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13/07/2012
Duas epidemias - Dois compromissos diferentes na gestão pública
Não é incomum algum infectado desesperado nos procurar informando que recebeu de um profissional de medicina a indicação para não tratar a hepatite C, já que no seu caso a possibilidade de cura é muito baixa. Não sei se o dito "profissional" falou por desconhecer as atuais opções terapêuticas ou por falta de humanidade com os pacientes, mas seja qual for o motivo quando alguém me fala que recebeu tal recomendação a minha reação é de raiva, frustação e desespero ante tal insensibilidade humana.
Realmente existem indivíduos nos quais as possibilidades de cura são inferiores a média geral. Entre esses pacientes se incluem os de pele negra, os obesos, os cirróticos, os idosos e os co-infectados HIV/HCV, entre outros, mas negar tratamento, por menor que seja a possibilidade de cura faz desse médico um ser que não cumpre com seu juramento quando da formação na faculdade. Onde ficou o juramento de fazer o melhor pela saúde do paciente? Onde ficou o juramento de nunca fazer mal ao paciente?
O infectado com hepatite C que na concepção do médico não deveria receber indicação de tratamento porque a possibilidade de cura é, por exemplo, de somente 10% sendo, ainda, um tratamento muito caro para o governo, estará condenando o paciente a uma progressão continua na destruição do fígado, o levando a cirrose, ao câncer e morrendo no estagio final da doença como está acontecendo a um ritmo assustador.
Esses míseros 10% que na opinião do médico é pouca coisa representa uma possibilidade de 100% de cura para o paciente que consegue sucesso com o tratamento, colocando tal paciente como mais um vencedor na luta contra a hepatite C.
Ainda, a cura da hepatite C é associada a regressão dos danos causados no fígado e a uma redução no risco de cirrose e câncer no fígado. O médico que não indica tratamento a esses pacientes de baixa resposta está fazendo um terrível mal, condenando um ser humano a morte e, também, contribuindo a disseminar a hepatite C, porque os reservatórios humanos do vírus continuarão sem tratamento e, portanto com a possiblidade de transmitir a infecção a outras pessoas.
Aqui é interessante explicar algumas semelhanças e diferenças que existem na visão dos responsáveis no governo pelo controle das duas epidemias entre a forma de cuidar da epidemia de AIDS e a de hepatite C, que ironicamente se encontram no mesmo departamento. Tal comportamento desses gestores é que leva alguns médicos a equivocadamente não indicar tratamento em grande número de pacientes, conforme acima colocado.
1 - A AIDS é uma doença que lamentavelmente não tem cura, já a hepatite C com os tratamentos atualmente disponíveis consegue a cura definitiva de mais de 70% dos infectados.
2 - A AIDS tem tratamento continuo e permanente, devendo ser feito durante toda a vida do infectado, já a hepatite C possui um tratamento por um curto período determinado, de 24 ou 48 semanas somente.
3 - Nas duas doenças é amplamente conhecido que o tratamento deve ser iniciado nas fases precoces da infecção, quando as possibilidades de sucesso com os tratamentos são muito superiores, lamentavelmente na hepatite C pela portaria de tratamento no SUS o paciente deve esperar piorar seu quadro clínico e somente recebe tratamento gratuito quando chegar a uma fibrose F2, ignorando que com maior fibrose e maior idade a possibilidade de cura chega a ser até 50% inferior.
4 - Historicamente a AIDS é tratada por infectologistas, já a hepatite C tradicionalmente é tratada por hepatologistas. Tal divisão surge da alegação que na hepatite C é necessária a biopsia do fígado para avaliar o quadro clínico e a necessidade de tratamento, uma ideia que se originou quando a possibilidade de cura era pequena. Mas hoje em dia, com taxas de resposta superiores a 70% e com métodos não invasivos para estimar o dano hepático tal conceito já deveria ter caído por terra. Todos, hepatologistas, infectologistas e gastroenterologistas hoje estão capacitados para tratar a hepatite C. A biopsia já deveria ter deixado de ser um requisito obrigatório para tratar hepatite C no SUS.
5 - Na AIDS todos os infectados que necessitam tratamento recebem os medicamentos, com isso se evita o aparecimento de comorbidades. Na hepatite C o protocolo de tratamento indica que o paciente deve piorar para receber os medicamentos, quando então diversas comorbidades já se fazem presentes e profissionais de outras patologias deverão ser procurados para atender as mais diversas doenças. Isso tem alguma lógica?
Não custa perguntar quanto custa tratar as doenças que a hepatite C não tratada pode desencadear, entre elas a cirrose, o câncer no fígado, as varizes no esôfago, a vasculite, as doenças auto-imunes, a glomerulonefrite, as poliartites, a crioglobulinemia, a porfíria cutânea tardia ou a Síndrome de Sjögren.
Seguir na hepatite C o procedimento que fez do Brasil um exemplo mundial, diagnosticando de forma universal os infectados com HIV, estaria oferecendo tratamento precoce na hepatite C, o qual é o preferido mundialmente uma vez que a taxa de cura é muito superior, evitando num futuro próximo sobrecarregar o sistema de saúde com os graves problemas que provoca nos indivíduos não tratados. Também, conseguindo reduzir as taxas de mortalidade por problemas hepáticos e por causas gerais, originadas pelas comorbidades.
EM TEMPO: Faltou explicar no artigo que o correto por parte do profissional seria explicar detalhadamente ao paciente porque o tratamento não é indicado no seu caso, não simplesmente negar o tratamento sem maiores explicações.
Carlos Varaldo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM
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| pessoas morrem por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas mueren en el mundo por culpa de las hepatitis B o C!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos! La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!
