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A progressão da fibrose e diferente em pacientes que não conseguiram sucesso com o tratamento da hepatite C

22/12/2009

Uma analise dos dados do estudo HALT-C (Hepatitis C Antiviral Long-term Treatment against Cirrhosis) que acabam de ser publicados na revista Hepatology mostram que a progressão da fibrose em pacientes não respondedores ou recidivantes ao tratamento com interferon e ribavirina não e igual em todos os pacientes.

Demonstram ainda que o tratamento de manutenção, utilizando interferon peguilado (sem ribavirina) por longo período não se mostrou efetiva, não conseguindo nenhum beneficio nos pacientes submetidos a tal terapia de manutenção.

Considerando 346 pacientes não respondedores, isto é, aqueles que em nenhum momento do tratamento conseguiram que o vírus ficasse indetectável, foi observado que dois anos após a interrupção do tratamento apresentavam uma progressão de 61% no grau de fibrose e, após quatro anos da interrupção do tratamento o aumento no grau de fibrose era de 80%.

Entre os 78 pacientes recidivantes, isto é, aqueles que durante o tratamento se encontravam negativos na semana 24 e na semana 48 (final do tratamento), mas que após seis meses o final do tratamento o vírus recidivou mostrando um PCR positivo, foi observado que após três anos do final do tratamento apresentam um aumento de 48% no grau de fibrose e que esse mesmo valor se manteve estável, sem nenhum aumento, até completarem cinco anos do final do tratamento.

Os pacientes submetidos à terapia de manutenção, com a intenção de evitar a progressão da fibrose não demonstrou nenhum beneficio. A progressão da fibrose foi igual nos pacientes submetidos à administração de interferon por até cinco anos como naqueles que nada receberam de tratamento durante o mesmo período, tanto entre os não respondedores como nos recidivantes.

Concluem os autores que a progressão no grau de fibrose , tanto em pacientes que não responderam ou recidivaram após o tratamento, não são lineares. Sugerem que somente com a realização de biopsias repetidas será possível determinar quais pacientes estão evoluindo mais rapidamente no dano hepático, informação importante para poder orientar o médico a traçar estratégias que evitem complicações graves.

MEU COMENTÁRIO:

É necessário esclarecer que o artigo compara quem não respondeu com quem recidivou, assim a interpretação é que em quem não respondeu a fibrose avança tal qual não tivesse tratado e nos recidivantes a progressão fica mais devagar.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
ZD Goodman, AM Stoddard, HL Bonkovsky, and others. Fibrosis progression in chronic hepatitis C: morphometric image analysis in the HALT-C trial. Hepatology 50(6): 1738-1749
Armed Forces Institute of Pathology, Divisão de Patologia hepática e da Administração de Veteranos Especial laboratório de referência para Patologia, Washington, DC; New England Research Institutes, Watertown, MA, University of Connecticut Health Center, Farmington, CT; University of Michigan Medical Center, Ann Arbor , MI; Liver Diseases Branch, Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, Bethesda, MD, University of California Irvine, Irvine, CA; VA Healthcare System Long Beach, Long Beach, CA; Washington University, St. Louis, MO; National Cancer Institute, Bethesda, MD; Virginia Commonwealth University Medical Center, Richmond, VA; Universidade do Colorado, Denver, Anschutz Medical Campus, Aurora, CO, Keck School of Medicine, University of Southern Califórnia, em Los Angeles, Califórnia, Massachusetts General Hospital, Boston, MA, Harvard Medical School, Boston, MA, University of Washington, Seattle, WA.


Carlos Varaldo
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