18/02/2008
Amazônia bate recorde em prevalência de hepatite C
Chico Araújo - Matéria da Agencia Amazônia da Noticia - A seguir publicamos trechos da reportagem. O texto completo e encontrado no Site da Agencia, em www.agenciaamazonia.com.br
A Amazônia tem hoje a maior taxa de prevalência de infecção por hepatite C (HCV) do Brasil e uma das maiores do mundo. Seus índices se assemelham a algumas regiões da Ásia, África e Europa Ocidental. Dos nove Estados da região, o Acre é o que concentra os índices mais elevados da doença: 5,9%. Excluindo o Acre, o Rio de Janeiro aparece na segunda posição, com 2,66% de taxa de prevalência da doença.
O dramático quadro é traçado num relatório de um estudo encomendado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) para traçar o perfil epidemiológico da hepatite C no país. "Os resultados obtidos neste inquérito quanto aos aspectos epidemiológicos da infecção pelo HCV no Brasil revelam dados preocupantes e até então desconhecidos, inclusive por todos nós", afirma o professor José Carlos Fonseca em seu relatório. Fonseca integra a equipe de virologistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT), referência nessa área virologia no país.
Segundo Fonseca, a investigação sobre a hepatite C se deu porque a infecção pelo HCV é hoje um dos mais sérios problemas de saúde no mundo. Como no Brasil as informações acerca da doença são incipientes, a SBH decidiu fazer um inquérito nacional do perfil da infecção pelo vírus da hepatite C. A coleta de dados se processou por meio de questionários a membros da sociedade e dirigentes de hemocentros.
Só a partir de 1992 os testes anti-HVC passaram a ser rotina na triagem de doares de sangue, o que possibilitou a coleta de dados mais realistas da infecção pelo vírus da hepatite C. Em seu estudo, Fonseca revela que, de 1.173.406 pré-doadores avaliados e de diversas regiões do Brasil, 14.527 deles (1,23%) foram reativos nos testes. Do total, o maior índice (2,12%) foi constatado na região Norte.
Índios são mais afetados
Dentre os grupos de maior risco estão os hemofílicos, portadores de doenças hematológicas e de leucemias, presidiários, poli transfundidos e prostitutas. O índice é também preocupante entre as pessoas com doença hepática crônica - 38% em um total de 1.839 pacientes estudados.
Fora do grupo de risco, os índios da Amazônia são os mais castigados pela hepatite C. Entre os indígenas brasileiros a prevalência do HCV alcança percentual de 19,50%, percentual este 13 vezes maior que o encontrado na população brasileira. "De acordo com estes resultados, podemos sugerir que entre os indígenas, o HCV (o vírus da hepatite C) circula ativamente", atesta José Fonseca em seu estudo.
Mais de 10 % da população do Amazonas são portadores de hepatites. Em Lábrea, a situação é considerada alarmante. Cerca de 300 mil pessoas no Amazonas, o equivalente a 10,77 % da população do Estado, são portadoras do vírus de hepatites. Em Lábrea, a 703 quilômetros ao sul de Manaus, a situação é mais alarmante: 10% da população, o correspondente a 2.647 dos 26.475 habitantes da cidade, tem os sintomas da doença. Em algumas áreas do município, o índice chega a atingir 30%. A estimativa é da Fundação de Medicina Tropical (FMT), de Manaus (AM).
No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas são portadoras crônicas da hepatite B, e outras 3 milhões de hepatite C, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No mundo, só a hepatite B atinge 350 milhões de pessoas. O mais grave é que a maioria não sabe que está com a doença. Esse número representa quase oito vezes mais a quantidade de pessoas portadoras do vírus HIV.
Áreas endêmicas
O avanço das hepatites na Amazônia tem preocupado autoridades e especialistas do setor. É o caso do médico infectologista e senador Tião Viana (PT-AC). A preocupação se dá porque algumas áreas da Amazônia, como as calhas dos rios Juruá, Purus e Madeira são consideradas endêmicas.
