15/08/2006
São Paulo tem 16 mil testes de dengue parados
Carol Knoploch, Diário de S.Paulo - 15/08/2006 às 14h36m
O Instituto Adolfo Lutz tem 16 mil exames parados para diagnosticar casos de dengue. O problema é a falta de kits para realização do exame, que deveriam ser fornecidos pelo Ministério da Saúde. A informação é de Carlos Margno Fortaleza, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde do estado. Ou seja: o número de casos de dengue no estado pode ser bem maior do que os 16.075 digulgados em julho.
- De fato, esse número irá aumentar - reconhece Fortaleza.
Fortaleza lembra ainda que é possível que algumas secretarias municipais também não tenham enviado os exames ao instituto por causa da falta dos kits. Ele explicou que o problema da falta de kits afeta apenas o controle de eventuais epidemias.
Conforme dados da Secretaria de Saúde de Santos, por exemplo, há 2.217 exames com suspeita de dengue ainda sem o diagnóstico. Na região de São José do Rio Preto, esse número é de cerca de 3.500.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o ministério deve 71 kits para dengue, o que possibilitaria a realização de 6.816 exames. Cada kit fornece 96 exames. O ministério afirma ter mandado de janeiro até o momento 153 kits de dengue para São Paulo.
Para minimizar a situação, a secretaria comprou 250 kits da australiana Panbio, por cerca de R$ 325 mil.
- Acabamos de receber os kits que faltavam dessa leva importada. Estamos em força-tarefa para realizar 16 mil exames até semana que vem - diz Fortaleza.
No total, São Paulo deixou de receber este ano, por parte do governo federal, 150 mil testes para confirmação de doenças por causa do atraso na entrega de kits e frascos de reação. O Ministério da Saúde é responsável pelo fornecimento dos materiais para testes de doenças, incluindo leishmaniose humana e canina, doença de chagas, leptospirose, hepatites, rubéola e sarampo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, dos cerca de 1.200 kits solicitados até julho para essas doenças, apenas 678 foram entregues.
- Não vou entrar na dança dos números. Muitos estados pedem mais kits do que precisam porque acham que receberão menos. Não há critério padronizado para o pedido de kits - disse Expedito Luna, diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.
Segundo ele, no total, o ministério encaminhou para São Paulo 1.218 kits, incluindo testes para outras doenças, como Aids e sífilis. Ele não forneceu o número de kits por doença.
- Nosso fornecedor, o Instituto Bio-Manguinhos (do Rio), teve problemas na confecção de kits para leishmaniose humana e canina, dengue, doença de chagas e leptospirose. Mas desconheço a falta de kits para sarampo, rubéola e hepatite. Para essas doenças, importamos por meio da Organização Pan-Americana da Saúde - disse Luna.
MEU COMENTÁRIO:
Será falta de planejamento?
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo