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19/08/2010


2010, um ano perdido nas campanhas das hepatites?


Há exatamente 18 anos os infectologistas Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak, em editorial chamado "Hepatite no tempo da AIDS", publicado na Folha de São Paulo em 10 de agosto de 1992, faziam uma forte análise critica denunciando que o governo muito falava da AIDS e praticamente nada informava sobre as hepatites. Com algumas poucas mudanças de vocabulário, a análise se aplica ao comportamento atual no ministerio da saúde.

Passados 18 anos o enfrentamento da maior epidemia existente no Brasil continua sem um programa com metas definidas e estabelecidas quantitativamente para seu enfrentamento. Enquanto na AIDS, o planejamento é realizado informando-se quantos tratamentos serão ofertados nos próximos anos, quantos preservativos serão distribuídos, quantos testes serão realizados, tudo com metas especificadas quantitativamente, nas hepatites, excetuando vacinação da hepatite B, somente existem promessas genéricas, sem números e, não podendo ser quantificadas não existe previsão orçamentária, de tal forma que dificilmente serão executadas.

Na AIDS o planejamento é para "fazer" em quantidades especificadas e definidas. Nas hepatites B e C simplesmente se coloca que serão "implementadas" ações, mas é lamentável tal atitude, pois "implementar" não é "fazer". Implementar significa dar prosseguimento, colocar em prática, mas não necessariamente significa o compromisso de realizar uma tarefa. Exemplo: ninguém diz vou "implementar uma viagem" e sim vou "fazer uma viagem".

Passados 18 anos do alerta na Folha de São Paulo o silêncio nas hepatites já resulta em que a hepatite C é a principal causa dos transplantes de fígado.

Passados 18 anos e desde 2009 o programa de hepatites está incorporado ao programa de AIDS e, ainda, somos obrigados a saber de absurdos como o acontecido semana passada, quando o Programa DST/AIDS/Hepatites do Ministério da Saúde emitiu nota criticando o Edital do Concurso para admissão nos quadros do Exército, por ser discriminatório solicitar aos candidatos o teste da AIDS. Entretanto não criticou que no mesmo edital também estava sendo solicitado o teste das hepatites B e C, uma clara demonstração que cuida com diferentes pesos e medidas as duas epidemias, cuidando dos infectados com AIDS e deixando ao Deus dará os infectados com as hepatites B e C.

Desde o ano 2000 grupos de pacientes realizam em 19 de maio, sem apoio do governo, atividades de divulgação das hepatites, movimento que começou no Brasil e passou a ser um dia mundial com 68 países realizando o evento. Em 2009 o ministério da saúde, pela primeira vez, realizou uma pequena campanha no dia 19 de maio, a qual esperávamos seria repetida e ampliada a cada ano, mas em 2010 já recebemos um balde de água fria. No mês de março o Departamento DST/AIDS/Hepatites comunicou às secretarias estaduais da saúde, que não seria realizada campanha em 19 de maio e, seguindo a sugestão da Organização Mundial da Saúde, a campanha seria realizada em 28 de julho.

Até chegou a ser ventilado pelos técnicos que a campanha teria filmes para TV, spot de radio, cartazes, folhetos, testes de detecção, vacinação, entre outras propostas, mas já passado o mês de julho e metade de agosto que atire a primeira pedra quem viu tal campanha. Somente uns poucos folhetos, 500 mil para sermos exatos, foram impressos falando ao mesmo tempo das hepatites A, B, C, D e E distribuídos às secretarias da saúde e a algumas ONGs já na metade de agosto. Quem recebe os folhetos não sabe qual a utilização que deverá dar aos mesmos.

Mais uma vez o movimento social das hepatites e os portadores da doença se sentem frustrados e desiludidos com o pouco caso que está sendo dado às hepatites, em especial à hepatite C. Está finalizando agosto, assim, o ano de 2010 muito provavelmente será mais um, nestes últimos 18 anos desde o alerta na Folha de São Paulo em 1992, em que o vírus consegue avançar mais que as ações do governo. Mais um ano perdido no enfrentamento da maior epidemia que atinge o povo brasileiro.

Ou os infectados com as hepatites reagem e cobram providencias ou, continuaremos sem resultados efetivos. Nos últimos quatro anos a quantidade de testes de detecção anti-HCV continua em aproximadamente 1,4 milhões por ano, sem aumento da oferta e, o número de tratamentos na hepatite C no SUS permanece entre 9.000 e 10.500 a cada ano. Mas se atualmente retirarmos desse total os pacientes em retratamento muito provavelmente fique constatado que em 2010 estamos tratando menos novos pacientes que em 2006. Que o governo passe a atender as hepatites com a mesma eficiência que cuida da AIDS vai depender pura e exclusivamente dos portadores de hepatites e as associações de pacientes que lutam realmente em defesa dos infectados.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo




Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!

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18/08/2010


¿2010, un año perdido en las campañas de las hepatitis?


