GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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16/01/2008


Acordo para fabricação do Interferon Peguilado


Os jornais de hoje publicam a seguinte notícia:

O governo brasileiro, através da FioCruz, fechou uma parceria de US$ 120 milhões com o governo de Cuba para desenvolver o interferon peguilado - para tratamento de hepatite C, que hoje é produzido por um único laboratório no mundo inteiro. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, essa parceria vai reduzir os gastos com medicamentos do SUS.

Um contrato de licença de patente e transferência de informação técnica do "Interferon alfa 2b"- produto da biotecnologia cubana para o tratamento da hepatite C - também foi assinado.


Aplaudimos e comemoramos a iniciativa já que a peguilação e um processo que pode ser utilizado para aumentar a eficácia terapêutica de muitos outros medicamentos.

A FioCruz possui conhecimento para conseguir a peguilação em laboratório, isso significa que a produção industrial poderá ser possível daqui a poucos anos.

Porém, para que um interferon peguilado fabricado nos laboratórios oficiais possa estar disponível no mercado serão necessários quatro ou cinco anos. Peguilar o interferon alfa (convencional) altera a cinética do medicamento, sendo por tanto considerado um novo medicamento, o qual deverá passar por todas as etapas de um ensaio clinico para assegurar a sua eficácia terapêutica, sua toxicidade e os problemas adversos ou colaterais que possam produzir nos pacientes.

Por ser um imunobiológico não existem testes de bioequivalência como no caso dos medicamentos genéricos, sendo obrigatório o ensaio clinico em seres humanos.

Estou contente pela notícia, porém, faço este alerta para que pacientes, médicos e organizações da sociedade civil não abandonem a luta pelo tratamento das hepatites com interferon peguilado em função da promessa de que no futuro possa se dispor de um interferon peguilado nacional. Durante os próximos cinco anos será necessário que o governo continue a negociar com os dois fabricantes de interferon peguilado pelo aumento da oferta e a redução de preços e não ficar parado aguardando a chegada do medicamento nacional.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo







Last updated 16.1.2008