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09/03/2009


É prudente ficar doente no final de semana?


Um estudo publicado em "Clinical Gastroenterology and Hepatology" conclui que pacientes com hemorragia gastrointestinal que procuram um hospital durante o final de semana possuem maior probabilidade de falecer que aqueles em que a hemorragia acontece durante a semana.

O resultado do estudo, coordenado pelo Dr. Ashwin N. Ananthakrishnan do Colégio Médico de Wisconsin nos Estados Unidos, mostra que entre os pacientes que ingressam durante o final de semana a endoscopia nas primeiras 24 horas após a internação e realizada 36% menos que nos pacientes que ingressam durante a semana e, que o índice de óbitos e 22% maior nesses pacientes, representando uma morte adicional a cada 143 pacientes que procuram um hospital por causa das hemorragias gastrointestinal.

Outro estudo publicado na mesma revista mostra que as pessoas com hemorragia gastrointestinal relacionada com ulceras que procuram o hospital no final de semana apresentavam uma taxa de mortalidade de 3,4%, contra uma taxa de mortalidade de 3,1% dos pacientes atendidos durante a semana.

A situação relatada nesses estudos sobre o atendimento nos hospitais dos Estados Unidos durante os finais de semana não é muito diferente daquela que acontece em outros países. É conhecido que todo ser humano necessita dispor do final de semana para descansar e dar atenção a sua família, assim, médicos também tem esse direito.

Mas um hospital não pode parar e por tanto alguém tem que ficar de plantão para atender as emergências que se apresentam todos os dias, inclusive nos finais de semana, mas serão os médicos mais experientes que ficam ou serão os mais novos, em inicio de carreira?

Vivi pessoalmente uma situação semelhante na sábado da semana santa de 2002 quando às 10.00 da noite recebi um telefonema da equipe de transplante do Hospital do Fundão (UFRJ) informando que uma família queria doar os órgãos de um familiar com morte encefálica e o hospital (particular pertencente a um plano de saúde) não permitia a entrada das equipes médicas para retirar os órgãos.

Imediatamente me dirigi ao hospital sendo informado pela recepcionista que alguém deveria ficar responsável pela despesa com a sala cirúrgica para retirada dos órgãos. Solicitei falar com o médico responsável pela UTI o qual também era um jovem recém formado e tal qual a recepcionista desconhecia a legislação, já que desde o momento que uma família deseja doar os órgãos toda à despesa necessária para manter o doador e a retirada dos órgãos passa a ser automaticamente responsabilidade do SUS.

Liguei para a equipe de transplante e fui informado que ainda teríamos algumas horas para realizar a retirada sem comprometer os órgãos. Procurei então a delegacia de policia para solicitar a força policial e poder entrar com as equipes no hospital, mas ao igual que no hospital somente se encontrava delegados jovens, recém formados, pois o delegado titular, tal quais os médicos experientes se encontrava passando o final de semana no seu sitio na serra.

O problema se repetia e o delegado não sabia como poderia atuar, pois alegava que somente estaria caracterizada a omissão de socorro caso os órgãos fossem perdidos.

Ao me deparar com barreiras difíceis de superar no hospital e na delegacia tive a idéia de procurar a imprensa. Liguei então para a TV Globo, mas surpresa, lá também o pessoal da reportagem estava de folga já que no domingo não existem telejornais. Somente um repórter se encontrava, mas estava cobrindo um acidente muito longe e não daria tempo para chegar. Avisaram-me que somente existia um câmera. Prometi então exclusividade da notícia e enviaram o tal câmera.

Quando falei para o delegado que a TV Globo estava indo ao local tudo mudou e por passe de mágica entramos com o delegado numa patrulha e chegamos à porta do hospital com a sirene ligada, junto com o carro da TV Globo. As portas do hospital se abriram imediatamente e as equipes retiraram os órgãos os quais foram transplantados.

O destino fez com que o fígado fosse transplantado com total sucesso em um amigo meu que se encontrava a beira da morte, o Geraldo Jordão Pereira, o qual viveu por mais seis anos e viu nascer e crescer seus netos como ele desejava.

Moral da historia:

Não somente na medicina, como também na policia, entre os jornalistas e acredito que assim seja em todas as profissões e instituições não é muito prudente procurar auxilio nos finais de semana, já que os melhores profissionais, tal qual Jesus Cristo que descansou no sétimo dia, tem também o direito do descanso com sua família.

Contei a historinha pela qual passei para que os médicos não sejam mal interpretados ou condenados com um julgamento precipitado. A profissão medica e uma profissão a mais, igual que muitas outras e como tal não e falta de ética ou de descanso que esses profissionais descansem nos finais de semana, deixando como e de praxe um plantão que possa atender quem procura um hospital durante o final de semana.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
- Clinical Gastroenterology and Hepatology - Volume 7, Issue 3, Pages 296-302.e1 (March 2009) - Outcomes of Weekend Admissions for Upper Gastrointestinal Hemorrhage: A Nationwide Analysis - Ashwin N. Ananthakrishnan, Emily L. McGinley, Kia Saeian
- Clinical Gastroenterology and Hepatology - Volume 7, Issue 3, Pages 303-310 (March 2009) - Weekend Versus Weekday Admission and Mortality From Gastrointestinal Hemorrhage Caused by Peptic Ulcer Disease - Abdel Aziz M. Shaheen, Gilaad G. Kaplan, Robert P. Myers


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo


Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.

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09/03/2009


¿Es prudente se enfermar durante el final de semana?


