01/12/2008
Matéria do jornal Correio Braziliense, publicada em 24/11/2009 com destaque na página 13 (inclusive com uma charge) como opinião pessoal.
O objetivo dessa matéria e tornar público o grave problema que representa a hepatite C no Brasil e a necessidade urgente de atualizar a portaria de tratamento, incluindo nela TODOS os medicamentos aprovados para tratamento pela ANVISA, deixando ao médico a escolha certa para cada paciente.
A demora na atualização da portaria com a insistência de continuar tratando com Lamivudina sem realizar testes de carga viral está gerando um vírus super resistente. Pacientes que desenvolveram essa resistência ou aqueles que venham ser infectados por esses pacientes praticamente não terão resposta com nenhum outro medicamento existente, condenados a não conseguir tratamento.
Cabe aos responsáveis no ministério da saúde atender imediatamente a ordem dada pelo ministro após audiência com os parlamentares e publicar quanto antes à nova portaria.
O Grupo Otimismo pratica dessa forma o Controle Social, assim, tornar público um problema de saúde consegue sensibilizar e gerar opinião positiva nos meios de decisão. Esse é um dos princípios do "advocacy" pelo qual guiamos nossa forma de atuação em defesa dos infectados.
A EPIDEMIA DO FUTURO E O FUTURO DA EPIDEMIA
Carlos Varaldo *
Temos um grave problema de saúde pública por um mal que assola de forma crônica 350 milhões de pessoas no mundo, dois milhões de brasileiros segundo a Organização Mundial de Saúde: a Hepatite B. A doença já virou epidemia e se alastra com uma rapidez impressionante, sendo considerada atualmente uma das maiores viremias crônicas da humanidade. Seus números se tornaram tão expressivos quanto o desconhecimento em relação à doença, pois a maioria das pessoas nem sabe que está infectada.
Assim como o HIV/AIDS, a Hepatite B é uma doença sexualmente transmissível, entretanto, seu vírus chega a ser cem vezes mais infeccioso do que o da AIDS e o número de infectados no mundo oito vezes maior em relação à AIDS. A falta de conhecimento sobre a Hepatite B e o aparente desinteresse das autoridades em relação à doença resultam em dados alarmantes: apenas um em cada 800 infectados recebe tratamento no Brasil pelo SUS, enquanto a relação para o HIV é de um em cada três infectados.
Por isso, todos os anos, pessoas morrem em função do comprometimento do fígado causado pelo vírus da Hepatite B, essa doença silenciosa que pode levar a quadros crônicos, ao desenvolvimento de cirrose ou câncer. A doença é definida como uma inflamação do fígado causada pela infecção com Vírus da Hepatite B (HBV), cujo material genético é constituído por DNA.
A boa notícia é que os avanços da medicina e das pesquisas científicas têm proporcionado um verdadeiro arsenal de medicamentos aprovados no Brasil pela ANVISA para o tratamento da Hepatite B, possibilitando o controle efetivo dos pacientes e evitando a progressão da doença a um custo relativamente baixo, menor que o tratamento da AIDS. No entanto, inexplicavelmente, esses medicamentos não são fornecidos pelo SUS para tratamento dos pacientes que dependem do sistema público.
O protocolo que regula o tratamento da Hepatite B no SUS é do ano 2002, portanto baseado em estudos até 2001 e defasado de todas as últimas inovações científicas. Em novembro, o protocolo completou seis anos com a utilização dos medicamentos disponíveis naquela época, ou seja, no final do século passado. Desde o último protocolo, novos medicamentos revolucionaram a resposta terapêutica para a doença, apresentando excelentes resultados, infelizmente indisponíveis na rede pública, que ainda conta basicamente com a Lamivudina, um medicamento mais antigo, que gera resistência viral em 70% dos pacientes, de acordo com os mais recentes estudos científicos.
Tal como na AIDS, o vírus da Hepatite B é mutante, apresentando a característica de criar resistência aos medicamentos. A detecção desta mutação só é possível por meio do controle trimestral de carga viral. O crescimento desta carga significa que o vírus está criando resistência, sendo fundamental a mudança imediata para outra opção terapêutica. Do contrário, a transmissão da Hepatite B torna-se ainda mais grave, por conta de ser um vírus diferenciado e resistente a diversos medicamentos.
O Brasil passa então à condição de criador de cepas do vírus, ou seja, de disseminador de vírus resistentes às mais recentes opções de medicamentos. Isso significa que o País poderá, num futuro bem próximo, desenvolver e disseminar um tipo de Hepatite B que nenhum medicamento conseguirá controlar. É desalentador observar que a vontade política existente para a epidemia da AIDS não seja a mesma em relação à Hepatite B.
Em comparação com a AIDS, a Hepatite B possui formas de prevenção e tratamento muito mais efetivos. Além da iminente necessidade de alteração do protocolo e disponibilização dos mais modernos medicamentos para a Hepatite B, que conseguem um excelente controle da doença, é preciso que o governo dê mais atenção à disseminação de informações sobre a Hepatite e campanhas de vacinação.
A vacina para evitar a contaminação com a Hepatite B é altamente eficaz e fabricada no Brasil nos laboratórios oficiais a um custo bastante viável, podendo ser encontrada gratuitamente em todos os postos de saúde para pessoas até 19 anos de idade. Entretanto, a cobertura vacinal é muito deficiente devido à inexistência de campanhas nacionais. Percebemos que não há por parte do Ministério da Saúde esforços em divulgar a disponibilidade da vacina, uma situação que não encontra explicação entre os especialistas.
É incompreensível que os programas nacionais ligados à AIDS e à Hepatite B não estejam de alguma maneira conectados, já que as formas de contágio são as mesmas e que o infectologista que trata HIV/AIDS está capacitado a tratar a Hepatite B, motivo pelo qual as duas doenças deveriam estar juntas no mesmo programa de prevenção e tratamento.
Desde a sua criação, em fevereiro de 2002, o Programa Nacional de Hepatites Virais, que é ligado ao Ministério da Saúde, tem por objetivo estabelecer diretrizes no SUS para identificar as hepatites virais. Entre as prioridades deste programa deveria estar a atualização desta lista de medicamentos aos pacientes atendidos pelo SUS. Esta atualização deve contemplar os medicamentos já aprovados pela Anvisa e comercializados no Brasil nos últimos seis anos.
Pior ainda, na página do Ministério da Saúde, na relação de doenças sexualmente transmissíveis do Programa DST/AIDS, são fornecidas informações sobre 15 DSTs, mas a Hepatite B nem sequer é citada. Por que censurar informações sobre a doença à população? Assim como a falta de conhecimento e de vontade política, a epidemia se alastra de forma avassaladora, ganhando o triste status de epidemia do futuro.
* Carlos Varaldo
Presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite
Vice diretor da World Hepatitis Alliance
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 Rio de Janeiro - Brasil
Teléfonos: Rio de Janeiro (005521) 4063.4567 - São Paulo (005511) 3522.3154 (de 11.00 a las 15.00 horas)
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com |
01/12/2008
Materia del diario Correo Braziliense (Brasilia - Brasil), publicada em 24/11/2009 con destaque en la página 13 (incluso con un dibujo de una estatua con los ojos vendados representando el ministerio da la salud) como opinión personal.
El objetivo de esa materia es tornar público el grave problema que representa la hepatitis C en Brasil y la necesidad urgente de actualizar el consenso de tratamiento en el sistema público de salud, incluyendo en ella TODOS los medicamentos aprobados para tratamiento por la agencia reguladora, dejando al médico la elección cierta para cada paciente.
La demora en la actualización del consenso con la insistencia de continuar tratando con Lamivudina sin realizar la prueba de carga viral está generando un virus súper resistente. Pacientes que desarrollaron esa resistencia o aquéllos que vengan a ser infectados por esos pacientes prácticamente no tendrán respuesta con ningún otro medicamento existente, condenados a no conseguir tratamiento.
Cabe a los responsables en el ministerio de la salud atender inmediatamente la orden dada por el ministro después de la audiencia con los parlamentares y publicar cuanto antes las nuevas recomendaciones de tratamiento.
El Grupo Optimismo practica de esa forma el Control Social, así, tornar público un problema de salud logra sensibilizar y generar opinión positiva en medios de decisión. Ése es uno de los principios del "advocacy" por el cual guiamos nuestra forma de actuación en defensa de los infectados.
LA EPIDEMIA DEL FUTURO Y EL FUTURO DE LA EPIDEMIA
Por Carlos Varaldo
Presidente del Grupo Optimismo de Apoyo al Portador de Hepatitis
Vice director de la World Hepatitis Alliance
Vivimos un grave problema de salud pública por un mal que afecta de forma crónica 350 millones de personas en el mundo, dos millones de brasileños según la Organización Mundial de Salud: la Hepatitis B. La enfermedad ya es una epidemia y crece con una rapidez impresionante, siendo considerada actualmente una de las mayores viremias crónicas de la humanidad. Sus números son tan expresivos como el desconocimiento con relación a la enfermedad, pues la mayoría de las personas ni sabe que está infectada.
Así como el HIV/SIDA, la Hepatitis B es una enfermedad sexualmente transmisible, mientras, su virus llega a ser cien veces más infeccioso que el del SIDA y el número de infectados en el mundo es ocho veces mayor con relación al SIDA. La falta de conocimiento sobre la Hepatitis B y el aparente desinterés de las autoridades con relación a la enfermedad resultan en datos alarmantes: apenas uno en cada 800 infectados recibe tratamiento en Brasil por el sistema público de salud, mientras que en relación para el HIV es de uno en tratamiento en cada tres infectados.
Por eso, todos los años, personas mueren en función del comprometimiento del hígado causado por el virus de la Hepatitis B, esa enfermedad silenciosa que puede llevar a cuadros crónicos, al desarrollo de cirrosis o cáncer. La enfermedad es definida como una inflamación del hígado causada por la infección con Virus de la Hepatitis B (HBV), cuyo material genético es constituido por ADN.
La buena noticia es que los avances de la medicina y de las investigaciones científicas han proporcionado un verdadero arsenal de medicamentos aprobados en Brasil por la agencia reguladora de medicamentos, ANVISA, para el tratamiento de la Hepatitis B, posibilitando el control efectivo de los pacientes y evitando la progresión de la enfermedad a un costo relativamente bajo, menor que el tratamiento del SIDA. Sin embargo, inexplicablemente, esos medicamentos no son suministrados en los hospitales para tratamiento de los pacientes que dependen del sistema público.
Las recomendaciones del consenso que regula el tratamiento de la Hepatitis B en el sistema público de salud son del año 2002, por tanto basado en estudios realizados hasta 2001 y desfasado de todas las últimas innovaciones científicas. En noviembre, completó seis años con la utilización de los medicamentos disponibles por aquel entonces, o sea, al final del siglo pasado. Desde las últimas recomendaciones del consenso, nuevos medicamentos revolucionaron la respuesta terapéutica para la enfermedad, presentando excelentes resultados, lamentablemente indisponibles en el sistema público de salud, que todavía cuenta básicamente con la Lamivudina, un medicamento más antiguo, que genera resistencia viral en 70% de los pacientes, de acuerdo con los más recientes estudios científicos.
Tal como en el SIDA, el virus de la Hepatitis B es mutante, presentando la característica de crear resistencia a los medicamentos. La detección de esta mutación solo es posible por medio del control trimestral de carga viral. El crecimiento de esta carga significa que el virus está creando resistencia, siendo fundamental la mudanza inmediata para otra opción terapéutica. De otro modo, la transmisión de la Hepatitis B pasa a ser todavía más grave, a causa de ser un virus diferenciado y resistente a diversos medicamentos.
Brasil pasa entonces a la condición de creador de cepas del virus, o sea, de diseminador de virus resistentes a las más recientes opciones de medicamentos. Eso significa que el País podrá, en un futuro bien próximo, desarrollar y diseminar un tipo de Hepatitis B que ningún medicamento logrará controlar. Es desalentador observar que la voluntad política existente para la epidemia del SIDA no sea la misma con relación a la Hepatitis B.
En comparación con el SIDA, la Hepatitis B posee formas de prevención y tratamiento bien más efectivos. Además de la inminente necesidad de alteración de las recomendaciones de consenso y poder disponer de los más modernos medicamentos para la Hepatitis B, que logran un excelente control de la enfermedad, es preciso que el gobierno dé más atención a la diseminación de informaciones sobre la Hepatitis y campañas de vacunación.
La vacuna para evitar la contaminación con la Hepatitis B es altamente eficaz y fabricada en Brasil en los laboratorios del gobierno a un costo bastante viable, pudiendo ser encontrada gratuitamente en todos los puestos u unidades de salud para personas con hasta 19 años de edad. Pero, el número de individuos vacunados es deficiente debido a la inexistencia de campañas nacionales. Percibimos qué no hay por parte del Ministerio de la Salud esfuerzos en divulgar la disponibilidad de la vacuna, una situación que no encuentra explicación entre los especialistas.
Es incomprensible que los programas nacionales ligados al SIDA y a la Hepatitis B no estén de alguna manera conectados, ya que las formas de contagio son las mismas y que el médico que trata HIV/SIDA está capacitado a tratar la Hepatitis B, motivo por el cual las dos enfermedades deberían estar juntas en el mismo programa de prevención y tratamiento.
Desde su creación, en febrero de 2002, el Programa Nacional de Hepatitis Virales, del Ministerio de la Salud de Brasil, tiene por objetivo establecer directrices en el sistema público de salud para identificar las hepatitis virales. Entre las prioridades de este programa debería estar la actualización de esta lista de medicamentos a los pacientes atendidos en los hospitales públicos. Esta actualización debe contemplar los medicamentos ya aprobados por la agencia del gobierno que regula los medicamentos y comercializados en Brasil en los últimos seis años.
Lamentablemente la página del Ministerio de la Salud de Brasil, en la relación de enfermedades sexualmente trasmisibles del Programa DST/SIDA, son suministradas informaciones sobre 15 DSTs, pero la Hepatitis B ni siquiera es citada. ¿Por qué censurar informaciones sobre la enfermedad a la población? Así como la falta de conocimiento y de voluntad política, la epidemia continúa a avanzar de forma avasalladora, ganando el triste status de epidemia del futuro.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo
Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores das diversas actividades.