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A fadiga da hepatite C poderia ser secundária a alterações cerebrais

06/02/2006

A fadiga é um sintoma freqüente em pacientes com hepatite C. Se suspeita, ao igual que na síndrome de fadiga crônica, que esta poderia ser a manifestação de uma encefalite leve. Observaram-se signos compatíveis com infecção ativa pelo vírus da hepatite C (HCV) no tecido cerebral. Além disso, existem estudos que mostram alterações no eletro encefalograma e na espectroscopia por ressonância magnética em alguns pacientes com hepatite C. Entretanto, desconhece-se a importância que podem ter as alterações cerebrais no desenvolvimento da sintomatologia clínica.

Um estudo realizado na Alemanha pesquisou a presença de alterações cerebrais em pacientes com hepatite C. Para isto se compararam os resultados de provas neuropsicológicas, espectroscopia por ressonância magnética e eletro encefalograma de pacientes com hepatite C com ou sem fadiga, definida pela escala FIS (n= 15 em cada grupo).

Um grupo de 15 pacientes sadios serviu como referência. Os autores encontraram evidências de alterações da atenção e da função executiva nos pacientes com hepatite C. Além disso, estes se queixaram de ansiedade, depressão e pior qualidade de vida. Estas diferenças foram maiores nos pacientes com um grau de fadiga elevado. A ressonância magnética mostrou uma diminuição de N-acetilaspartato e o eletro encefalograma, uma diminuição da atividade cerebral de 25%. Não se observou nenhuma relação com o grau de fadiga.

Os resultados deste estudo indicam que existem sinais compatíveis com uma alteração cerebral nos pacientes com hepatite C. Não obstante, é difícil esclarecer a origem destas manifestações. Do mesmo modo, não é possível conhecer a importância das mesmas na origem de sintomas como a fadiga. Os dados deste estudo são interessantes, mas não concludentes. Será importante conhecer os efeitos da erradicação do vírus da hepatite C sobre as manifestações cerebrais. As correções destas alterações, junto com a fadiga, depois do tratamento seriam um argumento importante para respaldar a relação entre a fadiga e uma possível encefalite pelo vírus da hepatite C.

Fonte:
Weissenborn, K. e outros. J Hepatology 2004; 41(5): 845-851


Meu comentário:

Mas um argumento que a Sociedade Brasileira da Hepatologia deveria considerar já que seu conceito de "hepatopatia grave" é uma dá maiores aberrações científicas, uma vergonha para a classe médica brasileira.

Carlos Varaldo
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