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GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 - Rio de Janeiro - RJ
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14/10/2006


Comentários sobre a hepatite C na Europa - As estratégias dos sanitaristas e a dos economistas no combate a epidemia


Durante o intervalo de uma palestra em Portugal escutei falar que o vírus da hepatite C apesar de infinitamente minúsculo demonstrou ter maior inteligência que a de alguns gestores da saúde pública. A confirmação disto e que o vírus está ganhando a guerra contra a doença em muitos países.


Regressando de Lisboa, onde durante uma semana participei das ações da SOS HEPATITES PORTUGAL por motivo do dia internacional de divulgação das hepatites estabelecido pelos grupos europeus com apoio da Organização Mundial da Saúde - OMS. Descrevo a continuação um relato da situação que encontrei no velho continente.

Cabe destacar que o dia 1 de outubro (o qual foi criado em 2003) não teve apoio ou adesão de grupos ou associações existentes nas Américas as quais, desde o ano 2000 realizam movimento similar no mês de maio. Em função disso, discutimos com grupos de Portugal, França e Inglaterra a conveniência de se realizar um movimento de forma universal durante o mês de maio dedicado exclusivamente ao dia internacional da hepatite C e no mês de outubro realizar o dia internacional da hepatite B, convergindo esforços conjuntos em todo o mundo. A proposta será apresentada nos próximos dias na Organização Mundial da Saúde e antes do final do ano, muito provavelmente, devera estar aprovada. A importância disso e que anualmente serão realizados dois eventos com divulgação de informações especificas de cada hepatite em todo o mundo, com participação de centenas de grupos e associações e apoio da OMS obtendo assim maior visibilidade na mídia.

Em relação às hepatites observei que a situação e muito diferente em cada país da Europa. O país considerado por excelência na atenção a hepatite C e a França onde as ações do governo são o sonho dourado de toda e qualquer associação de pacientes. O governo não somente fornece testes e tratamento (com interferon peguilado) como também realiza continuadas campanhas de divulgação, alerta e detecção. É curioso que tanto o governo como as ONGs e os fabricantes dos medicamentos trabalham todos com o mesmo objetivo, que é o de detectar os infectados. Todo o tratamento e oferecido gratuitamente, inclusive métodos de avaliação do fígado como o fibrotest e fibroscan. Um outro país que se encontra razoavelmente engajado na luta contra as hepatites e a Espanha, num nível um pouco menor, mas muito bem estruturado no seu sistema público de saúde.

Porém ao observarmos um outro país muito similar à França, tanto em tamanho como em população, apresenta um panorama muito diferente no enfrentamento da doença, se trata da Inglaterra onde o governo não faz campanhas de alerta, divulgação ou testagem. A França consegue testar cinco vezes mais e se encontra tratando quatro vezes mais doentes de hepatite C que a Inglaterra. Os gestores da saúde na Inglaterra consideram ser muito caro o tratamento e por isso não quer detectar os infectados para não ter que oferecer o tratamento.

Muito poderá mudar na Inglaterra por que afortunadamente a Sociedade Britânica de Gastroenterologia decidiu sair de seu posicionamento favorável as autoridades e numa atitude surpreendente passou a denunciar a dramática situação e o abandono dos infectados com a omissão dos gestores da saúde. Atitude essa que merece palmas de todos e que deveria servir de exemplo a outros paises. Não se pode ficar calado simplesmente esperando obter um financiamento para realizar um congresso, receber uma passagem gratuita para um congresso ou ser nomeado em algum cargo público, a SBG esta sendo corajosa na defesa dos direitos de cidadania. Como seria bom ver outras sociedades médicas se posicionando dessa forma independente!

Em Portugal a situação em relação ao tratamento e tranqüila para aqueles já diagnosticados. O governo fornece os exames necessários e o interferon peguilado sem maiores problemas e existe tratamento em praticamente todas as grandes cidades. E estimado que dos 10 milhões de habitantes entre 150 e 200 mil estejam infectados. Destes entre 80 e 90% provavelmente ainda não foram diagnosticados sendo a testagem a maior dificuldade no país. O governo não divulga a necessidade de tratamento nem facilita o teste de detecção. Existe uma sistemática muito burocrática para se aceder ao diagnostico e praticamente toda a população utiliza o serviço publico, motivos pelos quais poucos recorrem a assistência medica privada. A SOS Hepatites Portugal, uma ONG muito ativa procura realizar por seus meios o incentivo a testagem da população.

Uma situação que me surpreendeu e a organização do sistema de saúde como um todo sendo que nove paises da Europa (Áustria, Holanda, Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Finlândia, Luxemburgo e Suécia) cobram pelos exames ou pela internação nos hospitais públicos. Portugal se encontra discutindo este sistema e nos próximos dias também o estará utilizando. Os menos favorecidos são isentos e os habitantes de maiores recursos são obrigados a co-financiar a internação com uma pequena contribuição. Um sistema interessante já que não existe diferenciação no serviço medico prestado ou na qualidade do quarto entre pagantes e isentos. Todos são igualmente atendidos. Cada individuo possui um cartão magnético com sua inscrição no sistema de saúde já com seus dados cadastrais e informando se o mesmo e carente ou devera pagar uma parte dos exames e tratamentos.