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13/07/2012
Dos epidemias - Dos compromisos diferentes en la gestión pública
No es infrecuente algún infectado desesperado nos informa que recibió de un profesional de medicina la indicación para no tratar la hepatitis C, ya que en su caso la posibilidad de cura es muy baja. No sé si el dicho "profesional" dijo por desconocer las actuales opciones terapéuticas o por falta de humanidad con los pacientes, pero sea cual sea el motivo cuando alguien me dice que recibió tal recomendación mi reacción es de ira, frustración y desesperación ante tal insensibilidad humana.
Realmente existen individuos en los cuales las posibilidades de cura son inferiores a la media general. Entre esos pacientes se incluyen los de piel negra, los obesos, los cirróticos, los de mayor edad y los co-infectados HIV/HCV, entre otros, pero negar tratamiento, por menor que sea la posibilidad de cura hace de ése médico un ser que no cumple con su juramento cuando de la formación en la facultad. ¿Dónde quedo el juramento de hacer lo mejor por la salud del paciente? ¿Dónde quedo el juramento de nunca hacer mal al paciente?
El infectado con hepatitis C que en la concepción del médico no debería recibir indicación de tratamiento porque la posibilidad de cura es, por ejemplo, de solamente 10% siendo, aún, un tratamiento muy caro para el gobierno, estará condenando el paciente a una progresión continúa en la destrucción del hígado, llevándolo a la cirrosis, al cáncer y muriendo en el estadio final de la enfermedad como está aconteciendo a un ritmo asustador.
Esos míseros 10% que en la opinión del médico es poca cosa representa una posibilidad del 100% de cura para el paciente que consigue suceso con el tratamiento, colocando tal paciente como más un vencedor en la lucha contra la hepatitis C.
Todavía, la cura de la hepatitis C es asociada a la regresión de los daños causados en el hígado y a una reducción en el riesgo de cirrosis y cáncer en el hígado. El médico que no indica tratamiento a esos pacientes de baja respuesta está haciendo un terrible mal, condenando un ser humano a muerte y, también, contribuyendo a diseminar la hepatitis C, porque los reservatorios humanos del virus continuarán sin tratamiento y, por tanto con a posibilidad de transmitir la infección a otras personas.
Aquí es interesante explicar algunas semejanzas y diferencias que existen en la visión de los responsables en el gobierno por el control de las dos epidemias entre la forma de cuidar de la epidemia de SIDA y la de hepatitis C. Tal comportamiento de ésos gestores es que lleva algunos médicos a equivocadamente no indicar tratamiento en un gran número de pacientes, conforme arriba puesto.
1 - El SIDA es una enfermedad que lamentablemente no tiene cura, ya la hepatitis C con los tratamientos actualmente disponibles consigue la cura definitiva de más del 70% de los infectados.
2 - El SIDA tiene tratamiento continuo y permanente, debiendo ser realizado durante todo la vida del infectado, ya la hepatitis C posee un tratamiento por un corto período determinado, de 24 ó 48 semanas solamente.
3 - En las dos enfermedades es ampliamente conocido que el tratamiento debe ser iniciado en las fases precoces de la infección, cuando las posibilidades de suceso con los tratamientos son muy superiores, lamentablemente en la hepatitis C el paciente debe esperar empeorar su cuadro clínico y solamente recibe tratamiento gratuito cuando llegue a una fibrosis F2, ignorando que con mayor fibrosis y mayor edad la posibilidad de cura llega a ser hasta 50% inferior.
4 - Históricamente el SIDA es tratada por infectólogos, ya la hepatitis C tradicionalmente es tratada por hepatólogos. Tal división surge de la alegación que en la hepatitis C es necesaria una biopsia del hígado para evaluar el cuadro clínico y la necesidad de tratamiento, una idea que se originó cuando la posibilidad de cura era pequeña. Pero hoy día, con tasas de respuesta superiores a 70% y con métodos no invasivos para estimar el daño hepático tal concepto ya debería haber caído por tierra. Todos, hepatólogos, infectólogos y gastroenterólogos hoy están capacitados para tratar la hepatitis C. La biopsia ya debería haber dejado de ser un requisito obligatorio para tratar hepatitis C en el SUS.
5 - En el SIDA todos los infectados que necesitan tratamiento reciben los medicamentos, con eso se evita el aparecimiento de comorbidades. En la hepatitis C algunos consensos de tratamiento indican que lo paciente debe empeorar para recibir los medicamentos, cuando entonces diversas comorbidades ya se hacen presentes y profesionales de otras patologías deberán ser procurados para atender las más diversas enfermedades. ¿Eso tiene alguna lógica?
No cuesta preguntar cuánto cuesta tratar las enfermedades que la hepatitis C no tratada puede desencadenar, entre ellas la cirrosis, el cáncer en el hígado, las varices en el esófago, la vasculitis, las enfermedades auto-inmunes, la glomerulonefrite, las poliartitis, la crioglobulinemia, la porfíria cutánea tardía o el Síndrome de Sjögren.
Seguir en la hepatitis C el procedimiento de diagnosticar de forma universal los infectados con HIV, estaría ofreciendo tratamiento precoz en la hepatitis C, procedimiento que es el preferido mundialmente una vez que la tasa de cura es muy superior, evitando en un futuro próximo sobrecargar el sistema de salud con los graves problemas que provoca en los individuos no tratados. También, consiguiendo reducir las tasas de mortalidad por problemas hepáticos y a causas generales, originadas por las comorbidades.
EN TIEMPO: Faltó explicar en el artículo que lo correcto por parte del profesional sería explicar con detalles al paciente porque el tratamiento no es indicado en su caso, no simplemente negar el tratamiento sin mayores explicaciones.
Carlos Varaldo
Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
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