17/05/2010
Hepato Pernambuco 2010 - Apresentações sobre esteatose (gordura no fígado)
Durante o Hepato Pernambuco 2010 assisti a uma excelente apresentação sobre diversos aspectos na esteatose (gordura no fígado) também conhecida como NASH. Do discutido na mesa redonda pelos especialistas, relato a seguir alguns tópicos interessantes.
O Dr. Vlad Ratziu (França) explicou que o deposito de gordura no fígado, se não tratada, é a principal causa da esteato hepatite não alcoólica (NAFLD), sendo um alto fator de risco para o individuo desenvolver resistência a insulina.
O diagnostico e o grau da esteatose e feito em relação ao percentual de células hepáticas gordurosas encontradas ao se realizar a biopsia do fígado, sendo a biopsia o melhor e mais seguro método diagnostico e de avaliação.
Informou que ao se realizar biopsias por doenças do fígado está sendo encontrado que 32% dos pacientes já apresentam algum grau de gordura no fígado (NASH) e 26% já evoluíram para um quadro de esteaoses.
A resistência a insulina em pacientes cirróticos aumenta consideravelmente a possibilidade de câncer no fígado.
Pessoas com esteatoses apresentam maior risco de problemas cardiovasculares e maior formação de placas na carótida. A esteatose aumenta a pressão arterial e aumenta o risco para arteriosclerose.
Informou também que pesquisas mostram que a elevação permanente da transaminase ALT por um período de 20 anos, leva o paciente ao diabete, a distúrbios metabólicos e ao ataque cardíaco.
O tratamento indicado e manter o peso ideal, ter uma dieta equilibrada e praticar diariamente exercícios físicos aeróbicos.
A Dra. Claudia Oliveira (São Paulo) explicou que a esteato hepatite diminui o tempo de vida.
Nenhum método de imagem (ultrasom, tomografia, ressonância, etc.) consegue mostrar uma fibrose leve ou moderada, conseguindo ser seguras como diagnostico somente em casos de cirrose ou fibrose avançada (F3).
Colocou que a biopsia e o exame ideal, o padrão ouro, para predizer a gravidade da doença.
Pessoas obesas, com IMC (índice de massa corpórea) acima de 30 apresentam um risco 5 vezes maior para desenvolver esteato hepatite.
A Dra. Helma Cotrim (Bahia) explicou que a cirurgia bariátrica somente deve ser indicada para obesos graves, com IMC (índice de massa corpórea) acima de 35 após indicação especial.
O Dr. Mario Reis (Rio Grande do Sul) explicou que em pacientes com esteatoses a transaminase GGT é um indicativo de aumento do risco cardiovascular.
Outro marcador de risco cardiovascular em pacientes com esteatoses e a verificação da glicose e insulina em jejum, com o qual e possível calcular o índice HOMA.
MEU COMENTÁRIO
O Hepato Pernambuco não é um congresso, pois o objetivo e a realização de mesas redondas com especialistas do Brasil e convidados internacionais para discutir de forma aberta o que cada um está fazendo e trocar experiências, um verdadeiro Workshop.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Mesa redonda durante o XIV Workshop Internacional de Hepatites Virais de Pernambuco - Esteatohepatite - Moderadores: Dr. Flair Carrilho (São Paulo) e Dr. Luiz Lyra (Bahia).
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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