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Impacto da esteatoses na progressão de fibroses

01/03/2005

O dilema dos portadores do vírus da hepatite C com poucos danos no fígado e sempre a duvida sobre a necessidade ou não da realização do tratamento. Alguns médicos aconselham não tratar já que a evolução do dano hepático e devagar ou até nula em alguns pacientes, podendo então aguardar a chegada de novos medicamentos, mais efetivos e com menos efeitos colaterais, mantendo um regular controle do quadro clinico. Já outros médicos acham que o melhor e tratar todos os infectados. Nestas teorias diferentes quem acaba sofrendo e o paciente, indeciso sobre qual será a melhor opção.

Vários estudos mostram que os depósitos de gordura no fígado, a chamada esteatoses, e um fator muito forte que influi sobre a evolução com maior velocidade do dano ao fígado acelerando a progressão da fibroses em pacientes infectados com a hepatite C.

Um estudo publicado em Hepatology realizado no Hospital Saint-Antoine em Paris, tenta avaliar o impacto da esteatoses ao comparar o resultado de duas biopsias nos pacientes com hepatite C que não receberam tratamento. Foram acompanhados 135 pacientes com uma idade media de 38 anos, todos eles provavelmente infectados por transfusão ou por uso de drogas injetáveis. Em cada paciente foram realizadas duas biopsias com um espaço de tempo médio de 61 meses (entre 18 e 158 meses).

Todos os pacientes foram avaliados com a escala METAVIR e para entrar no estudo deveram apresentar na primeira biopsia um valor F1-A1 ou abaixo disto. A progressão inequívoca da fibroses foi estabelecida que seria naqueles pacientes que na segunda biopsia apresentassem um resultado F3 ou F4. Também foi usado um método para se estimar a probabilidade de evolução da fibroses, chamado de Kaplan-Meier, mas sobre isto comentaremos futuramente.

Durante o estudo a progressão da fibroses aconteceu em 21 pacientes (16%) em um espaço de tempo médio de 65 meses. A probabilidade de aumento da fibroses foi observada em 5,2% dos pacientes no período de quatro anos e de 19,8 em seis anos.

O único fator prognostico do avanço da fibroses que foi encontrado ao analisar os dados foi a presencia de esteatoses. A probabilidade aumentava em relação ao porcentagem de hepatócitos com esteatoses. Concluem os autores do estudo que a esteatoses e um fator determinante na progressão da fibroses, independente do genótipo existente.

MEU COMENTÁRIO:

OBS.: No olvidar que solo foram estudados pacientes que na primeira biopsia apresentavam pouco dano no fígado, medida em F1, não podendo então se comparar com pacientes que apresentam um dano maior.

Ficam então as seguintes duvidas, que deixo por enquanto sem resposta, para que cada um possa pensar sobre o tema:

1 - É necessário tratar todos os pacientes que apresentem esteatoses já que estes seguramente irão avançar no dano hepático?

2 - O que será mais conveniente de realizar primeiro, o tratamento da hepatite C ou tentar eliminar a esteatoses?

3 - Será que é necessário ou conveniente, tratar pacientes com pouco dano hepático e sem a presencia de esteatoses?

Fonte:
Hepatology. 2005 Jan;41(1):82-7. - PMID: 15690484 [PubMed - in process] - Fartoux L, Chazouilleres O, Wendum D, Poupon R, Serfaty L - Service d'Hepatologie, Hopital Saint-Antoine, Paris, France


Carlos Varaldo
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