Confirmei que tal qual no continente Americano os gestores da saúde em cada país da Europa podem ter visões diferentes no gerenciamento da saúde publica. Existem gestores com visão ''sanitarista'' e gestores com visão de ''economista''. Curiosamente no caso especifico da hepatite C por se tratar de uma doença onde novas infecções acontecem em numero cada vez menor, tanto a forma de administrar do "sanitarista" como a do "economista" conseguem o mesmo resultado, ambas conseguirão acabar com a epidemia em poucos anos.

O "sanitarista" conseguira reduzir a epidemia realizando campanhas de informação, alerta e detecção da hepatite C, passando a oferecer tratamento e assim conseguir curar a maioria dos infectados.

O "economista" continuara (como na maioria dos paises, inclusive no Brasil) a se omitir, a censurar a palavra ''hepatite C'' pensando que não realizar a detecção dos doentes significa uma economia durante sua gestão já que não será necessário se gastar recursos ao não se oferecer tratamento. Projeta ainda, como se isso fosse um triunfo fruto da sua inteligência, que no futuro será obtida uma excelente diminuição dos gastos públicos, acreditando que ao não ter tratado milhões de doentes estes por conseqüência da progressão para a cirrose ou o câncer morrerão prematuramente com uma idade mais jovem, assim, o numero de aposentados no futuro também será menor e o sistema previdenciário, que durante 30 ou 35 anos recebeu contribuições poderá se ver livre destes miseráveis. O resultado aplicando a atual visão dos "economistas" será que entre 15 e 20% dos atuais infectados (milhões de cidadãos) estarão sendo condenados à morte na próxima década e assim a doença, segundo a visão dos "economistas", estará controlada. Cabe a todos os cidadãos conscientes alertar e exigir das autoridades de plantão a implementação da visão "sanitarista" na gestão da saúde pública.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°. 176.655 - RCPJ-RJ - Rio de Janeiro - Brasil
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14/10/2006


Comentarios sobre la Hepatitis C en Europa - Las estrategias de los "sanitaristas" y la de los "economistas" en el combate a la epidemia


Durante el intervalo de una conferencia en Portugal escuché hablar que el virus de la Hepatitis C a pesar de infinitamente minúsculo demostró tener mayor inteligencia que la de algunos gestores de la salud pública. La confirmación de esta afirmativa es que el virus está ganando la guerra contra la enfermedad en muchos países.


Regresando de Lisboa, donde durante una semana participé de las acciones de la asociación SOS Hepatitis Portugal por motivo del día internacional de divulgación de las hepatitis establecido por los grupos europeos con apoyo de la Organización Mundial de la Salud - OMS. Describo a continuación un relato de la situación que encontré en el viejo continente.

Cabe destacar que el día 1 de octubre (el cual fue creado en 2003) no tuvo apoyo o adhesión de grupos o asociaciones existentes en las Américas las cuales, desde el año 2000 realizan movimiento similar en el mes de mayo. En función de eso, discutimos con grupos de Portugal, Francia e Inglaterra la conveniencia de realizar un movimiento de forma universal durante el mes de mayo dedicado exclusivamente al día internacional de la Hepatitis C y en el mes de octubre realizar el día internacional de la Hepatitis B, convergiendo esfuerzos conjuntos en todo el mundo. La propuesta será presentada en los próximos días en la Organización Mundial de la Salud y antes del final del año, muy probablemente, deberá estar aprobada. La importancia de este asunto es que anualmente serán realizados dos eventos con divulgación de informaciones específicas de cada hepatitis en todo el mundo, con participación de cientos de grupos y asociaciones y con el apoyo de la OMS obteniendo así mayor visibilidad en los medios de comunicación.

Con relación a las hepatitis observé que la situación es muy diferente en cada país de Europa. El país considerado por excelencia en la atención a la Hepatitis C es Francia donde las acciones del gobierno son el sueño dorado de toda y cualquier asociación de pacientes. El gobierno no solamente suministra tests de detección y tratamiento (con interferón pegilado) como también realiza continuadas campañas de divulgación, alerta y detección. Es curioso que tanto el gobierno como las ONGs y los fabricantes de los medicamentos trabajan todos con el mismo objetivo, que es el de detectar los infectados. Todo el tratamiento es ofrecido gratuitamente, incluso métodos de valuación del hígado como el fibrotest y fibroscan. Otro país que se encuentra razonablemente bien equipado en la lucha contra las hepatitis es España, en un nivel un poco menor, pero muy bien estructurado en su sistema público de salud.

