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02/01/2006
Publicar ou morrer!, Uma pressão que leva os pesquisadores a falsificar dados
Intimados pela comunidade acadêmica e pelo dinheiro que movem os descobrimentos, muitos pesquisadores utilizam as revistas especializadas para difundir dados que não sempre são verdadeiros.
A pesquisa científica está cheia de fraudes, muitas vezes causados pela pressão que sofrem os cientistas, obrigados a publicar o maior número de artigos em revistas especializadas para assegurar assim o financiamento de suas experiencias.
"¡Publish or perish!" ("publica ou será um homem morto!"): muitos curriculuns de pesquisadores dependem da freqüência de suas publicações em revistas prestigiosas, como a norte-americana Science ou a britânica Nature.
Todas as grandes instituições de pesquisas, incluídas as de financiamento público, levam uma estatística das publicações de seus empregados para determinar sua fila na comunidade científica mundial.
Science foi a revista que publicou os trabalhos do pesquisador da Coréia do Sul Hwang Woo-suk sobre a clonagem humana, que lhe teriam podido valer um prêmio Nobel se seus resultados não tivessem sido amplamente falsificados.
Na história das ciências existem alguns casos similares. Nos anos 90, o investigador Hendrick Schon, dos laboratórios americanos Bell, autor de 16 artigos aparecidos no espaço de dois anos em publicações prestigiosas, parecia ter "decolado" ao revolucionar o campo dos materiais supracondutores. Mas finalmente foi desmascarado como um simples impostor.
Muito antes, em 1912, o paleontologista britânico Arthur Smith Woodward tinha revelado à comunidade científica os restos do "primeiro europeu". O chamado "homem do Piltdow" resultou ser falso, pois tinha sido composto mediante a associação do crânio de um homem moderno com a mandíbula de um grande macaco, provavelmente um orangotango.
Outros casos "célebres" são mais controvérsias que fraudes deliberadas, como a suposta fusão nuclear "fria" anunciada pelos americanos Stanley Pons e Martin Fleischmann, que jamais puderam ser realizadas outras equipes de pesquisadores.
Jacques Benveniste, personalidade da pesquisa médica francesa, morreu convencido de ter tido razão sobre "a memória da água", o que teria dado uma explicação científica à homeopatia. Depois de serem publicados com grande desdobramento pelo Nature em 1988, seus trabalhos foram demolidos pela mesma revista.
Segundo um estudo realizado entre 3.200 cientistas norte-americanos, publicado em junho na revista Nature, 0,3% dos pesquisadores interrogados haviam deliberadamente manipulado o resultado de seus trabalhos no transcurso dos três anos precedentes.
A proporção subia até 15,5% (20,6% para os pesquisadores na metade da vida profissional) quando a pergunta era se tinham modificado sua metodologia "por causa de pressões exercidas por uma fonte de financiamento".
"Preocupa-nos a percepção que têm os cientistas do processo de distribuição de créditos", assinalavam os autores, questionando os mecanismos das publicações científicas, assim como os da atribuição de bolsas de estudos e cargos de pesquisadores.
Fonte: AFP
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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02/01/2006