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Os problemas enfrentados no tratamento com boceprevir e telaprevir

16/10/2013

Apesar dos esforços da nova direção do Departamento DST/AIDS/HEPATITES do ministério da saúde problemas burocráticos continuam dificultando e até impossibilitando em alguns casos o tratamento da hepatite C com os inibidores de proteases.

Os pacientes não entendem porque alguns estados tentam desestruturar os polos de aplicação do interferon peguilado que no tratamento duplo prestam excelente serviço e cuidados aos pacientes, dos quais recebem aprovação unanime.

Porque os pacientes em tratamento triple, com boceprevir ou telaprevir, que são medicamentos orais e se tomam em casa tal qual a ribavirina, esses pacientes estão sendo em alguns estados "obrigados" a ter que ir a polos de aplicação de interferon "referenciados" como tratamento de terapia tripla?

Será que os gestores estaduais ou municipais que exigem isso dos pacientes não pararam 10 minutos para pensar nos problemas que estão ocasionando?

Se tivessem consultado os pacientes ou alguma ONG ficariam sabendo que diferentemente do paciente em tratamento com terapia dupla que dispõe de um pólo de aplicação perto da sua residência, os pacientes em terapia tripla deverão se dirigir aos poucos pólos de tratamento triplo, na maioria dos casos longe da sua residência.

Isso ocasiona perda de horas de viagem, consequentemente perda de dias de trabalho o que acabará em demissão do trabalho criando problemas sociais e familiares. Nem falar daqueles que deverão semanalmente pegar um ônibus intermunicipal e ficar horas fora da sua cidade. A esses o medicamento deveria ser entregue para ser tratado na sua localidade.

Pensaram quem vai pagar a passagem e a alimentação, em alguns casos até pernoite desses pacientes? O programa estadual ou municipal vai arcar com essa despesa? E se o paciente não tem recursos para ir a um posto de aplicação longe da sua casa não vai receber tratamento?

Meus senhores seria ideal existirem centros referenciados em todo nosso grande Brasil, mas enquanto isso não acontece não podemos negar tratamento a quem mora longe de um desses centros.

O tratamento num centro não referenciado pode não ser o ideal, mas é ainda pior não oferecer a possibilidade de tratamento a esses pacientes. Não existe pior tratamento que aquele que não é realizado.

Pacientes de Baixada Santista se sentindo prejudicados foram obrigados a realizar manifestação na rua para reclamar sobre o problema que estão enfrentando. Porque querer humilhar quem necessita tratamento triplo com essas exigências burocráticas decididas em gabinetes fechados sem as discutir com os principais interessados, os próprios pacientes?

Entendemos que podem acontecer efeitos adversos, compreendemos que em todos os polos de aplicação pode não existir atendimento especializado, mas os gestores estaduais e municipais devem compreender que colocar exigências absurdas prejudica o paciente.

Por favor, reflitam e revejam o monstro que foi criado. Vsmos tentar diminuir a judicialização!

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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