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GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
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20/09/2007


Carta enviada pelo vírus da hepatite C ao seu primo, o vírus da hepatite B.

Notícias da família




Querido primo,

Por pura falta de tempo, estou em falta com você sem enviar notícias da família. Você sabe que não é nada fácil ser o patriarca de uma família com mais de quatro milhões de parentes morando neste imenso Brasil. Mas vamos lá contar como andam as coisas da família. Gosto de chamar de família porque "facção" é uma coisa de criminoso, de traficantes de drogas, por isso acho pejorativo que nos chamem de HCV, podem confundir com o Comando Vermelho.

Sabe, foi uma boa os nossos antepassados terem escolhido o Brasil para se radicar. A vida aqui é muito fácil, praticamente ninguém te incomoda, o governo não se preocupa com a gente e, assim, vamos levando uma vidinha tranqüila. Hoje, orgulhosamente, nossa família é uma das mais numerosas do Brasil.

As coisas já foram melhores. Hoje a nossa reprodução está mais difícil porque os jovens da nossa família não gostam muito de sexo. Sempre fomos chegados a uma praia, em especial à Praia Vermelha, por aqui chamada de Banco de Sangue. Era nela que a gente se reproduzia facilmente, mas alguém teve a péssima idéia de passar a controlar a entrada e desde então a família está ficando velha e com poucos nascimentos. Ainda por cima os empresários, com sua ânsia de lucros, acabaram com aqueles instrumentos que eram reutilizados e passaram a vender material descartável, desta maneira, também, perdemos alguns meios de transporte que ajudavam nossa reprodução.

Mas nem tudo é notícia ruim. Afortunadamente conseguimos eleger uma boa bancada política e isso nos ajuda a indicar algumas "otoridades" que colaboram com a gente. É por isso que falei que a vida no Brasil é fácil para nossa família.

Esses indicados políticos gostam de nos agradar, vivem falando que estarão realizando campanhas para nos punir, mas na realidade elas nunca são levadas a cabo. Até hoje essas "otoridades" nunca realizaram nenhuma ação para nos identificar, saber onde residimos ou nos reprimir. Como as "otoridades" não falam da gente os brasileiros nem sabem que nossa família existe. E isso é fundamental para nossa família sobreviver sem sobressaltos, sem resistência das "otoridades".

Olha, eu moro no Rio de Janeiro, por aqui conseguimos em 2002 colocar como "otoridade" um cara para tomar conta da gente que retribuiu a altura e o sucesso foi total. Este sujeito conseguiu fazer com que as "otoridades" que no ano 2000 mantinham mais de 1.100 de nossos familiares sob controle (eles chamam de tratamento), chegassem em 2006 com menos de 700 nessa condição. Em quanto todos os estados aumentaram o número de familiares sob controle, aqui no Rio de Janeiro conseguimos reduzir. Uma façanha de nossa família com ajuda da tal "otoridade".

No início do ano passado um grupo de chatos de galocha fez barulhos na porta das "otoridades" e conseguiram tirar nosso indicado, mas passou o ano, assumiu um novo governo e afortunadamente conseguimos colocar novamente o tal sujeito, agora promovido, para cuidar da nossa família e de muitas outras facções.

O cabra é muito bom, em poucos meses várias facções rivais já conseguiram assumir a lideramça no Brasil, com destaque para as facções denominadas Dengue, Hanseniase e Tuberculose. O cabra, para nos ajudar, deu a ordem para que nenhuma "otoridade" sob seu comando aceite se reunir com os "chatos" (ONGs da sociedade civil) que querem combater as diversas facções.

Meu primo, está chegando o momento de discutirmos sobre nossas aplicações financeiras. O momento é ótimo para comprar ações de funerárias e cemitérios. O nosso sucesso familiar está conseguindo muitos fregueses para este tipo de negócio o que vai fazer subir as ações.

Bom, aguardo sua resposta me contando como anda a coisa com sua família. Pelo que vi nos jornais a sua família continua crescendo, me conte como você está conseguindo isso.

