GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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Rio de Janeiro - RJ - Brasil
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21/07/2008


Entendendo o escândalo das ONGs no Rio de Janeiro


É manchete nos jornais o desvio dos cofres da secretaria estadual da saúde do Rio de Janeiro de aproximadamente R$. 70 milhões durante a gestão anterior, o que levou ontem 12 pessoas à cadeia, entre elas dois ex-secretários de estado. A operação Pecado Capital cumpriu 14 mandados de prisão, expedidos depois de investigação, que dura dois anos, sobre o envolvimento de ONGs que assinaram convênios com o estado.

O eixo central do esquema estava, segundo os promotores, na distribuição de R$ 234,4 milhões recebidos pela Pro-Cefet para o Projeto Filipenses e para a ONG Alternativa Social, que repassava o valor a 138 "microONGs".

Gilson Cantarino, ex-secretário de Saúde, e Marco Antônio Lucidi, ex-secretário de Trabalho, além da ex-deputada federal Alcione Athayde, prima de Garotinho e ex-subsecretária de Saúde do estado, estão entre os 12 presos.

Devemos lembrar que durante os anos dessa gestão os infectados com as hepatites do Rio de Janeiro sofreram com a falta continua de medicamentos e exames. O dinheiro era desviado e os que necessitavam de medicamentos eram incentivados pelo próprio programa estadual de hepatites a recorrer a justiça, assim, ao chegar a Liminar podiam comprar sem licitação e sem controle do tribunal de contas sobre o valor pago.

Mas devemos parar e pensar do por que dessa incrível proliferação de ONGs, muitas picaretas, que existem no âmbito da saúde.

Aos gestores interessam a existência desse tipo de ONG, pois oferecendo desde uma passagem e um hotel para uma reunião ou evento ou algum convênio de cooperação serão essas ONGs que estarão batendo palmas nos eventos organizados pelo governo. Estarão também aprovando o que o gestor quiser nos conselhos de saúde ou nas comissões formadas pela manipulação na indicação de "representantes" de interesse do gestor.

Confesso que ando bastante desiludido com algumas ONGs existentes no movimento social onde fica difícil separar o joio do trigo. Espero que na luta pelas hepatites não seja necessário chegar ao ponto de ter que optar entre ficar com o grupo daquelas ONGs e associações de portadores que tem como objetivo conviver com a hepatite, e rejeitar ficar perto das que o interesse evidente e viver da hepatite. Lamento a existência dessas ONGs, pois o único prejudicado e o doente.

O Grupo Otimismo disponibiliza anualmente seu balanço na internet declarando suas fontes de financiamento. Na prestação de contas do movimento do Dia Mundial da Hepatite também estão citadas as fontes de financiamento. Não atuamos com transparência por obrigação e, sim, por respeito a nossos associados e a aqueles que colaboram voluntariamente para nossas atividades.

Afortunadamente o esquema existente no Rio de Janeiro foi denunciado pelo Ministério Público. Bom seria se todos os convênios com ONGs fossem fiscalizados no Brasil.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo







Last updated 20.7.2008