Sin embargo al observemos otro país muy similar a Francia, tanto en tamaño como en población, presenta un panorama muy diferente en el enfrentamiento de la enfermedad, se trata de Inglaterra donde el gobierno no hace campañas de alerta, divulgación o detección. Francia consigue testar cinco veces más y se encuentra tratando cuatro veces más enfermos de Hepatitis C que Inglaterra. Los gestores de la salud en Inglaterra consideran ser muy caro el tratamiento y por eso no quieren detectar los infectados para no tener que ofrecer el tratamiento.

Mucho podrá mudar en Inglaterra por qué venturosamente la Sociedad Británica de Gastroenterología decidió salir de su posicionamiento favorable a las autoridades y en una actitud sorprendente pasó a denunciar la dramática situación y el abandono de los infectados con la omisión de los gestores de la salud. Actitud ésa que merece aplausos de todos y que debería servir de ejemplo a otros países. No se puede se quedar callado simplemente esperando obtener una financiación para realizar un congreso, recibir un pasaje gratuito para un congreso o ser nombrado en algún cargo público, la SBG ésta siendo corajosa en la defensa de los derechos de ciudadanía. ¡Cómo sería bueno ver otras sociedades médicas se posicionando de esa forma independiente!

En Portugal la situación con relación al tratamiento es tranquila para aquéllos ya diagnosticados. El gobierno suministra los exámenes necesarios y el interferón pegilado sin mayores problemas y existe tratamiento en prácticamente todas las grandes ciudades. Es estimado que de los 10 millones de habitantes entre 150 y 200 mil estén infectados. De éstos entre 80 y 90% probablemente aún no fueron diagnosticados siendo a detección la mayor dificultad en el país. El gobierno no divulga la necesidad de tratamiento ni facilita la prueba de detección. Existe una sistemática muy burocrática para accederse al diagnostico y prácticamente todo la población utiliza el servicio publico, motivos por los cuales pocos recurren la asistencia medica privada. La SOS Hepatitis Portugal, una ONG muy activa busca realizar por sus medios el incentivo a la detección de la población.

Una situación que me sorprendió es la organización del sistema de salud como un todo siendo que nueve países de Europa (Austria, Holanda, Bélgica, Francia, Alemania, Irlanda, Finlandia, Luxemburgo y Suecia) cobran por los exámenes o por la internación en los hospitales públicos. Portugal se encuentra discutiendo este sistema y en los próximos días también lo estará utilizando. Los menos favorecidos son exentos y los habitantes de mayores recursos son obligados a co-financiar la internación con una pequeña contribución. Un sistema interesante ya que no existe diferenciación en el servicio medico prestado o en la calidad del cuarto de internación entre pagadores y exentos. Todos son igualmente atendidos. Cada individuo posee una tarjeta magnética con su inscripción en el sistema de salud ya con sus datos e informando si el mismo es carente o debe pagar una parte de los exámenes y tratamientos.

Confirmé que tal cual en el continente Americano los gestores de la salud en cada país de Europa pueden tener visiones diferentes en la forma de administrar la salud publica. Existen gestores con visión ''sanitarista'' y gestores con visión de ''economista''. Curiosamente en el caso especifico de la Hepatitis C por se tratar de una enfermedad donde nuevas infecciones acontecen en numero cada vez menor, tanto la forma de administrar del "sanitarista" como la del "economista" consiguen el mismo resultado, ambas conseguirán acabar con la epidemia en pocos años.

El "sanitarista" lograra reducir la epidemia realizando campañas de información, alerta y detección de la Hepatitis C, pasando a ofrecer tratamiento y así lograr curar la mayoría de los infectados.

El "economista" continuara (como en la mayoría de los países, incluso en Brasil) a se omitir, a censurar la palabra ''Hepatitis C'' pensando que no realizar la detección de los enfermos significa una economía durante su gestión ya que no será necesario se gastar recursos al no se ofrecer tratamiento. Proyecta aún, como si eso fuese un triunfo fruto de su inteligencia, que en el futuro será obtenida una excelente disminución de los gastos públicos, creyendo que al no haber tratado millones de enfermos éstos, por consecuencia de la progresión para el cirrosis o el cáncer, morirán prematuramente con una edad más joven, así, el numero de jubilados en el futuro también será menor y el sistema de la seguridad social, que durante 30 ó 35 años recibió contribuciones podrá se ver libre de estos miserables. El resultado aplicando la actual visión de los "economistas" será que entre 15 y 20% de los actuales infectados (millones de ciudadanos) estarán siendo condenados a la muerte en la próxima década y así la enfermedad, según la visión de los "economistas", estará controlada.

Cabe a todos los ciudadanos conscientes alertar y exigir de las autoridades de plantón la implementación de la visión "sanitarista" en la gestión de la salud pública.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo







Last updated 15.10.2006