20/06/2007
Fapesp suspende verba para projeto sobre ecstasy - Mais um escândalo com folhetos sobre drogas
Agência Estado
A Fapesp, órgão do governo de São Paulo de financiamento de estudos científicos, suspendeu hoje a liberação de verbas para o projeto de uma pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) que incluía a distribuição de folhetos a consumidores de ecstasy, uma droga ilegal. Esses folhetos dão dicas de como reduzir os riscos do consumo da droga - uma delas é tomar metade da dose, esperar os efeitos e só depois decidir se toma ou não a outra metade.
A Fapesp decidirá se libera ou não as verbas após investigar "as graves denúncias veiculadas pela imprensa".
O trabalho em questão utiliza uma estratégia da saúde pública que tenta reduzir os danos à saúde decorrentes de práticas de risco, como o uso de drogas. Já que sempre haverá pessoas adotando essas práticas, mesmo que ilegais, a idéia é que os males sejam pelo menos minimizados. É a chamada redução de danos. Sua forma mais conhecida é a distribuição de seringas descartáveis entre usuários de drogas injetáveis, como forma de impedir a disseminação de doenças como a AIDS e a hepatite C.
Essa abordagem é polêmica. Existem pessoas que vêem nela um incentivo a práticas de risco e ilegais. Nas últimas semanas, duas iniciativas semelhantes à da USP ganharam os noticiários após terem sido contestadas - uma envolvendo drogas e outra, o aborto.
MEU COMENTÁRIO:
Mais um exemplo da falta de controle pelo ministério da saúde. São dadas as verbas e acontecem casos como o que denunciamos na semana passada. Neste caso do ecstasy, tal qual nos folhetos sobre uso de drogas da Parada Gay de São Paulo, e ensinado como usar drogas, mas em nenhum momento se alerta sobre o perigo a saúde que o uso de drogas representa.
É curioso que o ministério da saúde para reduzir danos obriga que toda propaganda de cigarros ou bebidas faça a advertência de ser prejudicial à saúde, mas em relação a drogas ela não é obrigatória.
Ainda somos obrigados a escutar, como foi colocado na TV no Jornal da BAND da sexta-feira passada pela coordenadora do PNHV que a contaminação da hepatite C pelos usuários de drogas e culpa deles, porque não seguem os conselhos sobre o não compartilhamento de seringas.
Todos sabem, inclusive no ministério, que a hepatite C continua se disseminando entre os usuários de drogas, mas eles insistem em continuar tudo igual e simplesmente culpar o usuário. Não aceitam sequer discutir que a forma como esta sendo realizada a educação na redução de danos nos usuários de drogas já se comprovou totalmente errada, mas insistem no erro sem querer fazer as modificações necessárias, as quais são urgentíssimas.
É pensar que a solução e fácil e rápida de ser implementada. Se o problema e o compartilhamento das seringas, então que sejam distribuídas seringas que não podem ser reutilizadas, que só comportam uma utilização. Elas existem no mercado e acabam com o compartilhamento e com a transmissão de doenças entre os usuários de drogas.
A solução se encontra disponível. Falta só vontade de colocá-la em pratica.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo