24 semanas y de 1.344 en tratamientos de 48 semanas, son valores compatibles que confirman que la estimativa en el número de tratamientos en 2012 es correcta.
Considerando entonces que aproximadamente 12% de los tratamientos son relativos a co-infectados con HIV, según información del Boletín Epidemiológico de Hepatitis Virales del Ministerio de la Salud, el tratamiento de pacientes mono infectados será de 10.000 pacientes.
Por la falta de controles no existe un número confiable de cuántos pacientes se encuentran en retratamiento. Cuatro centros brasileños (HUCF-UFRJ, UNIFESP, UFBA y SES RS), informaron al ministerio que aproximadamente 5,6% de las personas estaban en retratamiento para infección por el genotipo 1. Pero tal dato es colocado en duda por un número considerable de médicos, eso porque no existen controles confiables sobre los tratamientos realizados en los pacientes cuando era utilizado el interferón convencional. Algunos estiman que o número de pacientes en retratamiento sea superior a los 10% ó 15%, ya que más del 60% de ésos pacientes fracasaron al utilizar el interferón convencional, muchas veces de dudosa calidad, cuando la respuesta terapéutica no llegaba a los 30%.
Trabajando entonces con la media optimista de aproximadamente 10% de retratamientos, se observa que la posibilidad de acceso al tratamiento en 2012 es de aproximadamente 9.000 pacientes nunca antes tratados con cualquier antiviral.
ACCESO AL TRATAMIENTO - COMPARANDO 2004 CON 2012
Para la población infectada interesa saber cual la posibilidad de acceso al tratamiento, esto es, cuántos nuevos pacientes nunca antes tratados ingresan al sistema anualmente. Al se realizar el seguimiento de los últimos ocho años los números son desalentadores.
En 2004, primer año después del nacimiento del Programa Nacional de Hepatitis Virales, fueron tratados 8.216 pacientes (40% con interferón convencional y 60% con interferón pegilado). Tal número de tratamientos es un dato oficial constante en el procedimiento del Ministerio Público Federal confirmado, aún, por el Tribunal de Cuentas de la Unión y aceptado como verdadero por el Ministerio de la Salud en los diversas rebatimientos realizados durante o procedimiento investigativo.
O procedimiento fue abierto por denuncia efectuada por el Grupo Optimismo resultando en la constatación de un desvío de facturación en los recursos enviados a los estados, destinado a resarcimientos en la adquisición del interferón pegilado, de R$. 231 millones de reales.
O impacto fue de tal importancia que el domingo 21 de agosto de 2005, en el programa Fantástico de la TV Globo, el Ministro Corregidor de la Unión, Dr. Waldir Pires fue entrevistado para explicar como fue realizado el desvío de los R$. 231 millones de reales. O valor fue totalmente restituido al ministerio en 24 cuotas entre los años de 2006 y 2007.
Si este año de 2012, excluyendo retratamientos y tratamientos de co-infectados, tendrán oportunidad de recibir tratamiento aproximadamente 9.000 nuevos infectados queda dramáticamente lamentable comparar con los datos de 2004, cuando 8.216 tenían posibilidad de recibir o tratamiento. Un crecimiento de solamente 10% desde la creación del Programa Nacional de Hepatitis Virales.
MIS CONSIDERACIONES FINALES
Si en siete años de un Programa Nacional de Hepatitis Virales y más tres años de la incorporación en el Departamento ETS/SIDA/Hepatitis el aumento en la posibilidad de acceso de nuevos infectados al tratamiento fue de solamente 10% (1% a cada año) es necesario reconocer que la estrategia adoptada por el Ministerio de la Salud no dio resultados.
Presentaciones con bellos slides coloridos mostrando cuántas capacitaciones fueron realizadas, cuántas reuniones, viajes, encuentros, entrenamientos, adquisición de equipos, etc., consiguen aplausos y entusiasman los más desavisados, pero es por la cruda y fría realidad de los números mostrando los resultados que las acciones y programas deben ser evaluados.
En la evaluación por resultados es necesario reconocer que el trabajo y las intenciones por mejores que hayan sido no lograron los resultados esperados por el gestor y por la sociedad. Debemos asumir que están prácticamente perdidos ocho años en el enfrentamiento de la hepatitis C. Los tratamientos que eran realizados antes de la existencia de un programa son casi los mismos que los realizados actualmente.
Es necesario abrir la discusión a toda la sociedad, reuniendo gobierno federal, estaduales, municipales, Sociedades Médicas, Sociedad Civil, Congreso Nacional, Ministerio Público, Defensoría Pública, instituciones como la Orden de los Abogados y otras asociaciones de clase para en conjunto se encontrar la mejor estrategia para enfrentar la mayor epidemia de la historia, en número y recursos, que Brasil debe enfrentar.
Las estimativas optimistas del gobierno estiman en 2,1 millones los brasileños crónicamente infectados con hepatitis C, estimativas realistas calculan que o número deba ser entre 3 y 3,5 millones.
Sea cual sea o número colocado en una mesa de discusiones, lo que importa es que estamos hablando de una epidemia con un numero de infectados entre 3,5 y 6,5 veces mayor que en la epidemia de HIV/SIDA. La cantidad de infectados merece y necesita de forma urgente de un programa específico, estratégico, con técnicos capacitados en hepatitis C, para de vez por todas el Brasil enfrentar de forma responsable el grave problema.
No da más para ignorar o intentar explicar con bellas palabras en puro gerundio. Debemos evaluar y guiarnos pura y exclusivamente por los resultados conseguidos en esos últimos ocho años.
Carlos Varaldo
Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
Aviso legal: Las informaciones de este texto son meramente informativas y no pueden ser consideradas ni utilizadas como indicación médica. Es permitida la utilización de las informaciones contenidas en este mensaje si se cita la fuente como retiradas de WWW.HEPATO.COM
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