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GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Telefones: Rio de Janeiro (xx21) 4063.4567 - São Paulo (xx11) 3522.3154 (das 11.00 às 15.00 horas)
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03/01/2011


A Tradição


Quando chega o final de ano é tradicional que todos expressem desejos e votos para que se realizem no ano que está se iniciando, mas pessoalmente estou passando a acreditar que devo estar desejando de forma equivocada porque ultimamente nada está saindo como desejado no ano anterior. Também pode ser que o desejo seja muito grande, impossível de ser conseguido, mas neste inicio de 2011 em vez de iniciarmos pelo que desejamos vamos verificar o que aconteceu no mundo das hepatites em 2010, para somente após tentar realizar algum pedido ao novo governo que está assumindo no Brasil, já que em termos de ações nas hepatites a gestão atual não deixa saudades.


2010 - Foi um ano bom nas hepatites?


Estamos no inicio de 2011 e como já é tradicional faço as minhas considerações e avaliações sobre a situação das hepatites B e C. Neste ano para melhor compreender é necessário fazer avaliações separando os fatos positivos e os negativos, assim estarei escrevendo primeiro os negativos e a seguir os positivos, separando ainda Brasil do resto do mundo.


BRASIL - Parte 1 - Mais um ano perdido


Parece um título por demais de pessimista, mas não deixa de ser. No final de 2009 o próprio Programa Nacional de Hepatites Virais ajudou a formar um Movimento Brasileiro entre algumas ONGs de hepatites, objetivando com isso manter um maior dialogo com a sociedade civil, mas o tal dialogo nunca aconteceu e uma serie de medidas contrarias aos interesses dos infectados foram impostas sem nenhuma discussão e comunicadas as ONGs uma vez implementadas. Tudo não passou de uma triste encenação para distrair o foco das ONGs e com isso evitar críticas, reivindicações e gritaria.

1 - INCORPORAÇÃO NO DEPARTAMENTO DST/AIDS: Passado mais de 1 ano da incorporação (definitivamente não podemos chamar de integração) do Programa Nacional de Hepatites dentro do Departamento DST/AIDS do Ministério da Saúde, podemos afirmar sem medo que conseguiram, tal vez deliberadamente, transformar as hepatites em uma vírgula, isto é, simplesmente colocaram uma vírgula após a palavra AIDS e a seguir a palavra hepatites, passando a ser tratada tal qual uma palavra que fica em segundo plano, após uma vírgula.

2 - CAMPANHAS DE ALERTA E ESCLARECIMENTOS: Após a incorporação o Departamento DST/AIDS/Hepatites conseguiu com total sucesso a não realização de nenhuma campanha de alerta ou divulgação das hepatites em 2010. No mês de março comunicou que nada seria feito em 19 de maio e que em 28 de julho faria uma campanha muito ampla, mas acabou 2010 e nada foi feito. A sociedade civil foi redondamente enganada.

3 - DEFESA DOS INFECTADOS 1: No mês de junho o Jornal Folha de São Paulo publicou uma absurda matéria sugerindo que a hepatite C é transmitida sexualmente entre homens promíscuos. Diversos grupos de portadores de hepatite e a Sociedade Brasileira de Hepatologia se manifestaram contra, mas o Departamento DST/AIDS/Hepatites que em tese deveria cuidar da hepatite C ficou mudo. Imagine alguém a grita que seria se isso fosse em relação a AIDS!

4 - DEFESA DOS INFECTADOS 2: Em julho o Departamento DST/AIDS/Hepatites do Ministério da Saúde emitiu nota criticando um Edital do Concurso para admissão nos quadros do Exército, por ser discriminatório solicitar aos candidatos o teste da AIDS. Entretanto não criticou que no mesmo edital também estava sendo solicitado o teste das hepatites B e C. Uma clara demonstração que cuida com diferentes pesos e medidas as duas epidemias, cuidando dos infectados com AIDS e deixando ao Deus dará os infectados com as hepatites B e C.

