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Progressão da fibrose moderada em infectados com hepatite C em longo período de tempo - EASL 2013

13/05/2013

Devido a que a hepatite C é uma doença descoberta há somente 23 anos ainda pouco se conhece sobre o impacto do tratamento quando realizado nas fases iniciais, quando o grau de fibrose é igual ou menor a F2.

Para avaliar o efeito do tratamento com interferon e ribavirina no longo prazo em pacientes que ao receber ao tratamento apresentavam fibrose leve ou moderada foram incluídos no estudo pacientes tratados entre os anos de 1990 e 2005. Em todos os casos uma segunda biopsia foi realizada em um período mínimo de cinco anos (média de 9,3 anos entre as biopsias no total dos pacientes). Para evitar distorções todas as biopsias foram avaliadas por um único patologista que desconhecia resultados de exames de laboratórios dos pacientes.

Dos 105 pacientes incluídos no estudo 43,6% estava infectado com o genótipo 1 e 72,4% apresentavam antes do tratamento uma fibrose F0 ou F1 e 27,6% fibrose F2. No final do acompanhamento após o tratamento antiviral, em média 9,3 anos após o tratamento, uma nova biopsia mostrou que os pacientes com fibrose F0 ou F1 representavam 69,5%, com fibrose F2 14,29% e com fibrose F3 ou F4 16,2%. Com o tratamento 54,3% dos pacientes tinham conseguido a cura (resposta sustentada).

Durante todo o acompanhamento dos pacientes 5,3% dos pacientes que resultaram curados apresentaram progressão da fibrose, contra 50% dos pacientes que não obtiveram sucesso no tratamento.

A fibrose melhorou em 43,9% dos pacientes curados com o tratamento e somente em 14.6% dos que não obtiveram a cura com o tratamento.

Entre os não respondedores ao tratamento 4,8% desenvolveu cirrose e três deles o câncer no fígado.

Entre os não respondedores a progressão da fibrose foi mais acelerada nos pacientes com idade acima de 50 anos e que apresentavam um número menor de plaquetas antes do tratamento (menos de 200).

Concluem os pesquisadores que a fibrose melhora significativamente nos pacientes que conseguem curar a hepatite C e que nos pacientes mais velhos devem ser tentadas as novas terapias, pois são eles os que evoluem de forma mais acelerada no dano hepático.

MEU COMENTÁRIO


Fica mais uma vez comprovado que aguardar o agravamento da doença para realizar o tratamento é ruim para o paciente e para o sistema de saúde. A maior idade e a maior grau de fibrose diminuem as possibilidades de sucesso com o tratamento e se acelera a progressão do dano hepático, então aguardar piorar é um conceito ultrapassado que já deveria estar enterrado.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
LONG-TERM EVOLUTION OF LIVER FIBROSIS IN MILD-MODERATE CHRONIC HEPATITIS C: STUDY WITH PAIRED BIOPSIES - N. Cañete, M. García, I. Ojanguren, I. Cirera, M. Garcia-Retortillo, J.A. Carrión, M. Puigvehí, M.D. Giménez, C. Márquez, S. Coll, F. Bory, R. Sola - EASL 2013 - Abstract 801


Carlos Varaldo
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