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A fibrose e a cirrose são condições irreversíveis?

16/10/2013

Há cerca de 50 anos, estabeleceu-se a crença de que a fibrose e a cirrose eram irreversíveis e essa concepção permaneceu por longo tempo. Ocorre que o ponto em que a cirrose ou a fibrose extensa passa a ser irreversível ainda não estava na época perfeitamente definido.

Os relatos de regressão da fibrose e da cirrose têm em comum a eliminação da causa da doença que originou o problema ou a aplicação de um tratamento eficaz. Os exemplos são muitos e incluem a abstinência do álcool, a inversão cirúrgica na obstrução biliar, a terapia com imunossupressores para a hepatite auto-imune, o tratamento em longo prazo da hepatite B, o tratamento da hepatite C, e o tratamento de cirroses biliares primárias.

Normalmente, a regressão histológica da fibrose é acompanhada por uma melhora clínica e bioquímica, de acordo com alguns estudos, inclusive com diminuição da fibrogenesis hepática (que não requer biópsia). Em ensaios controlados de tratamento com Interferon e Ribavirina para o tratamento da hepatite C e no tratamento da hepatite B com diversos medicamentos, também observou-se a diminuição da fibrose ou da cirrose.

Nos últimos anos, foi melhor entendida a forma da regeneração celular e molecular da fibrose hepática. Este conhecimento mantém uma explicação racional sobre a reversibilidade potencial do processo. Está claro que a acumulação extracelular, a cicatriz, nas doenças do fígado com fibrose, não é estática ou um evento unidirecional, senão que se trata de um processo dinâmico e regular, dócil à intervenção. A ativação de células hepáticas é o evento central na fibrose hepática. Em todas as formas de lesão avançada, estas células sofrem uma conversão de células imóveis, para células contrácteis, proliferativas e fibrogênicas.

Estas crescentes evidências clínicas e científicas sugerem que a fibrose extensa ou a cirrose nos pacientes com a função hepática conservada não devem ser consideradas como não-tratáveis. As terapias atuais (e futuras) têm o potencial de impedir a progressão da doença e reprimir os mecanismos que levam à degradação das células, com a conseqüente regressão da fibrose e da cirrose.

No entanto, existem ainda várias incógnitas sobre o assunto. A fibrose não progride com a mesma velocidade em todos os pacientes, e as respostas ao tratamento são muito diferenciadas. Portanto, são necessários novos estudos para identificar os fatores específicos da doença que se associam para uma progressão mais lenta da fibrose e uma resposta favorável ao tratamento.

É muito importante que, durante o tratamento desenvolvido para inverter as fibroses mais críticas, sejam analisadas todas as estratégias possíveis. A terapia com antivirais pode melhorar o estado do fígado nos pacientes com hepatite, inclusive quando o tratamento não responde e não negativa o vírus. Somente esta descoberta já pode, em si, justificar os tratamentos, segundo determinadas circunstâncias, nos pacientes sem resposta virológica ao tratamento.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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