5 - FECHAMENTO DO PROGRAMA NACIONAL: No mês de novembro, também sem nenhuma discussão com as associações de pacientes ou com as coordenações estaduais e municipais de hepatites o Departamento DST/AIDS/Hepatites acabou de uma penada com uma coordenação de hepatites, informando que agora as hepatites seriam cuidadas pelos setores que cuidam das DST e da AIDS. Assim, por decreto o Brasil passou a ser o único país do mundo que considera a hepatite C como uma DST.

6 - A DESCULPA ESFARRAPADA: A desculpa para que o pessoal que cuida da AIDS passe a cuidar da hepatite C é totalmente absurdo. Eles enfiaram goela abaixo o raciocínio alegando arbitrariamente que se aproximadamente entre 20 e 30% dos infectados com HIV/AIDS também estão infectados com a hepatite C é por esse motivo, por ser uma alta proporção de co-infectados eles devem cuidar da hepatite C, achando que as duas epidemias estão relacionadas. Ora bolas, 30% dos 600 mil infectados com HIV/AIDS significa que 180 mil estão com hepatite C, então é necessário dar toda a atenção a esses e ignorar os mais de 3 milhões que somente estão infectados com hepatite C. Seguindo o mesmo raciocínio seria a hepatite C que deveria cuidar da epidemia de AIDS e não o contrario.

7 - A PIADA - HEPATITE C É CONSIDERADA UMA DOENÇA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL: Não podemos ignorar o enorme esforço de divulgação na AIDS, já que nos eventos dirigidos ao público homossexual e durante a parada de orgulho gay, o Departamento DST/AIDS/Hepatites distribuiu camisinhas, achando que com isso estaria realizando prevenção da hepatite C. Devem achar que distribuindo camisinha o mundo está a salvo de qualquer doença, até que com as camisinhas podem erradicar a fome e acabar com as guerras, etc.

8 - OS RECURSOS ALOCADOS E A IMPORTÂNCIA DADA PELO GOVERNO: Não podemos, também, ignorar que dos estimados 600.000 infectados com HIV/AIDS o Departamento DST/AIDS/Hepatites já diagnosticou 60% dos infectados e que 200.000 estão recebendo tratamento. Na hepatite C dos 3,5 milhões de infectados somente 100.000 foram diagnosticados e somente 10.000 recebem tratamento a cada ano. Na hepatite B, dos 2 milhões de infectados, somente estão diagnosticados 120.000 e em tratamento estão, no máximo, uns 8.000. Mas se as três doenças estão no mesmo departamento não deveriam receber a mesma atenção, não deveriam mostrar números semelhantes?

Em termos de recursos financeiros por infectado no total dos programas as diferenças são abismais. Enquanto no orçamento de 2010 o Programa DST/AIDS dispõe de R$. 3.700,00 para cada um dos seiscentos mil infectados, o Programa Nacional de Hepatites conseguiu no orçamento da união magros R$. 67,00 para cada um mais de cinco milhões de infectados com as hepatites B e C. Nada mais direto, eficaz e incontestável que comparar os números para se saber em qual das duas epidemias foi realizada à melhor estratégia pelo programa de DST/AIDS/Hepatites.

9 - OS INFECTADOS SÃO OS CULPADOS E POR TANTO CONSIDERADOS PARIAS HUMANOS: Tristemente devo reconhecer que a cada dia estamos caminhando no sentido inverso à boa e correta informação. Estimo que até estejamos correndo o risco de chegar ao extremo de considerar os infectados pelas hepatites B e C como parias humanos, culpando-os por um passado libertino, sem regras sociais e, por isso, hoje são os únicos culpados por estarem doentes com uma enfermidade de submundo. Se essa interpretação prevalecer, acabarão os infectados com as hepatites B e C excluídos do convívio social, das oportunidades de trabalho digno ou, até poderão ser segredados em guetos.

