01/10/2010
Finalmente as hepatites ficarão dentro do armário do esquecimento!
Numa atitude inédita o "CDC - Centers for Disease Control and Prevention" dos Estados Unidos acaba de publicar as seis prioridades, chamadas de "
seis batalhas que podem ser vencidas" pela saúde pública. Na lista se encontra a AIDS, a obesidade, o tabagismo, a gravidez nas adolescentes, acidentes com veículos e a infecção hospitalar.
Assombrosamente a maior epidemia da atualidade não se encontra entre as seis principais prioridades. Sociedades médicas e grupos de pacientes de hepatites estão estupefatos com tal atitude. O presidente da NVHR, que reúne 170 ONGs de hepatites considera uma burla tal atitude do CDC, achando que ao tentar ganhar seis batalhas poderão os Estados Unidos perder a guerra da saúde pública em geral. Considera, ainda, que as hepatites B e C foram expulsas dos Centros de Controle de Doenças - CDC.
Pessoalmente considero que a omissão ou exclusão das hepatites B e C da lista de "
batalhas que podem ser vencidas" não é um descuido e sim uma atitude proposital que se encontra respaldada pela Organização Mundial da Saúde - OMS. Na Assembléia Geral da OMS em maio passado, a resolução sobre hepatites foi clara e direita e ao colocar que ações nas hepatites deveriam ser realizadas em função dos recursos existentes, mas que a prioridade nas ações deveriam estar dirigidas a indivíduos co-infectados com AIDS e hepatites. Para bom entendedor é mais que suficiente para compreender que a atitude do CDC segue tal recomendação.
A resolução da OMS sobre hepatites foi um balde de água fria na luta das hepatites, a qual representada pela World Hepatitis Alliance - WHA e, com apoio de alguns países, em especial Brasil, tinham solicitado que a Assembléia Geral da OMS decretasse o dia 19 de maio como o Dia Mundial da Hepatite, propondo ainda algumas das 12 metas que foram discutidas durante dois anos, porém, nem a data sugerida nem nenhuma das metas propostas foi aceita e, somente uma resolução morna e claramente dirigida para atender os pacientes co-infectados com AIDS foi redigida e aprovada.
Alguns grupos de pacientes acham que a World Hepatitis Alliance - WHA, ao não ter defendido as propostas tão largamente discutidas fez uma traição às organizações de pacientes que outorgaram a representação. Não sei se foi exatamente uma traição, mas ter aplaudido a resolução da OMS, sem pelo menos algum questionamento em relação aos mono-infectados, ao estabelecimento de metas e ações ou a mudança da data do Dia Mundial da Hepatite é um fato muito estranho. Acredito que estrategicamente devem ter avaliado que era melhor ficarem calados, aplaudir a resolução capenga e com isso não se indispor com a OMS nem com os patrocinadores da World Hepatitis Alliance, garantindo assim novos aportes de dinheiro.
Concluindo, espero que o que está acontecendo nos Estados Unidos e, também em outros países, sirva como um alerta a todos os que lutam por ações para enfrentar a maior epidemia da historia da humanidade. Pretender esconder dentro do armário uma epidemia que atinge 550 milhões de indivíduos no mundo todo é um ato irresponsável que atenta contra a humanidade, podendo vir a ser considerado um crime de lesa humanidade.
Ou os que lutam por ações para enfrentar as hepatites levantam a voz publicamente dando seu grito de independência, ou a guerra estará perdida.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!