Com carinho,

Seu primo vírus C




Meu querido primo vírus C,

Foi uma grande alegria receber suas notícias. Vivemos em mundos diferentes desde que nossos antepassados ao emigrar para o Brasil se radicaram em outras regiões. Meu avô achou que a Amazônia, o sul do Espírito Santo, o oeste de Paraná e Santa Catarina seriam o futuro do Brasil, mas tal vez por esse motivo a nossa família acabou mais pobre que a sua, e hoje somos o primo pobre das famílias hepatos. Muitos da sua família tiveram sorte e hoje a família C tem membros nas altas rodas.

Bom, pelo menos minha família gosta de sexo, e gosta muito! Tal é assim que continuamos a crescer loucamente. A cada dia a família aumenta. Os nossos inimigos que deveriam ser as "otoridades" também são nossos parceiros, atuam como uma milícia das diversas facções que hoje dividem o Brasil (Hepatites, Dengue, Malaria, Tuberculose, Hanseníase, Aids, etc.). Eles têm uma arma terrível que poderia dizimar nossa família, mas nem sequer a sabem empregar. A munição enferruja nos seus quartéis e muitas vezes acaba perdendo eficácia por vencimento de seu prazo de validade.

Para ter eficácia essa arma deveria ser disparada no braço de todos os jovens brasileiros, dando três tiros certeiros, mas, praticamente, menos da metade dos que estão na fase de vida sexual ativa foram atingidos. Isto facilita muito nossa reprodução e por isso a família continua crescendo. Acho que a visão deles está ruim, pois o nome da arma é "vacina", mas eles interpretaram "vacila" e desde então estão vacilando na sua aplicação.

Na Amazônia já temos regiões onde nossa família representa 26% da população. Já temos número suficiente para eleger políticos em todos os níveis, mas preferimos manter nosso pacto com as "otoridades" motivo pelo qual não fazemos barulho para que a população não reclame e eles fiquem em silencio, mudos, omissos, sem nos combater.

Achei ótima sua sugestão de comprar ações de funerárias e cemitérios. Vou falar com as "otoridades" responsáveis por nos combater, pois isso também vai ser um bom negocio para eles. Se enchermos rapidamente os cemitérios os colegas deles que trabalham na economia e na previdência irão agradecer, já que estaremos reduzindo o número de pacientes atendidos no SUS e a quantidade de aposentadorias que deveriam pagar será bem menor. Sinto-me orgulhoso de poder trabalhar para reduzir os gastos do Ministerio da Saúde, o déficit da Previdência e, assim, ajudar o governo no superávit fiscal.

Meu primo, sabe que pela omissão das "otoridades" já temos muitos casos de parentes que estão casando entre eles, unindo vínculos, inclusive com as outras facções. No inicio eu até que era contra, mas descobri que isso facilita o crescimento não somente da nossa família, mas de todas as facções rivais, as quais, por vínculos de sangue deixam de ser rivais e passam a trabalhar juntas, em perfeita harmonia. Os nomes ficam complicados, hoje temos parentes com sobrenomes como HIV/HCV; HIV/HBV/HCV e até HIV/HCV/Tuberculose. O curioso é que os filhos nascem bravos, briguentos, deve ser por algum problema no sangue que os torna mais agressivos. Isso está fortalecendo nossas fileiras, pois estamos ganhando guerreiros invencíveis, verdadeiros soldados guerreiros. Parece que estamos copiando o governo e aceitando qualquer um para compor a base aliada de sustentação, conseguindo manter a nossa maioria.

A união faz a força e a "otoridade" estará cada vez mais acuada, sem nos controlar, nos outorgando total liberdade para crescermos em paz, já que os vínculos de interesses são tantos que dependem de nosso silencio para eles ficarem encastelados nos seus cargos, recebendo seus salários, viagens, diárias e demais mordomias.

Temos que fazer um monumento a nossos ancestrais pela visão que tiveram quando decidiram se radicar no Brasil, uma terra que como falou Cabral "se plantando tudo dá". O crescimento das nossas famílias comprova isso.

Esperando encontrá-lo em breve, desejo muita saúde a toda sua família.

De seu primo, o vírus B.




Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - Brasil
Tel. (55.21) - 9973.6832
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20/09/2007


Carta enviada por el virus de la hepatitis C a su primo, el virus de la hepatitis B.

Noticias de la familia




Querido primo,

Por pura falta de tiempo, estoy en falta contigo sin enviar noticias de la familia. Sabe que no es nada fácil ser el patriarca de una familia con más de cuatro millones de parientes viviendo en este inmenso Brasil. Pero vamos contar como andan las cosas de la familia. Me gusta llamar de familia porque "facción" es una cosa de criminoso, de traficantes de drogas, por eso pienso que es peyorativo que nos llamen de HCV, pueden confundir con el Comando Rojo, famoso en las "favelas" de Rio de Janeiro.

Sabe, fue una buena idea la de nuestros antepasados haber escogido Brasil para radicarse. La vida aquí es muy fácil, prácticamente nadie te fastidia, el gobierno no se preocupa por la gente y, así, vamos llevando una vida tranquila. Hoy, orgullosamente, nuestra familia es una de las más numerosas de Brasil.

Las cosas ya fueron mejores. Hoy nuestra reproducción está más difícil porque los jóvenes de nuestra familia no gustan mucho de sexo. Siempre fuimos más llegados a una playa, en especial a la Playa Roja, por aquí llamada de Banco de Sangre. Era en ella que la gente se reproducía fácilmente, pero alguien tuvo la pésima idea de pasar a controlar la entrada y desde entonces la familia está se poniendo vieja y con pocos nacimientos. Para colmo los empresarios, con su ansia de ganancias, acabaron con aquellos instrumentos que eran reutilizados y pasaron a vender material desechable, de esta manera, también, perdemos algunos medios de transporte que ayudaban nuestra reproducción.

Pero no todo son malas noticias. Venturosamente logramos elegir una buena bancada política y eso nos ayuda a indicar algunas "autoridades" que colaboran con la gente. Es por eso que dije que la vida en Brasil es fácil para nuestra familia.

A estos indicados políticos les gusta agradarnos, viven diciendo que estarán realizando campañas para punirnos, pero en realidad ellas nunca son llevadas a cabo. Hasta hoy esas "autoridades" nunca realizaron ninguna acción para identificarnos, saber donde residimos o reprimirnos. Como las "autoridades" no hablan de la gente los brasileños ni saben que nuestra familia existe. Y eso es fundamental para nuestra familia sobrevivir sin sobresaltos, sin resistencia de las "autoridades".

Mira, vivo en Rio de Janeiro, por aquí logramos en 2002 meter como "autoridad" un sujeto para cuidar de la gente que retribuyó a altura y el suceso fue total. Este sujeto logró hacer que las "autoridades" que en el año 2000 mantenían más de 1.100 de nuestros familiares bajo control (llaman de tratamiento), llegasen a 2006 con menos de 700 en esa condición. En cuanto todas las regiones del Brasil aumentaron el número de familiares bajo control, aquí en Rio de Janeiro conseguimos reducir. Una hazaña de nuestra familia con ayuda de la tal "autoridad".

Al inicio del año pasado un grupo de idiotas realizó manifestaciones en la puerta de las "autoridades" y consiguieron tirar nuestro indicado, pero pasó el año, asumió un nuevo gobierno y venturosamente conseguimos colocar nuevamente el tal sujeto, ahora promocionado, para cuidar de nuestra familia y de muchas otras facciones.

El tipo es muy bueno, en pocos meses varias facciones rivales ya son las primeras en Rio de Janeiro, con destaque para las facciones denominadas Dengue, Lepra y Tisis. El tipo, para nos ayudar, dio orden para que ninguna "autoridad" bajo su comando acepte se reunir con los "idiotas" (ONGs de la sociedad civil) que quieren combatir las diversas facciones.

Mi primo, está llegando el momento para discutir sobre nuestras aplicaciones financieras. El momento es excelente para comprar acciones de funerarias y cementerios. Nuestro suceso familiar está consiguiendo muchos clientes para este tipo de negocio lo que va a hacer subir las acciones.

Bueno, aguardo su respuesta contándome como anda la cosa con su familia. Por lo que me enteré por los periódicos su familia continúa creciendo, me cuente como usted está logrando eso.

