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O Ursacol® (ácido ursodesoxicólico) não é eficaz no tratamento da gordura no fígado (esteatose)

26/07/2010

Diversas publicações indicam a utilização do ácido ursodesoxicólico (nome comercial Ursacol®) para o tratamento da esteato hepatite não alcoólica (Comentário: a esteato hepatite não alcoolica são os depósitos de gordura no fígado, quando tal gordura não é causada pelo abuso de bebidas alcoólicas), sendo a cada dia mais comum tal indicação por parte dos médicos.

Porém, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Johann Wolfgang Goethe, de Frankfurt, Alemanha, publicados em Hepatology, mostra que dosagens altas do ácido ursodesoxicólico (nome comercial Ursacol®), não melhoram os danos causados ao fígado.

A esteato hepatite não alcoolica já é a terceira causa de cirrose nos estados Unidos. A principal causa de cirrose continua sendo a hepatite C, seguida dos danos causados pelo abuso de bebidas alcoólicas e a seguir aparece a esteato hepatite não alcoolica. O único tratamento efetivo para casos de cirrose avançada, já descompensada e com insuficiência hepática é o transplante de fígado. Nos últimos anos aumentou consideravelmente a necessidade de transplantes em casos de cirrose por culpa da esteato hepatite não alcoolica. Atualmente não existe um tratamento especifico para os casos de esteato hepatite não alcoolica.

Diversos estudos clínicos indicam que o ácido ursodesoxicólico (nome comercial Ursacol®) melhora a função do fígado, mas todos esses estudos foram realizados com um pequeno número de pacientes, na modalidade aberta e sem grupos de controle. Mais a publicação de um estudo realizado na modalidade prospectiva, duplo cego, incluindo 166 pacientes, tratados durante dois anos com dosagem de 13 mg/dia/kg não confirmou os resultados apresentados até o momento.

Ficou em duvida se a dosagem utilizada foi a correta. Por esse motivo que os pesquisadores da Universidade Johann Wolfgang Goethe resolveram realizar um novo estudo na modalidade multicêntrica, duplo cego controlado com placebo, utilizando uma dosagem alta do ácido ursodesoxicólico (entre 23 e 28 mg/dia/kg) em 147 pacientes.

Nenhuma dieta especial foi recomendada aos pacientes e o peso corporal ficou estável durante os 18 meses do estudo clínico. O objetivo principal era o de determinar se o ácido ursodesoxicólico melhoraria o estado do fígado (histologia) e como objetivos secundários estariam sendo avaliadas as mudanças bioquímicas dos indicadores da função hepática. Todos os pacientes foram submetidos a biopsias do fígado antes e após o tratamento.

Os resultados ao se comparar as biopsias não apresentam nenhuma melhora significativa no estado do fígado (histologia) nem no grau de fibrose, somente uma pequena melhora na inflação do órgão. Não existem diferenças nos resultados entre o grupo tratado com o ácido ursodesoxicólico e o grupo que recebeu o placebo.

Concluem os autores que nenhum estudo conseguiu demonstrar que o ácido ursodesoxicólico em qualquer dosagem melhora o estado do fígado em pacientes com esteato hepatite não alcoolica, confirmando estudos onde tinha sido utilizada uma dosagem menor.

Finalizam informando que os benefícios do ácido ursodesoxicólico somente estão comprovados na utilização nos casos de cirrose biliar primaria.

MEU COMENTÁRIO:

Não me surpreende tal resultado, pois ao ácido ursodesoxicólico pode ser um excelente hepato protetor e antioxidante, mas para tratar a gordura depositada no fígado pela esteato hepatite não alcoolica não existe nada melhor (por enquanto) que realizar uma alimentação adequada, manter o peso ideal ou até um pouco abaixo disso e realizar durante cinco dias por semana uma atividade física aeróbica de pelo menos 45 minutos cada.

É por isso que os médicos mais experientes quando examinam um paciente com transaminases levemente alteradas e que se encontra acima do peso receitam perder 10% do peso e depois voltar para um novo exame. Na maioria dos casos as transaminases passam a apresentar resultados dentro dos níveis normais.

Falando em linguagem popular para que todos possam entender, é necessário fechar a boca, perder peso e queimar a gordura. Não devem ser utilizados suplementos para emagrecer de nenhuma espécie e nunca realizar os chamados métodos "milagrosos" de emagrecimento.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
High-Dose Ursodeoxycholic Acid Therapy of Nonalcoholic Steatohepatitis. A Double-Blind, Randomized Placebo-Controlled Trial - Ulrich F.H. Leuschner, Birgit Lindenthal, Günter Herrmann, Joachim C. Arnold, Martin Rössle. Hepatology; Published Online: April 23, 2010 (DOI: 10.1002/hep.23727); Print Issue Date: August 2010.


Carlos Varaldo
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