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Teste rápido de AIDS e hepatite C passa a ser obrigatório nos bancos de sangue

17/02/2014

A partir de13 de fevereiro de 2014, é obrigatória a realização do Teste de Ácido Nucleico (NAT) em todas as bolsas de sangue coletadas pelos bancos de sangue públicos e privados do País. O kit NAT já era oferecido em 100% dos bancos públicos brasileiros e agiliza a identificação dos vírus da AIDS e da hepatite C no sangue de doadores.

O exame reduz em média de 35 para 12 dias a janela imunológica no caso da hepatite C. Janela imunólogica é o tempo em que o vírus permanece indetectável no teste comum. No caso do HIV/AIDS a redução é de 22 dias para 10 dias.

Cabe agora a Vigilância Sanitária Municipal fiscalizar todos os bancos de sangue das suas cidades. Não seria admissível haver sangue com e sangue sem NAT, após essa portaria. Quem não respeitar a normativa estará fora da lei.

O próximo passo agora é que NAT inclua também o vírus da hepatite B, doença transmissível por relações sexuais, contato com sangue e materiais cortantes infectados.

Há mais de dez anos, em 2 de fevereiro de 2002, estive presente na cerimonia em Brasília quando o então ministro da Saúde, Dr. José Serra, assinou a Portaria tornando o teste obrigatório. Passados 11 anos, finalmente, após idas e vindas passa a ser uma realidade, assegurando um sangue de maior qualidade para quem necessita de uma transfusão.

Mas continuaremos lutando para que o NAT seja ampliado para incluir a hepatite B, que é tão importante quanto a hepatite C.

Segundo o Ministério da Saúde, de 1999 a 2011 foram notificados 343.853 casos de hepatites virais no Brasil, incluindo os cinco tipos da doença. A hepatite A é a mais comum com 138.305 casos, seguida da hepatite B com 120.343 casos, depois a hepatite C com 82.041 casos, a hepatite D com 2.197 vasos e finalmente a hepatite E com 967casos notificados nesses 12 anos.

Os casos notificados no Ministério da Saúde não refletem a realidade da epidemia. A subnotificação e enorme e pessoalmente estimo que na hepatite C entre 60 e 80% dos casos diagnosticados não são notificados, alegando os mais diversos motivos, mas em especial porque o sistema é por demais burocrático e porque as vigilâncias epidemiológicas dos municípios não possuem pessoal para fazer a busca ativa e completar as fichas do SINAN.

Será que existe interesse para que os casos sejam notificados? Muitas vezes duvido que exista interesse, pois se aparecem na estatística o problema da epidemia ficará visível e o governo deverá atender a demanda. Mas não acredito que possam existir gestores que pensem dessa forma, prejudicando o povo brasileiro.

O que você acha que pode estar acontecendo ante a falta de notificação dos casos de hepatite C?

Se tiver alguma ideia ou sugestão escreva um e-mail para hepato@hepato.com

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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