10 - EM 18 ANOS NENHUMA AÇÃO FOI REALIZADA: Há exatamente 18 anos os infectologistas Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak, em editorial chamado "Hepatite no tempo da AIDS", publicado na Folha de São Paulo em 10 de agosto de 1992, faziam uma forte análise critica denunciando que o governo muito falava da AIDS e praticamente nada informava sobre as hepatites. Com algumas poucas mudanças de vocabulário, a análise se aplica ao comportamento atual no ministério da saúde. Passados 18 anos do alerta na Folha de São Paulo o silêncio nas hepatites já resulta em que a hepatite C é a principal causa dos transplantes de fígado.

Passados 18 anos o enfrentamento da maior epidemia existente no Brasil continua sem um programa com metas definidas e estabelecidas quantitativamente para seu enfrentamento. Enquanto na AIDS, o planejamento é realizado informando-se quantos tratamentos serão ofertados nos próximos anos, quantos preservativos serão distribuídos, quantos testes serão realizados, tudo com metas especificadas quantitativamente, nas hepatites, excetuando vacinação da hepatite B, somente existem promessas genéricas, sem números e, não podendo ser quantificadas não existe previsão orçamentária, de tal forma que dificilmente serão executadas.

11 - A INTENÇÃO DE ESCONDER O PROBLEMA DA POPULAÇÃO MEDIANTE A CENSURA: Em 16 de setembro uma ativista nas hepatites recebeu um e-mail da Assessoria de Comunicação do Programa DST/AIDS/Hepatites do MS, solicitando retirar uma critica a falta de campanhas. Ela colocou "Se as autoridades de saúde não divulgam esse alerta, vamos usar nossos blogs para fazê-lo?". O Ministério da Saúde "sugeria" a alteração deste conteúdo, alegando que o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais tem se comprometido em disseminar as formas de contágio e prevenção das hepatites e outras DST. Foi uma censura direta e explicita.

12 - DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS QUE SÃO CONSIDERADOS BRASILEIROS DE SEGUNDA CATEGORIA: É no apagar das luzes de 2010 em atitude totalmente discriminatória contra os infectados com Hepatite C, o Ministério da Saúde pretende, a partir do próximo ano, disponibilizar somente um dos interferons peguilados disponíveis no mercado, para o tratamento gratuito perante o SUS, adquirindo aquele que, no processo de licitação, for o mais barato.

É uma atitude discriminatória porque em outras doenças, a exemplo da AIDS, todos os medicamentos legalmente registrados e autorizados para comercialização no Brasil, estão disponíveis para tratamento, tendo o médico liberdade para indicar os mais adequados para cada paciente.

Atitude discriminatória, ainda, porque AIDS e as Hepatites Virais se encontram no mesmo Departamento do Ministério da Saúde, mas se efetivada tal medida ficará demonstrado que os infectados com as Hepatites Virais são relegados a uma segunda categoria, que devem ser tratados sem opções medicamentosas e somente com aquilo que for mais barato. Se acontecer com as hepatites no futuro outras doenças poderão sofrer restrições similares.

EM TEMPO:
Todos os fatos acima aconteceram sem serem sequer discutidos com as associações de pacientes que representam os infectados com as hepatites, mas em toda e qualquer comunicação oficial eles colocam em destaque que atuam baseados no respeito, obrigações, solidariedade e transparência de sua relação com os portadores de Hepatites Virais no Brasil e seus familiares, tentando dessa forma enganar quem não vivencia o dia a dia dos bastidores.


BRASIL - Parte 2 - Fatos positivos


O ano não foi totalmente perdido, alguns fatos positivos aconteceram:

1 - APROVAÇÃO DE PROJETO DE LEI: O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei do Senador Flavio Arns, pelo qual o Ministério da Saúde passa a ter até um máximo de nove meses após o registro de um novo medicamento na ANVISA para incluí-lo nos protocolos de tratamento do SUS, ou esclarecer o porquê não estará sendo oferecido gratuitamente no serviço público. Um avanço importante, pois atualmente podem passar anos sem que o Ministério da Saúde atualizasse os protocolos ou desse qualquer explicação.

2 - MÉDICOS PARTICULARES PODEM PASSAR A TRATAR AS HEPATITES: No Rio de Janeiro, já no final do ano, conseguimos que a secretaria estadual da saúde autorizasse o fornecimento de medicamentos para tratamento das hepatites aos pacientes que realizam as consultas com médicos particulares, fato que vai facilitar o acesso ao tratamento e aumentará o número de pacientes em tratamento.

3 - TRATAMENTO COM PEGUILADO PARA TODOS OS GENÓTIPOS: Por uma ação civil pública os infectados do estado de Santa Catarina passam a ser tratados somente com interferon peguilado, em todo e qualquer genótipo, deixando de utilizar o velho e ultrapassado interferon convencional.

4 - ASSEGURANDO A MANUTENÇÃO DE UM PROGRAMA ESTADUAL: No mês de dezembro, ante a arbitrariedade do Ministério da Saúde de acabar com o Programa de hepatites, o estado do Rio Grande do Sul institui por decreto o Programa Estadual das Hepatites, independente e separado do programa de AIDS.


BRASIL - Parte 3 - Nossos desejos para 2011


1 - NOVO MINISTRO DA SAÚDE: Que escute os apelos dos infectados e tome as medidas necessárias para acabar com o insulto que os gestores da Secretaria de Vigilância do Ministério estão realizando em relação às hepatites, e para tal determine imediatamente que seja restabelecido um programa independente para as hepatites, separado do programa de AIDS e que evite a vergonhosa manobra para beneficiar determinado fabricante de interferon peguilado concedendo o monopólio de fornecimento ao SUS, pois caso isso aconteça se transformará no primeiro escândalo do novo governo.

2 - COMBATENDO A DISCRIMINAÇÃO: Que sejam realizadas duas ou três campanhas de esclarecimento em 2011 objetivando diminuir o estigma e discriminação nos infectados com as hepatites.

3 - ENCONTRAR OS INFECTADOS: realizar campanhas de diagnostico nos grupos de maior possibilidade de risco de estarem infectados, disponibilizando o teste em pelo menos 30% dos postos básicos de saúde de todo Brasil. É uma vergonha que 95% dos infectados, o que representa aproximadamente cinco milhões de brasileiros ainda não saibam que estão infectados com uma doença grave e mortal.


O MUNDO

A GRANDE PERDA DE 2010


Foi triste ver que durante a Assembléia Mundial da Saúde em maio de 2010 tenha sido aprovado o dia 28 de julho como dia internacional da hepatite, sem Brasil ou a World Hepatitis Alliance terem defendido abertamente o dia 19 de maio. O Brasil deveria ter defendido esse dia porque foi criado no Brasil no ano 2000 e, em nove anos mais de 60 países passaram a realizar a divulgação em 19 de maio, tornando o dia legitimo pela iniciativa dos próprios infectados o seu legitimo dia de alerta y divulgação. Com o seu silencio e aceitação a World Hepatitis Alliance acabou realizando uma traição a confiança a ela depositada pelos grupos de pacientes já que durante dois anos apregoou e incentivou o dia 19 de maio como o dia mundial.

Triste também ver no item 2 da resolução da OMS recomenda a os governos desenvolver ações que vissem atender os co-infectados com AIDS, deixando para os que somente estão infectados com as hepatites B e C a realização de ações caso existam recursos econômicos disponíveis.


ESPERANÇA PARA 2011


O nosso desejo para 2011 é que aconteça uma mudança radical de atitude por parte dos infectados de todo o mundo, para que a realidade nas hepatites apresente uma nova visão e deixe de ser ignorada pelos formadores de opinião e dos políticos, pois continuar a ocultar a realidade será cometer um verdadeiro genocídio humano.

Carlos Varaldo



Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal:
As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM


O Grupo Otimismo e afiliado a AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - www.aigabrasil.org


¡ALERTA!

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1 pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!