"As hepatites de etiologia viral constituem um complexo problema de saúde pública em todo o planeta", reconhece Viana na sua tese de doutorado em Medicina Tropical, defendida em 2005 na Universidade de Brasília (UnB). Viana fez um relato detalhado da prevalência das hepatites B e Delta no Acre, onde a incidência de hepatite é elevada. Estudo feito por ele em 1990 constatou que 3,4% da população do Acre tinham o vírus da hepatite B.
A malária e a hepatite estão matando os índios do vale do Javari, no sul do Amazonas. De janeiro para cá 23 índios morreram na região, sendo quatro deles por hepatite. A informação partiu do O Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja), que cobra atenção das autoridades de saúde para a situação dos indígenas do Javari. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) confirma 17 óbitos na área, um deles por malária e outro por hepatite.
De acordo com o Civaja, o número de infectados pode chegar a 25% da população indígena da área. A reserva com 8,5 milhões de hectares abria cerca de 3,5 mil índios. Em agosto, o Civaja denunciou o alto número de infectados por malária e hepatite, doença que, segundo eles, cresceu pela falta de ações preventivas. A entidade também relata que há grande número de casos de malária.
"Faltam desde os medicamentos para o tratamento da doença até mesmo condições para as equipes se deslocarem para as aldeias". Os programas de controle de malária são baseados no diagnóstico e tratamento precoce, e para isso é importante haver postos de diagnóstico com agentes treinados, além do controle do mosquito para diminuir a transmissão.
Ausência de médicos na área
Relatos de pessoas que visitaram a área recentemente revelam a ausência de médicos na região. Segundo estas informações, há cerca de um mês, os únicos profissionais de saúde que atuavam na terra indígena eram quatro técnicos de enfermagem. E os Agentes Indígenas de Saúde teriam pelo menos quatro meses de salários atrasados.
A assessoria de imprensa da Funasa informou que "quanto ao surto de hepatite viral, há cerca de um ano a Funasa tem atuado em conjunto com o Instituto de Medicina Tropical, no sentido de isolar os portadores para evitar novos contágios. No que diz respeito à malária, a Funasa implementou diversas ações de combate ao mosquito transmissor, realizando borrifações na área. Atualmente, a doença está sob controle na região". Já houve surtos anteriores de mortes por hepatite em 2001 e 2003.
"A situação é muito grave para ter espaço para demora e incompetência. Precisa estruturar o Distrito de Saúde, capacitar pessoas. Para começar a resolver o alto número de pessoas com hepatite, precisa de periodicidade na aplicação das vacinas. Uma das razões por que a doença se alastrou tem a ver com o fato de a vacina não ter sido bem aplicada", avalia Beatriz de Almeida Mattos, membro da equipe do Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Ela relata que um dos professores com os quais trabalhava diretamente faleceu de hepatite hemorrágica e que, em um grupo de 15 professores, outros 4 estão infectados.
Funasa não vacina índios
De acordo com o Prof. Dr. Pedro Luiz Tauil, do departamento de Medicina Social da Universidade de Brasília (UnB), a existência de vacinas para hepatite faz com que a ocorrência de mortes pela doença seja "grave". A vacinação, no entanto, precisa ser feita em três doses, ao longo de 180 dias. E as vacinas precisam ser mantidas resfriadas até o momento de serem aplicadas.
"Desde 2002, a Funasa não consegue realizar mais de duas vacinações por ano. Desde 1995, se falava que o não cumprimento do cronograma das vacinações comprometeria qualquer ação para barrar a epidemia", diz o Civaja, que foi responsável pelo convênio com a Funasa até 2004.
E o próprio Civaja propõe soluções: "Existem medidas preventivas que poderiam solucionar a situação, dentre as quais a execução de ações de busca em todas as aldeias da reserva indígena, sistematização das campanhas de vacinação para hepatite e a conscientização dos indígenas sobre a importância da prevenção à doença, dentre tantas outras providências dessa natureza".
(*) Com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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18/02/2008
Amazonía bate récord en superioridad de hepatitis C
Chico Araujo - Materia de la Agencia Amazonía de la Noticia - A continuación publicamos trechos del reportaje. El texto completo (en portugués) es encontrado en el Sitio de la Agencia, en www.agenciaamazonia.com.br
La Amazonía tiene hoy la mayor tasa de infección por hepatitis C (HCV) de Brasil y una de las mayores del mundo. Sus índices se asemejan a algunas regiones de Asia, África y Europa Occidental. De los nueve Estados de la región, el Acre es el que concentra los índices más elevados de la enfermedad: 5,9%. Excluyendo el Acre, el estado de Rio de Janeiro aparece en la segunda posición, con 2,66% de tasa de prevalencia de la enfermedad.
