03/08/2009
Uma reflexão - Tratar as hepatites B e C custa caro?
Segundo estimativa do ministério da saúde a epidemia de hepatite B atinge no Brasil dois milhões de pessoas e, a epidemia de hepatite C entre 3 e 4 milhões de brasileiros. Quando o governo se defronta com números dessa magnitude, dez vezes maiores que a epidemia de HIV/AIDS, é de se imaginar o calafrio que os gestores devem sentir em relação ao dinheiro que deveria ser disponibilizado para tratar os infectados.
Mas enfrentar a epidemia de hepatites deve ser considerado como uma despesa ou como um investimento para evitar despesas ainda maiores? Sociedades médicas e a sociedade civil reivindicam nos últimos dez anos a adoção de medidas de saúde pública, de diagnostico e de medicamentos para enfrentar o grave problema, mas por enquanto as ações são muito pequenas, mínimas, em relação ao tamanho. Por exemplo, segundo dados oficiais pelas notificações de diagnostico confirmadas, somente 5% dos infectados com hepatite B foram diagnosticados e na hepatite C o número de diagnosticados e de somente 3%, dessa forma existem aproximadamente 5,3 milhões de brasileiros doentes, perdendo de forma lenta e silenciosa a saúde, mas que por falta de diagnostico desconhecem sua condição.
Os dados indicam que estamos sentados acima de uma "bomba viral" com o pavio acesso a qual necessita de forma urgente, una ação emergencial para evitar a explosão definitiva. As hepatites atuam lenta e silenciosamente, mas de cada quatro infectados, se não diagnosticados, um estará perdendo 17 anos de expectativa de vida, morrendo aproximadamente aos 56 anos de idade por causa de cirrose ou câncer no fígado. Nesses casos somente um transplante de fígado outorga sobrevida ao paciente, mas se trata de um procedimento caro e de muita pouca oferta.
O custo do governo para prevenir, diagnosticar e se necessário tratamento em relação às hepatites é estimado nos seguintes valores: (valores pagos pelo governo, sem relação ao preço comercial encontrado em farmácias ou hospitais particulares)
- Teste de sangue para diagnosticar a hepatite B, R$. 25.00.
- Vacinação para prevenção da hepatite B, R$. 30,00 (as três doses necessárias).
- Imunoglobulina para prevenir a hepatite B em crianças de mães infectadas, R$. 400,00.
- Tratamento da hepatite B, incluindo medicamentos e exames, por ano, R$. 4.500,00 por paciente.
- Teste de sangue para diagnosticar a hepatite C, R$. 25.00.
- Teste confirmatório no diagnostico da hepatite C, R$. 200,00.
- Tratamento da hepatite C, R$. 20.000,00, com aproximadamente 60% de pacientes curados.
O custo relativo do tratamento das complicações de pacientes não diagnosticados precocemente leva a custos enormes:
- Custo do transplante de fígado, R$. 60.000,00.
- Acompanhamento do paciente transplantado, R$. 20.000,00 por ano.
- Custo das complicações da cirrose, R$. 35.000,00 por paciente.
- Sem intervenções na detecção dos infectados, 1,3 milhões de brasileiros estarão perdendo 17 anos de expectativa de vida, resultando em vinte e dois milhões de anos de vida produtiva, os quais se calculados somente pelo salário mínimo representa nas próximas duas ou três décadas uma perda de 10 bilhões de reais.
Os dados acima são estimativos, mas não por isso devem ser desprezados pelos gestores da saúde, devendo ser considerados como um alerta sobre o alto custo que poderemos ter que enfrentar caso não sejam realizadas ações efetivas que resultem em recursos suficientes para enfrentar a epidemia das hepatites, tal qual acontece com a epidemia de HIV/AIDS.
Para comparar o comprometimento do ministério da saúde a titulo de comparação entre as epidemias, o orçamento destinado a HIV/AIDS reserva em 2009, R$. 3.800,00 para cada um dos 600.000 infectados, já no caso dos aproximadamente 5,5 milhões de infectados pelas hepatites B e C o orçamento do ministério da saúde reserva R$. 62,00 para cada infectado. A importância da epidemia de hepatites consegue receber uma importância de somente 1,6% das atenções destinadas à epidemia de HIV/AIDS.
A pretensa economia que os atuais gestores pensam estar realizando resultará em despesas insuportáveis num futuro a curto prazo, sem considerar que o não enfrentamento da epidemia por parte das atuais autoridades da saúde poderá os responsabilizar criminalmente por omissão, conforme o Artigo 132 do Código Penal, que condena criminalmente quem "EXPOR A VIDA OU A SAÚDE DE OUTREM A PERIGO IMINENTE". Não diagnosticar e não oferecer atenção médica a quem realmente necessita enquadra o responsável no Artigo 132 do Código Penal.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!