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Interpretação do estado do fígado

08/08/2005

A valoração da gravidade da lesão hepática é muito diferente segundo o estádio em que se encontra a doença. Em pacientes não cirróticos, a biópsia hepática é o método mais preciso para valorar o estágio da enfermidade e seu prognóstico.

A utilização das concentrações das transaminases, bilirrubina, colesterol e plaquetas, em diferentes combinações, podem permitir em alguns casos uma aproximação do nivel de fibroses, mas nunca deverá ser o método indicado já que sua segurança é inferior aos 80%. O FibroTest é uma nova forma de interpretar matematicamente diversos resultados de testes sangüíneos, mas também é impreciso nos estádios intermediários da determinação da fibrose. Em estádios F2 ou F3 (Índice Metavir) pode confundir os resultados apresentados.

Por outro lado, as técnicas de imagem podem ser úteis na valoração da fibrose, como o FibroScan, a tomografía computadorizada e a ressonância magnética do fígado, mas todos estes métodos ainda requerem uma validação mas ampla que somente o tempo poderá abastecer com dados seguros e ainda não são totalmente seguros em seus resultados. Em casos de indivíduos não cirróticos, somente a biópsia é que determina com perfeição o estado do fígado.

O índice APRI parece ser o método mais simples e fácil para fazer uma valoração prognostica sobre a progressão da doença durante a consulta médica. Trata-se de um indice que considera o número de vezes em que o valor normal maximo da TGO (também conhecida pelas siglas GOT, ASAT, AST ou SGOT) encontra-se duplicado e este numero de vezes é multiplicado por 100, depois, o resultado é dividido pelo número de plaquetas. Um resultado APRI por debaixo de 0,5 descarta fibrose relevante e um APRI superior a 1,5 indica progressão a cirrose.

O resultado mostrado pelo APRI não pode ser utilizado como um critério diagnostico, servindo simplesmente como um indicador dos procedimentos que o médico estrategicamente vai realizar em determinado paciente, isto é, se o índice e inferior a 0,5 pode sugerir que nos encontramos perante um quadro favorável e os exames confirmatórios podem ser solicitados de forma paulatinamente, mas se o resultado do APRI e superior a 1,5 o mesmo deve ser interpretado como um alerta e uma estratégia mais agressiva de exames deve ser realizada neste paciente, pois existe uma suspeita mais fundamentada de nos deparar com um quadro mais preocupante de dano hepático.

Ainda, não se pode ignorar que a TGO/AST pode estar aumentada por que também e produzida em outros órgãos alem do fígado e que pacientes, já com cirroses, podem apresentar níveis normais desta transaminase. Fica evidente que o índice APRI não e um critério diagnostico e sim um auxiliar na conduta de investigação diagnostica.

Os níveis das transaminases refletem o grau de atividade necro-inflamatória, mas a correlação não é tão exata como seria desejável. Na hepatite B ou na hepatite autoimune, o nível da TGP (também conhecida pelas siglas GPT, ALAT, ALT ou SGPT) é usado em muitos casos para valorar o estado do fígado e o prognóstico, de modo que em casos de valores normais do TGP/ALT, considera-se que a enfermidade se encontra em fase inativa, e não se recomenda tratamento. Mas nos infectados com a hepatite C ou que têm depósitos de gordura no fígado (esteato-hepatite não alcoólica), resultados normais na TGP/ALT aparecem em muitos casos, em até 25% deles, e podem assim ocultar uma percentagem importante de pacientes com um grau de dano no fígado que requer tratamento imediato.

Por este motivo, pacientes que se encontram em acompanhamento médico, sem receber tratamento, devem realizar periodicamente os testes de transaminases, para se observar variações que possam indicar problemas. Os valores máximos na TGP/ALT indicados atualmente para um melhor controle se situam em 30 U/L para os homens e 19 U/L para as mulheres.

Até pouco tempo atrás se falava de hepatite persistente para indicar um diagnostico associado à ausência de progressão da enfermidade e se chamava de hepatite ativa quando se caracterizava uma progressão que prognosticava um avanço para um alto dano hepático, para a cirrose.

Atualmente esta interpretação e ultrapassada e já sabemos que é o grau de atividade necro-inflamatória a que reflete a gravidade da inflamação portal ou a hepatite de interfase, esta informação mostrada, em geral pela letra "A" seguida de um número entre zero e quatro (pode variar segundo a escala utilizada na interpretação) no resultado da biópsia, enquanto, que o índice de fibroses, em geral e mostrado com a letra "F" seguida de um número entre zero e quatro (pode variar segundo a escala utilizada na interpretação) sendo este o valor que quantifica a extensão da fibrose.

Assim, quando dispomos do grau de fibroses a qual nos mostra a situação atual do fígado e junto a esta temos o grau de atividade necro-inflamatória é possível se realizar uma valoração qualitativa da velocidade de progressão da enfermidade, estimando-se o provável tempo necessário para se chegar a uma cirrose e com isto se pode realizar a melhor estratégia para o paciente, decidindo se for necessário realizar o tratamento ou se e possível se aguardar com tranqüilidade a chegada de novos medicamentos, mas eficazes e com menos efeitos adversos.

Qualquer decisão sobre o tratamento deve ser tomada em conjunto entre médico e paciente.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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