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Genótipos na hepatite C

08/08/2006

É uma concepção errada falar que a hepatite C e só um vírus. Na realidade, como resultado de inúmeras mutações existem dezenas e ate centenas de variedades, todas iguais conforme o nome de "genótipos". A palavra "genótipo" define a composição genética de um organismo ou um vírus. Na hepatite C existem seis principais genótipos identificados (11 genótipos já são conhecidos). Eles possuem suficientes semelhanças para serem considerados vírus que ocasionam a hepatite C, mas escondem particularidades que os identificam como sendo vírus diferentes. Cada genótipo pode gerar subtipos e quasi-especies.

Nos vírus RNA da família do flavivirus como e o caso do vírus da hepatite C estes são organismos geneticamente mais instáveis que os vírus DNA, assim, são propensos a realizar mutações.

Uma das perguntas mais freqüentes e sobre a necessidade de se realizar a genotipagem antes de se indicar o tratamento. Em principio todos os genótipos respondem ao tratamento em maior ou menor grau, porém, como cada genótipo pode e deve ser tratado com dosagens de medicamentos diferentes com períodos de tempo diferentes, vemos que a genotipagem se torna um exame obrigatório para a correta estratégia terapêutica.

Indivíduos podem estar infectados com mais de um genótipo, ou mais de um subtipo ou ainda com mais de uma quasi-especies. Nestes casos a resposta ao tratamento pode ser menor já que um pode responder e outro não. Também, uma infecção curada não fornece imunidade, pois um outro genótipo não encontrará anticorpos de defesa criados pelo genótipo já curado.

Estudos para determinar se algum genótipo e mais agressivo que outro obtiveram resultados controversos. Aparentemente todos os genótipos apresentam a mesma agressividade e velocidade na progressão do dano hepático. Já foi comprovado que na progressão da doença e mais importante o sistema de defesa do organismo que o próprio vírus.

Como o vírus da hepatite C produz mutações na sua estrutura e possível que um individuo crie "quasi-especies" as quais diferem minimamente do vírus original. Isto pode acontecer inclusive durante o tratamento, muitas vezes tornando o vírus resistente a ação do

interferon. Os genótipos não podem identificar o modo de contagio nem o tempo de infecção. Eles podem ajudar para identificar (sem segurança total) se o contagio, por exemplo, aconteceu da mãe para o filho, ou na relação familiar, mas para ter certeza absoluta caso o genótipo seja o mesmo será necessário se realizar o DNA do vírus das duas pessoas.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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