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Tratamentos para os genótipos 2 e 3 - Qual o futuro?

13/02/2012

A hepatite C tem curiosidades inexplicáveis. O genótipo 1 é o mais difícil de responder ao tratamento, mas é o de maior incidência entre os infectados, aproximadamente 75% dos infectados possuem no organismo o genótipo 1. Já o genótipo 2 é o que melhor responde ao tratamento, chegando a índice de cura de quase 90% em poucas semanas de tratamento, mas a sua presença no mundo é pequena. Dependendo do país entre 2% e 8% dos infectados possui o genótipo 2.

O tratamento atual dos genótipos 2 e 3 da hepatite C é realizado em 16 ou 24 semanas utilizando interferon peguilado e ribavirina, mas os resultados mostram que é preferível sempre se fazer no mínimo de 24 semanas já que entre os que realizam o tratamento de 16 semanas a quantidade de recidivas é superior.

Recentemente algumas pequenas diferenças foram observadas quando o tratamento dos genótipos 2 e 3 foi realizado pela resposta guiada. Nesses estudos, as semanas de aplicação do interferon peguilado e ribavirina seguiu de acordo com a resposta ao tratamento. Embora as taxas de cura fossem semelhantes entre os genótipos 2 e 3 nos pacientes que obtiveram a resposta rápida (se encontrando indetectáveis na semana 4 do tratamento) e receberam tratamento durante 16 semanas. Mas naqueles que não conseguiram a resposta rápida na semana 4 do tratamento e foram tratados durante 24 semanas, as taxas de cura nos infectados com o genótipo 3 foi menor que nos infectados com o genótipo 2.

Na presença de esteatose (gordura no fígado), grau de fibrose 2 ou superior, nos pacientes acima do peso ideal ou com carga viral elevada, sempre o tratamento deve ser no mínimo de 24 semanas, independente de se conseguir a resposta virológica rápida (indetectável na semana quatro do tratamento).

Aqueles que não conseguem a resposta virológica rápida (indetectável na semana quatro do tratamento) o médico deverá considerar levar o tratamento até completar 48 semanas.

O teste IL28B funciona muito bem como prognostico de resposta no genótipo 1 e, embora não seja tão definitiva quando utilizada em infectados com o genótipo 3 pode ajudar no prognostico inicial e auxiliar o médico caso não se obtenha a resposta rápida (estar indetectável na semana 4 do tratamento) diante um resultado "CC" para estrategicamente estender a terapia para 48 semanas.

O papel dos inibidores de proteases não foi totalmente avaliado em pacientes com hepatite C infectadas com os genótipos 2 e 3. Pesquisas em andamento com o Debio-025 são bastante promissoras nos resultados até agora apresentados. Um inibidor da polimerase, o PSI-7977 da Pharmasett tem se mostrado ativo contra o genótipo 3.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
- Treatment of patients with genotype 3 chronic hepatitis C- current and future therapies - Sarin SK, Kumar CK. - Liver International - 2012 Feb;32 Suppl 1:141-5. doi: 10.1111/j.1478-3231.2011.02715.x. - Department of Hepatology, Institute of Liver and Biliary Sciences, New Delhi, India.
- What's new in HCV genotype 2 treatment - Mangia A, Mottola L. - Liver International - 2012 Feb;32 Suppl 1:135-40. doi: 10.1111/j.1478-3231.2011.02710.x. - Liver Unit, IRCCS "Casa Sollievo della Sofferenza", San Giovanni Rotondo, Italy.


Carlos Varaldo
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