20/06/2007
Pacientes em tratamento da hepatite C com interferon peguilado em cada estado
A tabela a seguir, obtida de dados oficiais do Ministério da Saúde no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) informa, já com o novo sistema de compra centralizada, quantos pacientes estão recebendo tratamento na hepatite C utilizando o interferon peguilado.
Realizamos a soma dos quatro primeiros meses do ano já disponíveis publicamente e dividimos por quatro para saber quantos pacientes estão recebendo tratamento em cada estado.
Analisando os números vemos as disparidades que existem. São Paulo já representa 64% do total de tratamentos oferecidos no país. As regiões Sul e Sudeste concentram 86,4% do total de tratamentos oferecidos pelo SUS. Os restantes vinte estados, representando 13,6% dos tratamentos oferecidos pelo SUS têm uma participação de somente 0,67% em media para cada um deles. Uma disparidade total demonstrando que realmente pouco se faz a nível Brasil, concentrando as ações nas áreas mais favorecidas.
Qtd.Aprovada por Ano/Mês Compet segundo Região/UF
Proced.após 10/99: 3666104-ALFAPEGINTERFERONA 2A OU 2B - TRAT. HEPATITE
Período: Jan-Abr/2007
Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS)
|
Estado |
Pacientes em Tratamento |
| 1 |
São Paulo |
3.942 |
| 2 |
Minas gerais |
400 |
| 3 |
Rio de Janeiro |
362 |
| 4 |
Rio Grande do Sul |
341 |
| 5 |
Paraná |
162 |
| 6 |
Goiás |
99 |
| 7 |
Pernambuco | >
91 |
| 8 |
Acre |
82 |
| 9 |
Alagoas |
69 |
| 10 |
Pará |
67 |
| 11 |
Bahia |
66 |
| 12 |
Santa Catarina |
62 |
| 13 |
Espírito Santo |
60 |
| 14 |
Distrito Federal |
59 |
| 15 |
Maranhão |
44 |
| 16 |
Rio Grande do Norte |
44 |
| 17 |
Rondônia |
33 |
| 18 |
Mato Grosso do Sul |
31 |
| 19 |
Ceará |
28 |
| 20 |
Paraíba |
27 |
| 21 |
Amazonas |
26 |
| 22 |
Piauí |
26 |
| 23 |
Mato Grosso |
23 |
| 24 |
Sergipe |
13 |
| 25 |
Tocantins |
6 |
| 26 |
Roraima |
3 |
| 27 |
Amapá |
2 |
| TOTAL BRASIL |
|
6.168 |
Cada paciente fica 11 meses em tratamento, alguns interrompem antes por falta de resposta ou pelos efeitos adversos, assim, é possível estimar que continuando ao ritmo atual, sem aumento de pacientes em tratamento podemos calcular que entre 7.000 e 8.000 pacientes receberam tratamento com interferon peguilado em 2007.
Fica pior ainda o quadro quando verificamos que os hospitais de referencia no tratamento das hepatites estão lotados, trabalhando na sua capacidade máxima de atendimento, sem poder aumentar o número de pacientes.
Uma esperança era a implementação do nível intermediário de atendimento, o chamado nível 2, onde pacientes menos problemáticos ou em acompanhamento seriam atendidos, desafogando os centros de alta complexidade, mas a capacitação de centenas de médicos pelo PNHV foi um fracasso.
Ninguém sabe onde estão esses médicos "capacitados" em dois dias de aula em Brasília. Também, quem iria acreditar que um médico pudesse ser capacitado para atender pacientes com hepatite B ou C em dois dias de aula. Foi mais um desperdiço do dinheiro público, o qual e constatado com a impossibilidade de se aumentar a capacidade de atendimento.
7.000 ou 8.000 pacientes que receberão tratamento com interferon peguilado em 2007 é número muito aquém daquele mostrado com ufanismo no PLANO TRIANUAL 2006/2007/2008 DO PNHV quando a promessa na apresentação do plano na audiência pública realizada na Câmara de Deputados era de tratar com interferon peguilado 25.700 em 2007.
Vemos que em 2007 mal chegaremos a 30% daquilo que foi planejado e prometido pelo Programa Nacional de Hepatites Virais.
De promessa em promessa a sociedade civil continua sendo iludida e enganada e, os gestores conseguem se perpetuar nos cargos regiamente remunerados, com um aumento salarial substancial a partir deste mês.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo