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GRUPO OTIMISMO DE APOIO A PORTADORES DE HEPATITE C
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19/09/2005


Este e o relato de uma portadora de hepatite C, que desorientada perante o diagnostico teve a bendita sorte de encontrar um médico compreensivo, humano, que soube a informar corretamente e assim recuperar a auto-estima e confiança na vida.

Desconheço quem e o médico, mas meu querido doutor receba minhas sinceras felicitações pelo seu comportamento brilhante, digno de quem escolheu a medicina por vocação.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo





A Hepatite C e a alma


Dedicado a todas aquelas pessoas que em um determinado momento de suas vidas se vêem surpreendidas por uma doença muito desconhecida e não encontram o caminho adequado para posicionar-se frente a ela.


Era uma vez em um reino muito próximo uma mulher grande, muito cansada e um tanto entristecida, de menina tinha sonhado ser como as princesas dos contos e encontrar ao príncipe ideal para ser muito, mas muito, feliz. Durante sua primeira juventude se preparou com esforço para obtê-lo. Estudou, escutou atentamente aos sábios, pôs seus jovens ouvidos na música, incorporou todos os conhecimentos possíveis, e conseguiu, assim, na juventude ao matrimônio marcado por séculos de costume e tradição. A Rainha mãe esfregava suas mãos com alegria já que o príncipe se apresentava como o elegido para sua jovem menina.

É este poderia ser o final da história, mas OH tristeza! Só era o princípio. Para o que viria ninguém a tinha educado, e foi assim que nossa pobre menina se arrumou como pôde ou como lhe ocorreu, convencendo-se pouco a pouco que todo o carinho e o entusiasmo que colocava para levar adiante sua família, eram suficientes para encontrar a tão sonhada felicidade. Equivocava-se com muita freqüência, mas não se dava conta, seguia e seguia ainda quando se sentia desfalecer. Sua força de vontade era invejável. Até que um dia, compreendendo por fim que esse homem não era o príncipe sonhado nem muito menos, tomou a seus pequenos herdeiros e partiu novamente pela vida nessa incessante busca.

Encontrou-se sozinha e se assustou o bastante, e foi assim que o primeiro homem charmoso que se apresentou, foi desenhado por ela a imagem e semelhança de suas fantasias. Construiu-o perfeito, já que assim o necessitava. Respirou profundo, talvez essa fora a felicidade. E deixou assim transcorrer a vida errando uma e outra vez. Mas não se sentia mal, estava convencida de que brindar-se incondicionalmente a outros era o caminho correto. Carregava-se de trabalho, dormia muito pouco, e não se dava espaço para refletir.

Chegou assim ao final da juventude e foi logo ali que esteve preparada para compreender em que consistia a vida. .O porquê foi nesse momento e não antes que encontrava explicações a suas tantas perguntas sem respostas. O certo é que resolveu viver sozinha, o qual a essa idade era muito difícil, mas o preferiu a estar tão, mas tão mal acompanhada. Mal acompanhada.

Desde sua solidão, analisando seus anos passados compreendeu que não conhecia o amor de mulher. Suas fantasias lhe fizeram acreditar que se, mas agora sabia que nunca o tinha experiente. E chorou lágrimas novas, quase como o de quem um dia descobre que não poderá ser mãe. Era consciente de seu amor de mãe, de avó, de amiga, mas o vazio de ser mulher estava sempre presente.

Acreditou que morreria sem havê-lo conhecido e quando já se resignava a essa realidade ocorreu o milagre trazido da mão do mago Merlín, apareceu o Amor. Entregou-se a ele como fazia sempre com todos, sem limites, mas esta vez dando e recebendo por igual. Aprendeu a rir com a risada da mulher que se sente amada, mas muito mais importante ainda, que podia por fim amar.

Soube assim que a felicidade não tinha idade para apresentar-se, o fazia como o professor que sempre aparece quando o aluno está preparado. E em pleno gozo desta outonal dita, qual cruel maldição da bruxa que não foi convidada ao batismo da princesa, nossa alegre mulher adoeceu. Caiu nas garras da hepatite C, hepatite que a teria acompanhado durante anos, mas que esperou escondida nas sombras da vida para apresentar-se justo quando ela era feliz.

Da mão forte e segurando a mão de um de seus filhos e junto a seu amor, consultou ao melhor médico do reino. Sério, sério, muito profissional, fez-lhe estudos muito importantes e ao finalizá-los falou desta maneira:

"Senhora, seu fígado está doente há muito tempo, um vírus cruel o está atacando, devemos vencê-lo, mas a tarefa não é fácil nem curta, vamos necessitar de todo seu esforço, também o de seu companheiro, filhos, psicóloga, amigos e o de todos aqueles que queiram somar com seu afeto e compreensão. Devemos percorrer um largo caminho e em seu transcurso você pode não sentir-se bem por efeito da medicação, febre, fadiga, perda de peso, anemia, e alteração do caráter, tendência à depressão pode se apresentar entre outras coisas. Não quer dizer isto que os desventurados efeitos secundários se tenham que instalar necessariamente, mas corresponde que a informe sobre tais. Sua força de vontade, seu estado emocional e a compreensão por parte de todos, ajudará enormemente a minimizá-los."

Primeiro a comoveu a surpresa, em seguida a tomada de consciência e os medos. Os interrogantes se amontoavam em sua alterada cabeça. O primeiro deles foi o temor a perder seu amor, pensou-se feia, magra, decaída, triste. Depois de tantos anos de não ser "mulher" teria que conformar-se com este curto espaço de dois anos nos que pela primeira vez se sentia completa? E surgiu assim a pergunta sem resposta: o que aconteceria se não fazia o tratamento? A enfermidade tinha sido descoberta por acaso já que não apresentava sintomas que servissem para seu reconhecimento, e se não a tivessem encontrado? Pensou junto a seu companheiro que estas perguntas deviam ser colocadas em ouvidos capazes das compreender, e de comum acordo resolveram falar com o sábio médico, esta vez de uma maneira distinta, absolutamente humana.

O encontro se produziu uma manhã de abril. Nossa entristecida mulher lhe brindou ao sábio uma apertada síntese de sua vida passada e a atual, a emoção embargava o ambiente, o médico e seu companheiro escutavam atentamente seu relato. Finalmente enumerou suas perguntas. O professor refletiu em silêncio e logo com a qualidade que distingue aos grandes expressou palavras que tiveram o som de uma classe magistral:

"O corpo é a gaiola da alma"começou dizendo, Até aqui você me consultou por seu corpo, hoje o faz por sua alma, e eu lhe agradeço que me localize na situação do ser humano que também sou. Oportuna e centrada sua posição, mas devo lhe dizer que compreendo seus sentimentos perfeitamente, é você nesse sentido muito parecida comigo. Onipotente, acostumada por sempre a solucionar os problemas de todos, a entregar-se sem limites. Hoje lhe toca uma aprendizagem muito forte. Deve receber e de passagem aprender a fazê-lo. Vamos-lhe brindar querida senhora tudo o que necessite, iremos solucionando os problemas à medida que se pressentem.

Os olhos do sábio começaram a brilhar de um modo especial, ambos o notaram face às lágrimas que já embargavam os seus. Sem ocultar sua emoção, secava seus olhos e continuava falando para finalizar dizendo que neste caso o marido era um grande companheiro, situação que não se dava freqüentemente e que ao finalizar o tratamento nos encontraríamos os três com duas coisas: um vírus eliminado por completo e um vínculo de casal fortalecido até o inimaginável!

As forças que transmitiram as palavras do sábio impregnaram profundamente em nossa querida senhora. O melhor médico do reino a trataria a ela como o que era, uma mulher com suas circunstâncias, e também doente de hepatite C.

Resolveu uma vez, mas como o tinha feito sempre, apostou pela vida.

Edith Michelotti
Rosario - Argentina


Tradução de Carlos Varaldo - Grupo Otimismo


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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA A PORTADORES DE HEPATITIS C
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19/09/2005

Éste es el relato de una portadora de hepatitis C que desorientada al receibir el diagnostico tuvo la bendita suerte de encontrar un médico comprensivo, humano, que supo la informar correctamente y así recuperar la autoestima y confianza en la vida. Desconosco quien es el médico, pero, mi querido doctor, reciba mis sinceros felicitaciones por su comportamiento brillante, digno de quien eligio la medicina por vocación. Carlos Varaldo Grupo Optimismo




La Hepatitis C y el alma


Dedicado a todas aquellas personas que en un determinado momento de sus vidas se ven sorprendidas por una enfermedad muy cruenta y no encuentran el camino adecuado para posicionarse frente a ella.


Érase una vez en un reino muy cercano una mujer grande, muy cansada y un tanto entristecida, de niña había soñado ser como las princesitas de los cuentos y encontrar al príncipe ideal para ser muy, pero muy, feliz. Durante su primera juventud se preparó con ahínco para lograrlo. Estudió, escuchó atentamente a los sabios, puso sus jóvenes oídos en la música, incorporó todos los conocimientos posibles, y arribó así tempranamente al matrimonio marcado por siglos de costumbre y tradición. La reina madre frotaba sus manos con alegría ya que el príncipe se presentaba como el especial para su joven niña.

Y este podría ser el final del cuento, pero oh tristeza! Sólo era el principio. Para lo que seguía nadie la había educado, y fue así que nuestra pobre niña se arregló como pudo o como se le ocurrió, convenciéndose de a poco que todo el cariño y el entusiasmo que ponía en llevar adelante su familia, eran suficientes para encontrar la tan soñada felicidad. Se equivocaba con mucha frecuencia pero no se daba cuenta, seguía y seguía aún cuando se sentía desfallecer. Su fuerza de voluntad era envidiable. Hasta que un día, comprendiendo por fin que ese hombre no era el príncipe soñado ni mucho menos, tomó a sus pequeños herederos y marchó nuevamente por la vida en esa incesante búsqueda.

Se encontró sola y se asustó bastante, y fue así que el primer hombre glamoroso que se le presentó, fue dibujado por ella a imagen y semejanza de sus fantasías. Lo construyó perfecto, ya que así lo necesitaba. Respiró profundo, quizás fuera esa la felicidad. Y dejó así transcurrir la vida equivocándose una y otra vez. Mas no se sentía mal, estaba convencida de que brindarse incondicionalmente a los demás era la senda correcta. Se cargaba de trabajo, dormía muy poco, y no se daba espacio para reflexionar.

Arribó así a la juventud de la vejez y fue recién allí que estuvo preparada para comprender en que consistía la vida. .El porqué fue en ese momento y no antes quedará en sus tantas preguntas sin respuestas. Lo cierto es que resolvió vivir sola, lo cual a esa edad era muy difícil, pero lo prefirió a estar tan, pero tan mal acompañada. Mal acompañada.

Desde su soledad, analizando sus años pasados comprendió que no conocía el amor de mujer. Sus fantasías le hicieron creer que si, pero ahora sabía que nunca lo había experimentado. Y lloró lágrimas nuevas, casi como las de quien un día descubre que no podrá ser madre. Era conciente de su amor de madre, de abuela, de amiga,, pero el vacío mujer estaba clavado desde siempre.

Creyó que moriría sin haberlo conocido y cuando ya se resignaba a esa realidad ocurrió el milagro traído de la mano del mago Merlín, apareció el Amor. Se entregó a él como hacía siempre con todos, sin límites ni mediciones, pero esta vez dando y recibiendo por igual. Aprendió a reír con la risa de la mujer que se siente amada, pero mucho más importante aún, que podía por fin amar.

Supo así que la felicidad no tenía edad para presentarse, lo hacía como el maestro que siempre aparece cuando el alumno está preparado. Y en pleno goce de esta otoñal dicha, cual cruel maldición de la bruja que no fue invitada al bautismo de la princesa, nuestra alegre mujer se enfermó. Y se enfermó muy feo, cayó en las garras de la hepatitis C, hepatitis que la habría acompañado durante años pero que esperó solapadamente para presentarse justo cuando ella era feliz.

De la mano fuerte y contenedora de uno de sus hijos y junto a su amor, consultó al mejor médico del reino. Serio, adusto, muy profesional, le hizo estudios muy importantes y al finalizarlos le habló de esta manera :

"Señora, su hígado está enfermo desde hace mucho tiempo, un virus cruel lo está atacando, debemos vencerlo, mas la tarea no es fácil ni corta, vamos a necesitar de todo su esfuerzo, también el de su compañero, hijos, sicóloga, amigos y el de todos aquellos que se quieran sumar con su afecto y comprensión .Debemos recorrer un largo camino y en su transcurso Ud. puede no sentirse bien por efecto de la medicación que usaremos, fiebre, decaimiento, pérdida de peso, anemia, y alteración del carácter tendiente a la depresión se pueden presentar entre otras cosas. No quiere decir esto que los desdichados efectos secundarios se tengan que instalar necesariamente, pero corresponde que la ponga en antecedentes. Su fuerza de voluntad, su estado emocional y la contención de parte de todos, ayudará enormemente a minimizarlos."

Primero la conmovió la sorpresa, luego la toma de conciencia y los miedos. Los interrogantes se agolpaban en su alterada cabecita. El primero de ellos fue el temor a perder su amor, se pensó fea, delgada , decaída, triste. Después de tantos años de no ser "mujer" tendría que conformarse con este corto espacio de dos años en los que por primera vez se sentía completa? Y surgió así la pregunta ineludible: qué pasaría si no hacía el tratamiento? La enfermedad había sido descubierta por casualidad ya que no presentaba síntomas que sirvieran para su reconocimiento, y si no la hubieran encontrado? Pensó junto a su compañero que estas preguntas debían ser volcadas en oídos capaces de comprenderlas, y de común acuerdo resolvieron hablar con el sabio médico, esta vez de una manera distinta, absolutamente humana.

El encuentro se produjo una mañana de abril. Nuestra entristecida mujer le brindó al sabio una apretada síntesis de su vida pasada y la actual, la emoción embargaba el ambiente, el médico y su compañero escuchaban atentamente su relato. Finalmente enumeró sus preguntas. El maestro reflexionó en silencio y luego con la calidad que distingue a los grandes expresó palabras que tuvieron el sonido de una clase magistral:

"El cuerpo es la jaula del alma"- comenzó diciendo. Hasta aquí usted me ha consultado por su cuerpo, hoy lo hace por su alma, y yo le agradezco que me ubique en la situación del ser humano que también soy. Oportuna y centrada su posición, mas debo decirle que comprendo sus sentimientos perfectamente, es usted en ese sentido muy parecida a mí. Omnipotente, acostumbrada por siempre a solucionar los problemas de todos, a entregarse sin límites. Hoy le toca un aprendizaje muy fuerte. Debe recibir y de paso aprender a hacerlo. Le vamos a brindar querida señora todo lo que necesite, iremos solucionando los problemas a medida que se presenten.

Los ojos del sabio comenzaron a brillar de un modo especial, ambos lo notaron pese a las lágrimas que ya embargaban los suyos. Sin ocultar su emoción, secaba sus ojos y continuaba hablando para finalizar diciendo que en este caso el esposo era un gran contenedor, situación que no se daba frecuentemente y que al finalizar el tratamiento nos encontraríamos los tres con dos cosas: un virus eliminado por completo y un vínculo de pareja fortalecido hasta lo inimaginable!

La fuerza que transmitieron las palabras del sabio calaron profundamente en nuestra querida señora. El mejor médico del reino la trataría a ella como lo que era, una mujer con sus circunstancias, y también enferma de hepatitis C.

Resolvió una vez mas como lo había hecho siempre, apostó por la vida.

Edith Michelotti
Rosario - Argentina




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Last updated 17.9.2005