Hace exactamente 18 años los infectólogos brasileños Vicente Amato Neto y Jacyr Pasternak, en editorial llamado "Hepatitis en el tiempo del SIDA", publicado en el diario Folha de Sao Paulo el 10 de agosto de 1992, hacían un fuerte análisis crítica denunciando que el gobierno mucho hablaba del SIDA y prácticamente nada informaba sobre las hepatitis. Con algunas pocas mudanzas de vocabulario, el análisis se aplica al comportamiento actual en el ministerio de la salud.

Pasados 18 años el enfrentamiento de la mayor epidemia existente en Brasil continúa sin un programa con metas definidas y establecidas cuantitativamente para su enfrentamiento. Mientras en el SIDA, la planificación es realizada informándose cuántos tratamientos serán ofertados en los próximos años, cuántos preservativos serán distribuidos, cuántas pruebas serán realizadas, todo con metas especificadas cuantitativamente, en las hepatitis, exceptuando vacunación de la hepatitis B, solamente existen promesas genéricas, sin números y, no pudiendo ser cuantificadas no existe previsión presupuestaria, de tal forma que difícilmente serán ejecutadas.

En el SIDA la planificación es para "hacer" en cantidades especificadas y definidas. En las hepatitis B y C simplemente se coloca que serán "implementadas" acciones, pero es lamentable tal actitud, pues "implementar" no es "hacer". Implementar significa dar prosecución, colocar en práctica, pero no necesariamente significa el compromiso de realizar una tarea. Ejemplo: nadie dice voy a "implementar un viaje" y sí voy a "hacer un viaje".

Pasados 18 años del alerta en la Folha de Sao Paulo el silencio en las hepatitis ya resulta en que la hepatitis C es la principal causa de los trasplantes de hígado.

Pasados 18 años y desde 2009 el programa de hepatitis está incorporado al programa de SIDA y, aún, somos obligados a saber de absurdos como el acontecido semana pasada, cuando el Programa DST/SIDA/Hepatitis del Ministerio de la Salud emitió nota criticando el llamado del concurso para admisión en los cuadros del Ejército, por ser discriminatorio solicitar a los candidatos la prueba del SIDA. Pero no criticó que en el mismo concurso también estaba siendo solicitada la prueba de las hepatitis B y C, una clara demostración que cuida con diferentes pesos y medidas las dos epidemias, cuidando de los infectados con SIDA y dejando al olvido los infectados con las hepatitis B y C.

Desde el año 2000 grupos de pacientes realizan en el 19 de mayo, sin apoyo del gobierno, actividades de divulgación de las hepatitis, movimiento que empezó en Brasil y pasó a ser un día mundial con 68 países realizando el evento. En 2009 el ministerio de la salud, por la primera vez, realizó una pequeña campaña en el día 19 de mayo, la cual esperábamos sería repetida y ampliada a cada año, pero en 2010 ya recibimos un balde de agua fría. En el mes de marzo el Departamento DST/SIDA/Hepatitis comunicó a las secretarías estaduales de la salud, que no sería realizada campaña el 19 de mayo y, siguiendo la sugestión de la Organización Mundial de la Salud, la campaña sería realizada el 28 de julio.

Hasta llegó a ser aventado por los técnicos que la campaña tendría filmes para TV, spot de radio, carteles, folletos, pruebas de detección, vacunación, entre otras propuestas, pero ya pasado el mes de julio y mitad de agosto que tire la primera piedra quien vio tal campaña. Solamente unos pocos folletos, 500 mil para ser exactos, fueron impresos hablando al mismo tiempo de las hepatitis A, B, C, D y E distribuidos a las secretarías de la salud y a algunas ONGs ya en la mitad de agosto. Quien recibe los folletos no sabe cual la utilización que deberá dar a los mismos.

Una vez más el movimiento social de las hepatitis y los portadores de la enfermedad se sienten frustrados y desilusionados con el poco caso que está siendo dado a las hepatitis, en especial a la hepatitis C. Está finalizando agosto, así, el año de 2010 muy probablemente será más uno, en estos últimos 18 años desde el alerta en la Folha de Sao Paulo en 1992, en que el virus consigue avanzar más que las acciones del gobierno. Más un año perdido en el enfrentamiento de la mayor epidemia de la historia de la humanidad.

O los infectados con las hepatitis reaccionan y cobran providencias o, continuaremos sin resultados efectivos. En los últimos cuatro años la cantidad de pruebas de detección anti-HCV continúa en aproximadamente 1,4 millones por año, sin aumento de la oferta y, el número de tratamientos para hepatitis C en el SUS permanece entre 9.000 y 10.500 a cada año. Pero si actualmente retiramos de ese total los pacientes en retratamiento muy probablemente quede constatado que en 2010 estamos tratando menos nuevos pacientes que en 2006. Que el gobierno pase a atender las hepatitis con la misma eficiencia que cuida del SIDA va a depender pura y exclusivamente de los portadores de hepatitis y las asociaciones de pacientes que luchan realmente en defensa de los infectados.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo




Carlos Varaldo Grupo Optimismo. Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
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Last updated 19.8.2010