Con cariño,

Su primo virus C




Mi querido primo virus C,

Fue una gran alegría recibir tus noticias. Vivimos en mundos diferentes desde que nuestros antepasados al emigrar para Brasil se radicaron en otras regiones. Mi abuelo pensó que la Amazonía, el sur de Espíritu Santo, el oeste de Paraná y Santa Catarina serían el futuro del Brasil, pero tal vez por ese motivo nuestra familia acabó más pobre que la tuya y, hoy somos el primo pobre de las familias hepatos. Muchos de tu familia tuvieron suerte y hoy la familia C tiene miembros en las altas esferas.

Bueno, por lo menos a mi familia le gusta el sexo, ¡y muchísimo! Es por esto que continuamos a crecer rápidamente. A cada día la familia aumenta. Nuestros enemigos que deberían ser las "autoridades" también son nuestros compañeros, actúan como una milicia de las diversas facciones que hoy dividen Brasil (Hepatitis, Dengue, Malaria, Tisis, Lepra, SIDA, etc.). Tienen un arma terrible que podría diezmar nuestra familia, pero ni siquiera la saben emplear. La munición oxida en sus cuarteles y muchas veces acaba perdiendo eficacia por vencimiento de su fecha de caducidad.

Para tener eficacia esa arma debería ser disparada en el brazo de todos los jóvenes, dando tres disparos certeros, pero, prácticamente, menos de la mitad de los que están en la fase de vida sexual activa fueron alcanzados. Esto facilita mucho nuestra reproducción y por eso la familia continúa creciendo. Pienso que la visión de ellos está con problemas, pues el nombre del arma es "vacuna", pero ellos interpretaron "vacila" y desde entonces están vacilando en su aplicación.

En Amazonía ya tenemos regiones donde nuestra familia representa 26% de la población. Ya tenemos número suficiente para elegir políticos en todos los niveles, pero preferimos mantener nuestro pacto con las "autoridades" motivo por el cual nos mantenemos en silencio para que la población no reclame y ellos puedan quedar en silencio, mudos, omisos, sin nos combatir.

Hallé muy buena tu sugestión de comprar acciones de funerarias y cementerios. Voy a hablar con las "autoridades" responsables de nos combatir, pues eso también será un buen negocio para ellos. Si conseguimos llenar rápidamente los cementerios, los colegas de nuestras "autoridades" que trabajan en el ministerio de economía y en los institutos de jubilados irán nos agradecer, ya que estaremos reduciendo el número de pacientes atendidos en el sistema público de salud y la cantidad de jubilaciones que tendrán que pagar será menor. Me siento orgulloso de poder trabajar para reducir los gastos del Ministerio de la Salud, el déficit del sistema de jubilaciones y, así, ayudar el gobierno en el superávit fiscal.

Mi primo, sabe que por la omisión de las "autoridades" ya tenemos muchos casos de parientes que están casando entre ellos, uniendo vínculos, incluso con las otras facciones. Inicialmente yo era contrario, pero descubrí que eso facilita el crecimiento no solamente de nuestra familia, pero de todas las facciones rivales, las cuales, por vínculos de sangre dejan de ser rivales y pasan a trabajar juntas, en perfecta armonía. Los nombres quedan complicados, hoy tenemos parientes con apellidos como HIV/HCV; HIV/HBV/HCV y hasta HIV/HCV/Tisis. Lo curioso es que los hijos nacen agresivos, bravos, peleones, debe ser por algún problema en la sangre que los hace más agresivos. Eso está fortaleciendo nuestras hileras, pues estamos ganando guerreros invencibles, verdaderos soldados de guerra.

La unión hace la fuerza y a "autoridad" estará cada vez con menos fuerza, sin poder nos controlar, otorgándonos total libertad para crecer en paz, ya que los vínculos de intereses son tantos que dependen de nuestro silencio para que ellos puedan permanecer en sus cargos, recibiendo sus salarios, viajes, viaticos y demás privilegios.

Esperando encontrarlo pronto, deseo mucha salud a toda su familia.

De su primo, el virus B.



Carlos Varaldo
Grupo Optimismo







Last updated 19.9.2007