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03/01/2011


La Tradición


Cuando llega el final de año es tradicional que todos expresen deseos y votos para que se realicen en el año que está empezando, pero personalmente estoy pasando a creer que debo estar deseando de forma equivocada porque últimamente nada está saliendo como deseado en el año anterior. También puede ser que el deseo sea muy grande, imposible de ser logrado, pero en éste inicio de 2011 en vez de que empezar con lo que deseamos vamos a verificar qué pasó en el mundo de las hepatitis en 2010, para solamente después intentar realizar algún pedido al nuevo gobierno que está asumiendo en Brasil, ya que en relación a acciones en las hepatitis la gestión actual no deja nostalgias. Al final, un breve resumen sobre las hepatitis en el mundo.


¿2010 fue un buen año en las hepatitis?


Estamos en el inicio de 2011 y como ya es tradicional hago mis consideraciones y evaluaciones sobre la situación de las hepatitis B y C. Este año para mejor comprender es necesario hacer evaluaciones separando los hechos positivos y los negativos, así estaré escribiendo primero los negativos y a continuación los positivos, separando todavía Brasil del resto del mundo.


Brasil - Parte 1 - Más un año perdido


Parece un título por demás de pesimista, pero no deja de ser. Al final de 2009 el propio Programa Nacional de Hepatitis Virales ayudó a formar un Movimiento Brasileño entre algunas ONGs de hepatitis, objetivando con eso mantener un mayor dialogo con la sociedad civil, pero el tal dialogo nunca aconteció y una serie de medidas contrarias a los intereses de los infectados fueron impuestas sin ninguna discusión y comunicadas a las ONGs una vez implementadas. Todo no pasó de una triste escenificación para distraer el foco de las ONGs y con eso evitar críticas, reivindicaciones y gritería.

1 - INCORPORACIÓN EN EL DEPARTAMENTO DST/SIDA: Pasado más de 1 año de la incorporación (definitivamente no podemos llamar de integración) del Programa Nacional de Hepatitis dentro del Departamento DST/ASIDA del Ministerio de la Salud, podemos afirmar sin miedo que lograron, tal vez deliberadamente, transformar las hepatitis en una coma, esto es, simplemente metieron una coma después de la palabra SIDA y a continuación la palabra hepatitis, pasando a ser tratada tal cual una palabra que se queda en segundo plan, después de una coma.

2 - CAMPAÑAS DE ALERTA Y ACLARACIONES: Después de la incorporación el Departamento DST/SIDA/Hepatitis consiguió con total suceso la no realización de ninguna campaña de alerta o divulgación de las hepatitis en 2010. En el mes de marzo comunicó que nada sería hecho el 19 de mayo y que el 28 de julio haría una campaña muy amplia, pero acabo 2010 y nada fue hecho. La sociedad civil fue redondamente engañada.

3 - DEFENSA DE LOS INFECTADOS 1: En el mes de junio el Diario Folha de Sao Paulo publicó una absurda materia sugiriendo que la hepatitis C es transmitida sexualmente entre hombres promiscuos. Diversos grupos de portadores de hepatitis y la Sociedad Brasileña de Hepatología se manifestaron contra, pero el Departamento DST/SIDA/Hepatitis que en tesis debería cuidar de la hepatitis C quedó mudo. ¡Imagine alguien la grita qué sería si eso fuese con relación al SIDA!

4 - DEFENSA DE LOS INFECTADOS 2: En julio el Departamento DST/SIDA/Hepatitis del Ministerio de la Salud emitió nota criticando una llamada para el Concurso para admisión en los cuadros del Ejército, por ser discriminatorio solicitar a los candidatos la prueba del SIDA. Pero no criticó que en la misma llamada también estaba siendo solicitada la prueba de las hepatitis B y C. Una clara demostración que cuida con diferentes pesos y medidas las dos epidemias, cuidando de los infectados con SIDA y dejando al Dios dará los infectados con las hepatitis B y C.

5 - ENCERRAMIENTO DEL PROGRAMA NACIONAL: En el mes de noviembre, también sin ninguna discusión con las asociaciones de pacientes o con las coordinaciones provinciales y municipales de hepatitis el Departamento DST/SIDA/Hepatitis acabó de una penada con una coordinación de hepatitis, informando que ahora las hepatitis serían cuidadas por los sectores que cuidan de las DST y del SIDA. Así, por decreto Brasil pasó a ser el único país del mundo que considera la hepatitis C como una DST.

6 - LA DISCULPA DESASTROSA: La disculpa para que el personal que cuida del SIDA pase a cuidar de la hepatitis C es totalmente absurdo. Metieron garganta abajo el raciocinio alegando arbitrariamente que si aproximadamente entre 20 y 30% de los infectados con HIV/SIDA también están infectados con la hepatitis C es por ese motivo, por ser una alta proporción de co-infectados ellos deben cuidar de la hepatitis C, pensando que las dos epidemias están relacionadas. Ora bolas, 30% de los 600 mil brasileros infectados con HIV/SIDA significa que 180 mil están con hepatitis C, entonces es necesario dar todo la atención a ésos e ignorar los más de 3 millones que solamente están infectados con hepatitis C. Siguiendo el mismo raciocinio sería la hepatitis C que debería cuidar de la epidemia de SIDA y no lo contrario.

7 - El CHISTE - HEPATITIS C ES CONSIDERADA UNA ENFERMEDAD SEXUALMENTE TRANSMISIBLE: No podemos ignorar el enorme esfuerzo de divulgación en el SIDA, ya que en los eventos dirigidos al público homosexual y durante la parada de orgullo gay, el Departamento DST/SIDA/Hepatitis distribuyó camisas, pensando que con eso estaría realizando prevención de la hepatitis C. Deben pensar que distribuyendo condón el mundo está a salvo de cualquier enfermedad, hasta que con los preservativos pueden erradicar el hambre y acabar con las guerras, etc.

8 - LOS RECURSOS RESERVADOS Y LA IMPORTANCIA DADA POR EL GOBIERNO: No podemos, también, ignorar que de los estimados 600.000 infectados con HIV/SIDA el Departamento DST/SIDA/Hepatitis ya diagnosticó 60% de los infectados y que 200.000 están recibiendo tratamiento. En la hepatitis C de los 3,5 millones de infectados solamente 100.000 fueron diagnosticados y solamente 10.000 reciben tratamiento a cada año. En la hepatitis B, de los 2 millones de infectados, solamente están diagnosticados 120.000 y en tratamiento están, a lo más, unos 8.000. ¿Pero si las tres enfermedades están en el mismo departamento no deberían recibir la misma atención, no deberían mostrar números semejantes?

En relación a los recursos financieros por infectado en el total de los programas las diferencias son abismales. Mientras en el presupuesto de 2010 el Programa DST/SIDA dispone de R$. 3.700,00 para cada uno de los seiscientos mil infectados, el Programa Nacional de Hepatitis consiguió en el presupuesto de la unión delgados R$. 67,00 para cada uno más de cinco millones de infectados con las hepatitis B y C. Nada más directo, eficaz e incontestable que comparar los números para saberse en cual de las dos epidemias fue realizada la mejor estrategia por el programa de DST/SIDA/Hepatitis.

9 - LOS INFECTADOS SON LOS CULPABLES Y POR TANTO CONSIDERADOS PARÍAS HUMANOS: Tristemente debo reconocer que a cada día estamos caminando en el sentido inverso a la buena y correcta información. Estimo que hasta estamos corriendo el riesgo de llegar al extremo de considerar los infectados por las hepatitis B y C como parías humanos, culpándolos por un pasado libertino, sin reglas sociales y, por eso, hoy son los únicos culpados por estar enfermos con una enfermedad de submundo. Si esa interpretación prevalece, acabarán los infectados con las hepatitis B y C excluidos del mundo social, de las oportunidades de trabajo digno o, hasta podrán ser segregados en guetos.