El dramático cuadro es trazado en un informe de un estudio encargado por la Sociedad Brasileña de Hepatología (SBH) para estudiar el perfil epidemiológico de la hepatitis C en el país. "Los resultados obtenidos en este estudio en cuanto a los aspectos epidemiológicos de la infección por el HCV en Brasil revelan datos preocupantes y hasta entonces desconocidos, incluso por todos nosotros", afirma el profesor José Carlos Fonseca en su informe. Fonseca integra el equipo de médicos de la Fundación de Medicina Tropical de Amazonas (FMT), referencia en esa área en el país.
Según Fonseca, la investigación sobre la hepatitis C se dio porque la infección por el HCV es hoy uno de los más serios problemas de salud en el mundo. Como en Brasil las informaciones acerca de la enfermedad son incipientes, la SBH decidió hacer un estudio nacional del perfil de la infección por el virus de la hepatitis C. La recogida de datos se procesó por medio de cuestionarios a miembros de la sociedad y dirigentes de bancos de sangre.
Solo desde 1992 las pruebas anti-HVC pasaron a ser rutina en la selección de individuos donantes de sangre, lo que posibilitó la recogida de datos más realistas de la infección por el virus de la hepatitis C. En su estudio, Fonseca revela que, de 1.173.406 pre-donadores evaluados y de diversas regiones de Brasil, 14.527 de ellos (1,23%) fueron reactivos en los tests. Del total, el mayor índice (2,12%) fue constatado en la región Norte.
Indios son más afectados
Entre los grupos de mayor riesgo están los hemofílicos, portadores de enfermedades hematológicas y de leucemias, presidiarios, poli transfundidos y prostitutas. El índice es también preocupante entre las personas con enfermedad hepática crónica - 38% en un total de 1.839 pacientes estudiados.
Fuera del grupo de riesgo, los indios de Amazonía son los más castigados por la hepatitis C. Entre los indígenas brasileños la superioridad del HCV alcanza porcentual del 19,50%, porcentual éste 13 veces mayor que el encontrado en la población brasileña. "De acuerdo con estos resultados, podemos sugerir que entre los indígenas, el HCV (el virus de la hepatitis C) circula activamente", testifica José Fonseca en su estudio.
Más de 10 % de la población de Amazonas son portadores de hepatitis. En Lábrea, la situación es considerada alarmante. Cerca de 300 mil personas en Amazonas, el equivalente a 10,77 % de la población del Estado, son portadoras del virus de hepatitis. En Lábrea, a 703 kilómetros al sur de Manaus, la situación es más alarmante: 10% de la población, el correspondiente a 2.647 de los 26.475 habitantes de la ciudad, tiene los síntomas de la enfermedad. En algunas áreas del municipio, el índice llega a alcanzar 30%. La estimativa es de la Fundación de Medicina Tropical (FMT), de Manaus (AM).
En Brasil, cerca de 2 millones de personas son portadoras crónicas de la hepatitis B, y otras 3 millones de hepatitis C, según la Organización Mundial de Salud (OMS). En el mundo, solo la hepatitis B alcanza 350 millones de personas. Lo más grave es que la mayoría no sabe que está con la enfermedad. Ese número representa casi ocho veces más la cantidad de personas portadoras del virus HIV.
Áreas endémicas
El avance de las hepatitis en Amazonía ha preocupado autoridades y especialistas del sector. Es el caso del médico y senador Tiao Viana (PT-AC). La preocupación se da porque algunas áreas de Amazonía, como las de los ríos Juruá, Purus y Madera son consideradas endémicas.
"Las hepatitis de etiología viral constituyen un complejo problema de salud pública en todo el planeta", reconoce Viana en su tesis de doctorado en Medicina Tropical, defendida en 2005 en la Universidad de Brasilia (UnB). Viana hizo un relato detallado de la superioridad de las hepatitis B y Delta en el Acre, donde la incidencia de hepatitis es elevada. Estudio hecho por él en 1990 constató que 3,4% de la población del Acre tenían el virus de la hepatitis B.
