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26/07/2012
Comentários sobre o lançamento da campanha das hepatites do dia 28 de julho
À convite do Gabinete do Ministro da Saúde estive ontem em Brasília participando do lançamento da campanha marca o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, comemorado no sábado (28) que tem como tema "As hepatites podem estar onde você menos espera".
Foi lançado um selo comemorativo dos Correios, o concurso "Arte, prevenção e hepatites para tatuadores e manicures" com o qual os profissionais dessas área podem participar enviando trabalhos criativos de pintura de unhas ou desenho de tatuagens relacionados à prevenção da doença e, também, a campanha contra hepatites estará presente no jogo de futebol Bahia x Corinthians, no domingo (29), às 16h, no Estádio Pituaçu, em Salvador (BA).
Em relação a introdução dos novos medicamentos o ministro anunciou que já está aprovada a incorporação dos inibidores de protease Boceprevir e Telaprevir faltando somente que a CONITEC publique a autorização no Diário Oficial, o que deve acontecer nestes dias. Após a publicação o ministro explicou que em aproximadamente seis meses os novos medicamentos estarão disponíveis para os pacientes do SUS, o que deve acontecer provavelmente em fevereiro de 2013. A estimativa de pacientes que serão beneficiados com os novos medicamentos passou de 2.500 para 5.000, fruto da pressão de 49 ONGs que no dia 17 de julho enviaram Oficio ao ministro reivindicando menos restrições para o novo medicamento.
Assim mesmo, a expectativa, segundo palavras do ministro é que terão direito aos inibidores de proteases somente os pacientes com fibrose avançada ou cirrose atendidos em centros de referencia que possuem equipe completa de tratamento multidisciplinar.
Foi informado que já foram distribuídos 430.000 testes rápidos aos Cotas (isso dá aproximadamente 1.000 testes por centro de testagem) estando previsto distribuir 1,4 milhões até o final do ano, objetivando atender mulheres gravidas durante o pré-natal. Uma campanha por meio de cartazes e um jingle para radio incentivará a testagem e a vacinação para hepatite B.
MEUS COMENTÁRIOS:
É mais um passo na luta para ampliar atendimento e qualquer anuncio deve ser olhado com bons olhos, mas o alcance e os recursos merecem uma critica mais que dura. Vejamos por que:
- O orçamento para a campanha de divulgação é de R$. 2 milhões, quantia insignificante em relação as verbas para as campanhas da AIDS. Continua a hepatite sendo a prima pobre da AIDS no Departamento DST/AIDS/Hepatites.
- Representando as ONGs de hepatites estavam convidados os representantes na CAMS, Kramer e Faustina, sendo Kramer o designado para se pronunciar em nome das ONGs. Na fala ele agradeceu, mas criticou o governo ao explicar que o movimento social realiza já há 10 anos, no mês de maio, campanhas de alerta e conscientização e nesses 10 anos nunca teve qualquer apoio ou participação do Departamento DST/AIDS/Hepatites, cobrando do ministro para que em 2013 o ministério participe do Mês de Conscientização que se realiza sempre em maio.
- A colocação que os novos medicamentos atenderão somente pacientes com elevado dano hepático que se encontram em centros de referencia certamente causará apreensão em pacientes e médicos. Como ficarão pacientes atendidos em hospitais de menor porte, de cidades pequenas do interior ou por médicos particulares? Deverão eles ser transferidos para os grandes centros de referencia? Como isso vai acontecer se os grandes centros já estão lotados de pacientes?
Não é difícil imaginar que certamente todos aqueles que se sentirem excluídos por ter indicação de uso dos novos medicamentos, seja por estarem atendidos em unidades de menor porte ou, ainda, não terem chegado a gravides do caso (elevada fibrose ou cirrose) estarão recorrendo a Justiça para obter tratamento. O mesmo acontecerá com aqueles que debido a seu quadro não é recomendado aguardar por mais seis meses, quando o agravamento da saúde os poderá excluir obter de qualquer beneficio com o tratamento.
Também, considero que 1,4 milhões de testes rapidos é uma quantidade meito pequena para tentar diagnosticar os brasileiros infectados com a mior epidemia da historia brasileira.
Mudando de tema vemos que o descontentamento com o Departamento DST/AIDS/Hepatites não é somente das ONGs de hepatites. As ONGs de AIDS também estão reclamando e denunciando a que ponto chegou a ação do programa. Ver que figuras emblemáticas na AIDS, como Pedro Chequer ou Veriano Terto Júnior cansados de tentar negociar com o Departamento aparecem publicamente, como na entrevista dada ontem ao Jornal o Estado de São Paulo dá para avaliar que a atuação da atual gestão deixa muito a desejar.
Programa de Aids no Brasil enfrenta falhas e precisa ser 'replanejado'
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,programa-de-aids-no-brasil-enfrenta-falhas-e-precisa-ser-replanejado,905231,0.htm
Apesar de ser tido como um modelo de política de saúde pública no exterior, o programa brasileiro de tratamento e prevenção da Aids vive uma fase de declínio e precisa de um "replanejamento", alertam especialistas do setor.
"O programa brasileiro tem que ser revisitado. Deve haver uma reflexão profunda sobre a nova realidade da epidemia do país, e um redesenho das estratégias com vistas ao acesso universal (ao tratamento)", diz Pedro Chequer, coordenador no Brasil do Unaids, o programa da ONU contra a Aids. "Não podemos ficar na percepção de que o programa caminhou bem e está bem. Temos desafios novos e eles têm de ser enfrentados."
Entre os problemas que vêm sendo apresentados estão falta de médicos, leitos e exames para os pacientes; de medicamentos para tratar doenças causadas pelos antirretrovirais; de recursos para ONGs; bem como episódios de desabastecimento do coquetel em postos de saúde, obrigando os pacientes a interromper o tratamento.
'Desmantelamento'
Para o psicólogo Veriano Terto Júnior, coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), houve um desmantelamento na resposta brasileira à Aids. "As pessoas estão morrendo, as ONGs estão fechando as portas, os hospitais estão terríveis e o governo federal está censurando suas próprias campanhas", afirma.
Sem recursos
No braço carioca do Grupo Pela Vidda, a visita da BBC Brasil durante um encontro de ativistas desencadeia uma sessão de denúncias. Todos soropositivos, eles vêm sofrendo na pele problemas como a falta exames para monitorar a efetividade do tratamento.
Os exames para testar a imunidade e a carga viral devem ser feitos a cada três ou quatro meses, informa o Ministério da Saúde. No Rio, eles dizem conseguir fazer em média uma vez por ano, e muitas vezes têm o tratamento modificado pelo médico "às cegas", sem ter o resultado do exame para guiar a mudança.
Apesar da importância que tiveram na elaboração da resposta nacional à Aids, ONGs como a Abia e a Pela Vidda sobrevivem com dificuldades, e muitas estão fechando as portas.
Os motivos são plenos de contradições. O Brasil cresceu e pulou de categoria: passou de país de baixa e média renda para nação de alta e média renda, e deixou de ser elegível para doações de instituições filantrópicas. Passou de receptor a doador.
Carlos Varaldo
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Carlos Varaldo
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| pessoas morrem por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas mueren en el mundo por culpa de las hepatitis B o C!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos! La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!
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Last updated 26.7.2012