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02/06/2008


Prevalência da vacinação completa contra a hepatite B em trabalhadores da saúde de Florianópolis deixa a desejar


Publicado em 12. Clic News - RS (10/06/2008)

Pesquisa mostra que apenas 64,61% estavam completamente imunes ao vírus da doença. A vacinação esteve positivamente associada com maior escolaridade e contato com material biológico ou materiais perfurocortantes durante o trabalho


Estima-se que aproximadamente dois bilhões de pessoas, um terço da população mundial, já tiveram contato com o vírus da hepatite B (HBV) e 325 milhões se tornaram portadores crônicos. As infecções pelo HBV representam a décima causa de morte em todo o mundo e resultam em até 1,2 milhão de mortes por ano, causadas por hepatite crônica, cirrose e carcinoma hepatocelular. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que pelo menos 15% da população já estiveram em contato com o HBV e que 1% apresenta doença crônica relacionada a este vírus. Como os trabalhadores da saúde estão mais expostos ao contato com o vírus, Leila Garcia, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Luiz Augusto Facchini, da Universidade Federal de Pelotas resolveram verificar a prevalência da vacinação completa contra a hepatite B, estimar a prevalência da confirmação da imunidade e investigar os fatores associados à realização do esquema vacinal completo entre trabalhadores de unidades de saúde do Município de Florianópolis (SC).

Participaram do estudo 1.249 trabalhadores. De acordo com artigo publicado na edição de maio de 2008 da revista Cadernos de Saúde Pública, "a hepatite B é a doença ocupacional infecciosa mais importante para os trabalhadores da saúde. Exposições percutâneas ou de mucosas ao sangue de indivíduos infectados pelo HBV representam a principal fonte de transmissão ocupacional, já que quantidades diminutas de sangue são suficientes para transmitir a infecção".

Os pesquisadores constataram que a prevalência da vacinação completa contra a hepatite B foi de 64,61% e que 29,82% dos trabalhadores indicaram saber que estavam imunizados após a realização de exame sorológico para confirmação da imunidade. Segundo eles, "a vacinação esteve positivamente associada com maior escolaridade e contato com material biológico ou materiais perfurocortantes durante o trabalho, e negativamente associada com regimes de trabalho precários e fumo atual".

Leila Garcia e Luiz Augusto Facchini recomendam medidas educativas visando à vacinação daqueles que não o fizeram ou não completaram o esquema vacinal e informações sobre a necessidade do monitoramento da resposta vacinal. "A situação apontada no estudo, com tantos trabalhadores não tendo sido vacinados e grande parte dos vacinados não conhecendo seu estado sorológico frente à hepatite B, é preocupante. Fica evidente a necessidade de capacitação dos trabalhadores da atenção básica quanto à biossegurança, saúde e segurança no trabalho, incluindo esclarecimentos acerca dos benefícios da vacinação contra a hepatite B e a respeito da necessidade do monitoramento da resposta vacinal. O SUS necessita de políticas que valorizem as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores. Também há necessidade de programas de educação permanente para os trabalhadores da atenção básica à saúde direcionados à organização, à saúde e à segurança do trabalho", afirmam no artigo.





Last updated 15.6.2008