La malaria y la hepatitis están matando los indios del valle del Javari, en el sur de Amazonas. En enero de 2008, 23 indios murieron en la región, siendo cuatro de ellos por hepatitis. La información partió del Consejo Indígena del Valle del Javari (Civaja), que cobra atención de las autoridades de salud para la situación de los indígenas del Javari. La Fundación Nacional de Salud (Funasa) confirma 17 óbitos en el área, uno de ellos por malaria y otro por hepatitis.
De acuerdo con el Civaja, el número de infectados puede llegar a 25% de la población indígena. La reserva con 8,5 millones de hectáreas abriga cerca de 3,5 mil indios. En agosto, el Civaja denunció el alto número de infectados por malaria y hepatitis, enfermedad que, según ellos, creció por la falta de acciones preventivas. La entidad también relata que hay gran número de casos de malaria.
"Faltan desde los medicamentos para el tratamiento de la enfermedad hasta mismo condiciones para los equipos se dislocar para las aldeas". Los programas de control de malaria son basados en el diagnóstico y tratamiento precoz, y para eso es importante haber puestos de diagnóstico con agentes entrenados, además del control del mosquito para disminuir la transmisión.
Ausencia de médicos en el área
Relatos de personas que visitaron el área recientemente revelan la ausencia de médicos en la región. Según estas informaciones, hace cerca de un mes, los únicos profesionales de salud que actuaban en la tierra indígena eran cuatro técnicos de enfermería. Y los Agentes Indígenas de Salud tendrían por lo menos cuatro meses de salarios atrasados.
La asesoría de prensa de la Funasa informó que "en cuanto al surto de hepatitis viral, hace cerca de un año la Funasa ha actuado en conjunto con el Instituto de Medicina Tropical, en el sentido de separar los infectados para evitar nuevos contagios. En lo que concierne a la malaria, la Funasa implementó diversas acciones de combate al mosquito transmisor, realizando fumigaciones en la región. Actualmente, la enfermedad está bajo control en la región". Ya hubo surtos anteriores de muertes por hepatitis en 2001 y 2003.
"La situación es muy grave para existir espacio para tardanza e incompetencia. Es necesario se estructurar el Distrito de Salud, capacitar personas. Para empezar a resolver el alto número de personas con hepatitis se necesita de periodicidad en la aplicación de las vacunas. Una de las razones por qué la enfermedad se disemino tiene que ver con el hecho de la vacuna no haber sido bien aplicada", evalúa Beatriz de Almeida Mattos, miembro del equipo del Centro de Trabajo Indigenista (CTI). Relata que uno de los profesores con quiénes trabajaba directamente falleció de hepatitis hemorrágica y que, en un grupo de 15 profesores, otros 4 están infectados.
Funasa no vacuna indios
De acuerdo con el Prof. Dr. Pedro Luiz Tauil, del departamento de Medicina Social de la Universidad de Brasilia (UnB), la existencia de vacunas para hepatitis hace que la ocurrencia de muertes por la enfermedad sea "grave". La vacunación, sin embargo, necesita ser hecha en tres dosis, a lo largo de 180 días. Y las vacunas necesitan ser mantenidas resfriadas hasta el momento de ser aplicadas.
"Desde 2002, la Funasa no consigue realizar más de dos vacunaciones por año. Desde 1995, se decía que el no cumplimento del cronograma de las vacunaciones comprometería cualquier acción para impedir la epidemia", dice el Civaja, que fue responsable por el convenio con la Funasa hasta 2004.
Y el propio Civaja propone soluciones: "Existen medidas preventivas que podrían solucionar la situación, entre las cuales la ejecución de acciones de búsqueda en todas las aldeas de la reserva indígena, sistematización de las campañas de vacunación para hepatitis y la concienciación de los indígenas sobre la importancia de la prevención a la enfermedad, entre tantas otras providencias de esa naturaleza".
(*) Con informaciones del Consejo Indigenista Misionero (Cimi)
Traducción de Carlos Varaldo
Grupo Optimismo