Un estudio publicado en "Clinical Gastroenterology and Hepatology" concluye que pacientes con hemorragia gastrointestinal que procuran un hospital durante el final de semana poseen mayor probabilidad de fallecer que aquéllos en que la hemorragia acontece durante la semana.

El resultado del estudio, coordinado por el Dr. Ashwin N. Ananthakrishnan del Colegio Médico de Wisconsin en Estados Unidos, muestra que entre los pacientes que ingresan durante el final de semana la endoscopia en las primeras 24 horas después de la internación es realizada 36% menos que en los pacientes que ingresan durante la semana y, que el índice de óbitos es 22% mayor en esos pacientes, representando una muerte adicional a cada 143 pacientes que procuran un hospital a causa de las hemorragias gastrointestinal.

Otro estudio publicado en la misma revista muestra que las personas con hemorragia gastrointestinal relacionada con ulceras que procuran el hospital al final de semana presentaban una tasa de mortalidad del 3,4%, contra una tasa de mortalidad del 3,1% de los pacientes atendidos durante la semana.

La situación relatada en esos estudios sobre el servicio en los hospitales de Estados Unidos durante los finales de semana no es muy diferente de aquélla que pasa en otros países. Es conocido que todo ser humano necesita disponer del final de semana para descansar y dar atención a su familia, así, médicos también tiene ese derecho.

Pero un hospital no puede parar y por tanto alguien tiene que se quedar en plantón para atender las emergencias qué se presentan todos los días, incluso en los finales de semana, ¿pero serán los médicos más experimentados qué se quedan o serán los más nuevos, en inicio de carrera?

Viví personalmente una situación semejante el sábado de la semana santa de 2002 cuando a las 10.00 de la noche recibí una llamada telefónica del equipo de trasplante del Hospital Federal Universitario de Rio de Janeiro me informando que una familia quería donar los órganos de un familiar con muerte encefálica y el hospital (particular perteneciente a un plano privado de salud) no permitía la entrada de las equipes médicas para retirar los órganos.

Inmediatamente me dirigí al hospital siendo informado por la recepcionista que alguien deber quedar responsable por el valor con la sala quirúrgica para retirada de los órganos. Solicité hablar con el médico responsable por la UTI el cual también era un joven recién formado y tal cual la recepcionista desconocía la legislación, ya que desde el momento que una familia desea donar los órganos todo el gasto necesario para mantener el donador y la retirada de los órganos pasa a ser automáticamente responsabilidad del sistema público de salud.

Llamé para el equipo de trasplante y fui informado que todavía tendríamos algunas horas para realizar la retirada sin comprometer los órganos. Procuré entonces la comisaría de policía para solicitar la fuerza policial y poder entrar con las equipes en el hospital, pero al igual que en el hospital solamente se encontraban comisarios jóvenes, recién graduados, pues el comisario titular, tal cuales los médicos experimentados se encontraba pasando el final de semana en su sitio en la montaña.

El problema se repetía y el comisario no sabía como podría proceder, pues alegaba que solamente estaría caracterizada la omisión de socorro caso los órganos fuesen perdidos.

Al me encontrar con barreras difíciles de superar en el hospital y en la comisaría tuve la idea de procurar la prensa. Llamé entonces para el principal canal de televisión, pero sorpresa, allá también el personal de reportaje estaba de descanso ya que en el domingo no existen telediarios. Solamente un reportero se encontraba, pero estaba cubriendo un accidente muy lejos y no daría tiempo para llegar. Me avisaron que solamente existía un cámara-men. Prometí entonces exclusividad de la noticia y enviaron el tal cámara.

Cuando dije para el comisario que la TV estaba yendo al local todo se transformó y por pase de mágica entramos con el comisario en una patrulla y llegamos a la puerta del hospital con la sirena encendida, juntamente con el coche de la TV. Las puertas del hospital se abrieron inmediatamente y las equipes retiraron los órganos que fueron trasplantados.

El destino hizo que el hígado fuese trasplantado con total suceso en un amigo mío que se encontraba al margen de la muerte, Geraldo Jordán Pereira, el cual vivió por más seis años y vio nacer y crecer sus nietos como él deseaba.

Moraleja de la historia:

No solamente en la medicina, como también en la policía, entre los periodistas y creo que así sea en todas las profesiones e instituciones no es muy prudente procurar auxilio en los finales de semana, ya que los mejores profesionales, tal cual Jesús Cristo que descansó en el séptimo día, tiene también el derecho del descanso con su familia.

Conté a historia por la cual pasé para que los médicos no sean mal interpretados o condenados con un juicio precipitado. La profesión medica es una profesión a más, igual que muchas otras y como tal no es falta de ética o de imprudencia que esos profesionales descansen en los finales de semana, dejando como es de práctica un plantón que pueda atender quien busca un hospital durante el final de semana.

Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente:
- Clinical Gastroenterology and Hepatology - Volume 7, Issue 3, Pages 296-302.e1 (March 2009) - Outcomes of Weekend Admissions for Upper Gastrointestinal Hemorrhage: A Nationwide Analysis - Ashwin N. Ananthakrishnan, Emily L. McGinley, Kia Saeian
- Clinical Gastroenterology and Hepatology - Volume 7, Issue 3, Pages 303-310 (March 2009) - Weekend Versus Weekday Admission and Mortality From Gastrointestinal Hemorrhage Caused by Peptic Ulcer Disease - Abdel Aziz M. Shaheen, Gilaad G. Kaplan, Robert P. Myers


Carlos Varaldo
Grupo Optimismo


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Last updated 6.3.2009