10 - EN 18 AÑOS NINGUNA ACCIÓN FUE REALIZADA: Hace exactamente 18 años los infectólogos Vicente Amato Neto y Jacyr Pasternak, en editorial llamado "Hepatitis en el tiempo del SIDA", publicado en la Folha de Sao Paulo el 10 de agosto de 1992, hacían un fuerte análisis critico denunciando que el gobierno mucho hablaba del SIDA y prácticamente nada informaba sobre las hepatitis. Con algunas pocas mudanzas de vocabulario, el análisis se aplica al comportamiento actual en el ministerio de la salud. Pasados 18 años del alerta en la Folha de Sao Paulo el silencio en las hepatitis ya resulta en que la hepatitis C es la principal causa de los trasplantes de hígado.

Pasados 18 años el enfrentamiento de la mayor epidemia existente en Brasil continúa sin un programa con metas definidas y establecidas cuantitativamente para su enfrentamiento. Mientras en el SIDA, la planificación es realizada informándose cuántos tratamientos serán ofertados en los próximos años, cuántos preservativos serán distribuidos, cuántos tests serán realizados, todo con metas especificadas cuantitativamente, en las hepatitis, exceptuando vacunación de la hepatitis B, solamente existen promesas genéricas, sin números y, no pudiendo ser cuantificadas no existe previsión presupuestaria, de tal forma que difícilmente serán ejecutadas.

11 - LA INTENCIÓN DE ESCONDER EL PROBLEMA DE LA POBLACIÓN MEDIANTE LA CENSURA: El 16 de septiembre una activista en las hepatitis recibió un e-mail de la Asesoría de Comunicación del Programa DST/SIDA/Hepatitis del MS, solicitando retirar una crítica sobre la falta de campañas. Ella colocó "¿Si las autoridades de salud no divulgan ese alerta, vamos a usar nuestros blogs para hacerlo?". El Ministerio de la Salud "sugería" la alteración de este contenido, alegando que el Departamento de DST, SIDA y Hepatitis Virales se ha comprometido en diseminar las formas de contagio y prevención de las hepatitis y otras DST. Fue una censura directa y explicita.

12 - DISCRIMINACIÓN CONTRA LOS QUE SON CONSIDERADOS BRASILEÑOS DE SEGUNDA CATEGORÍA: En el apagar de las luces de 2010 en actitud totalmente discriminatoria contra los infectados con Hepatitis C, el Ministerio de la Salud pretende, desde el próximo año, comprar solamente un de los interferones pegilados existente en el mercado, para quien depende del tratamiento gratuito en los hospitales, adquiriendo aquél que, en el proceso de compra sea el más barato.

Es una actitud discriminatoria porque en otras enfermedades, a ejemplo del SIDA, todos los medicamentos legalmente registrados y autorizados para comercialización en Brasil, están disponibles para tratamiento, teniendo el médico libertad para indicar los más adecuados para cada paciente.

Actitud discriminatoria, aún, porque SIDA y las Hepatitis Virales se encuentran en el mismo Departamento del Ministerio de la Salud, pero si tomada tal medida quedará demostrado que los infectados con las Hepatitis son relegados a una segunda categoría, que deben ser tratados sin opciones medicamentosas y solamente con aquello que sea más barato. Si acontece con las hepatitis en el futuro otras enfermedades podrán sufrir restricciones similares.

EN TIEMPO: Todos los hechos arriba acontecieron sin ser siquiera discutidos con las asociaciones de pacientes que representan los infectados con las hepatitis, pero en toda y cualquier comunicación oficial ellos colocan en destaque que actúan basados en el respeto, obligaciones, solidaridad y transparencia en su relación con los portadores de Hepatitis Virales en Brasil y sus familiares, tentando de ésa forma engañar quien no vive el día a día de los bastidores.


Brasil - Parte 2 - Hechos positivos


El año no fue totalmente perdido, algunos hechos positivos acontecieron:

1 - APROBACIÓN DE PROYECTO DE LEY: El Congreso Nacional aprobó el Proyecto de Ley del Senador Flavio Arns, por el cual el Ministerio de la Salud pasa a tener hasta un máximo de nueve meses después del registro de un nuevo medicamento en la ANVISA para incluirlo en los consensos de tratamiento del sistema público, o aclarar el porqué no estará siendo ofrecido gratuitamente en el servicio público. Un avance importante, pues actualmente pueden pasar años sin que el Ministerio de la Salud actualizase los consensos o colocase cualquier explicación.

2 - MÉDICOS PARTICULARES PUEDEN PASAR A TRATAR LAS HEPATITIS: En Río de Janeiro, ya al final del año, conseguimos que la secretaría estadual de la salud autorizase el suministro gratuito de medicamentos para tratamiento de las hepatitis a los pacientes que realizan las consultas con médicos particulares, hecho que va a facilitar el acceso al tratamiento y aumentará el número de pacientes en tratamiento.

3 - TRATAMIENTO CON PEGILADO PARA TODOS LOS GENOTIPOS: Por una acción civil pública los infectados de la provincia de Santa Catarina pasan a ser tratados solamente con interferón pegilado, en todo y cualquier genotipo, dejando de utilizar el viejo y ultrapasado interferón convencional.

4 - ASEGURANDO LA MANUTENCIÓN DE UN PROGRAMA ESTADUAL: En el mes de diciembre, ante la arbitrariedad del Ministerio de la Salud de acabar con el Programa de hepatitis, la provincia de Río Grande do Sul instituye por decreto el Programa Estadual de las Hepatitis, independiente y separado del programa de SIDA.


Brasil - Parte 3 - Nuestros deseos para 2011


1 - NUEVO MINISTRO DE LA SALUD: Que escuche los pedidos de los infectados y tome las medidas necesarias para acabar con el insulto que los gestores de la Secretaría de Vigilancia del Ministerio están realizando con relación a las hepatitis, y para tal determine inmediatamente que sea restablecido un programa independiente para las hepatitis, separado del programa de SIDA y que evite la vergonzosa maniobra para beneficiar determinado fabricante de interferón pegilado concediendo el monopolio de provisión al sistema público, pues caso eso acontezca se transformará en el primer escándalo del nuevo gobierno.

2 - COMBATIENDO LA DISCRIMINACIÓN: Que sean realizadas dos o tres campañas de aclaración en 2011 objetivando disminuir el estigma y discriminación a los infectados de hepatitis.

3 - ENCONTRAR LOS INFECTADOS: realizar campañas de diagnostico en los grupos de mayor posibilidad de riesgo de que estén infectados, colocando la prueba en por lo menos 30% de los puestos básicos de salud de todo Brasil. Es una vergüenza que 95% de los infectados, lo que representa aproximadamente cinco millones de brasileños todavía no sepan que están infectados con una enfermedad grave y mortal.


El MUNDO

LA GRAN PÉRDIDA DE 2010


Fue triste ver que durante la Asamblea Mundial de la Salud en mayo de 2010 haya sido aprobado el día 28 de julio como día internacional de la hepatitis, sin que Brasil o la World Hepatitis Alliance hayan defendido abiertamente el día 19 de mayo. Brasil debería haber defendido ese día porque fue criado en Brasil en el año 2000 y, en nueve años más de 60 países pasaron a realizar la divulgación el 19 de mayo, tornando el día legitimo por la iniciativa de los propios infectados, su legitimo día de alerta e divulgación. Con su silencio y aceptación la World Hepatitis Alliance acabó realizando una traición a la confianza a ella depositada por los grupos de pacientes ya que durante dos años pregonó e incentivó el día 19 de mayo como el día mundial.

Triste también ver en el ítem 2 de la resolución de la OMS recomienda a los gobiernos desarrollar acciones que viesen atender los co-infectados con SIDA, dejando para los que solamente están infectados con las hepatitis B y C la realización de acciones caso existan recursos económicos disponibles.


DESEOS PARA 2011


Nuestro deseo para 2011 es que acontezca un cambio radical de actitud por parte de los infectados de todo el mundo, para que la realidad en las hepatitis presente una nueva visión y deje de ser ignorada por los formadores de opinión y de los políticos, pues continuar a ocultar la realidad será cometer un verdadero genocidio humano.

Carlos Varaldo



Carlos Varaldo Grupo Optimismo. Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
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Last updated 2.1.2011