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GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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02/06/2008


As grandes causas de morte vão estar associadas à comida e aos vírus


Jornal EXPRESSO - Lisboa - Entrevista a Fred Poordad, investigador especialista em fígado gordo dos Estados Unidos.

A hepatite B é já o segundo cancerígeno mais comum no mundo, depois do tabaco. O investigador norte-americano Fred Poordad esteve em Portugal e deixou um alerta: as doenças do fígado estão a aumentar e a dieta é um dos culpados.


Veio ao Algarve apresentar novidades no tratamento da hepatite C. O que disse aos médicos portugueses?
Falei sobre os resultados de um estudo americano muito importante e que nos deu lições de destaque, por exemplo, que é essencial para o sucesso da terapêutica reduzir a presença do vírus. Também apresentei dados sobre os novos medicamentos que serão o futuro da terapia para a hepatite C e que parecem aumentar a taxa de sucesso em 20% em metade do tempo, ou seja, passando de 48 para 24 semanas.

Estamos a falar de novos medicamentos e da forma de os combinar.
Sim. São uma nova classe de medicamentos que actua directamente contra o vírus, impedindo a sua replicação. As antigas terapêuticas usam o sistema imunitário para destruir o vírus e estas actuam no próprio vírus. Portanto, é um mecanismo totalmente diferente. Mas quando se combinam estes dois mecanismos de acção, um estimula a resposta do sistema imunitário e o outro combate o vírus directamente, logo, há mais hipóteses de matar o agente.

Estas novas terapêuticas já estão no mercado?
Não. São medicamentos novos que ainda estão em investigação, em ensaios clínicos de fase II e que passarão para a fase seguinte ainda este ano. Penso que daqui a três anos será lançado no mercado, em simultâneo nos EUA e na Europa.

Não temos nenhuma vacina contra a hepatite C.
É verdade e, provavelmente, não vamos ter no nosso tempo de vida. A não ser que sejam feitos grandes progressos no conhecimento que temos sobre vacinas.

Mas há para o tipo B.
Sim, mas a hepatite B é muito mais simples do que a C. Esta é mais parecida com o vírus da sida (AIDS) porque também é um retrovírus. Portanto, no dia em que tivermos uma vacina para a C será, provavelmente, o mesmo dia em que teremos uma vacina para o VIH. Podemos prevenir a B, mas se já estivermos infectados é muito difícil de curar. Para a C não há vacina, mas é curável.

Mas o virologista que identificou o VIH admite o aparecimento de uma vacina daqui a cinco anos. Não me parece. Gostaria mas ficaria muito surpreendido. O vírus muda e é muito difícil encontrar uma vacina. Não há uma origem do vírus que seja igual entre todas as variantes, cada vírus é um pouco diferente e a vacina não iria funcionar para todos. A hepatite B é diferente porque existem semelhanças entre todas as estirpes e a vacina funciona para todas.

É verdade que o vírus da hepatite C é a principal causa de transplante hepático e de 60% de doenças do fígado nos países desenvolvidos?
Diria que 40% a 60% das doenças do fígado nos países desenvolvidos estão relacionadas com a hepatite C, que também é a principal causa de transplante.

E que tem tendência para se tornar numa doença crónica.
Sim. Quase todas as pessoas que são infectadas vão desenvolver uma infecção crónica. A percentagem é de 80% e será para o resto da vida, a não ser que seja tratada e curada.

Portanto, os doentes terão de tomar medicamentos enquanto forem vivos.
Não. Tomam durante um ano, em que conseguimos tratar 40% a 45% dos doentes. As novas descobertas, de que falei há pouco, poderão vir a aumentar esse número para 60% a 70% em apenas seis meses de tratamento, portanto, é uma grande diferença.

Confirma-se que 200 milhões de pessoas são portadoras ou estão infectadas com o vírus da hepatite C, mais do que com o VIH?
Está correcto. O VIH afecta 40 milhões de pessoas no mundo e a hepatite C entre 170 a 200 milhões de pessoas.

A incidência do vírus é de 0,3% na Europa e de 1,5% nos EUA. A que se deve esta diferença?
Está muito associada à etnia e à elevada percentagem de afro-americanos na faixa etária dos 30 a 60 anos, com 6,5% de infectados. Nessa faixa etária também existem 3,2% de caucasianos infectados. Portanto, quando se olha para a prevalência global as diferenças são grandes.

E é possível explicar as diferenças entre africanos e caucasianos?
É difícil de dizer. Encontrámos diferenças na resposta imunitária em etnias diferentes e, provavelmente, a taxa de infecção crónica também é diferente conforme a etnia. Há muitas diferenças entre sistema imunitário e etnia que não sabemos explicar.

É verdade que o vírus só infecta humanos e chimpanzés?
É. Ou seja, não há nenhum outro modelo animal, como um rato, para a hepatite C. É por isso que é tão difícil estudar a doença.

Diz-se que as pessoas infectadas podem viver 10 a 15 anos sem sintomas da doença.
Algumas pessoas podem mesmo viver toda a vida sem nenhum sinal da doença. Infelizmente, o problema é que não podemos prever quem vai ter, ou não, uma doença de fígado. Se desenvolvermos terapias razoáveis em termos de tolerância e com elevadas taxas de cura, talvez possamos olhar para a doença como uma infecção e tratá-la em vez de ficarmos à espera que os doentes desenvolvam uma doença de fígado para os podermos tratar. É uma diferença na filosofia.

Mas para isso é preciso fazer rastreios.
Actualmente, o que nós fazemos é olhar para as pessoas que têm factores de risco.

Que são?
As pessoas que foram sujeitas a transfusões de sangue (especialmente antes de 1990 e em países onde não se fazem testes à hepatite C), doentes que tiveram contacto com drogas - em especial injectáveis mas também cocaína inalada -, ex-presidiários e pessoas oriundas de países onde houve uma vacinação em massa sem recurso a agulhas descartáveis, como o Bloco de Leste onde os doentes foram infectados com o vírus da hepatite C pelos próprios serviços de saúde. Há muitos factores de risco e variam de país para país. O ideal é que cada país tenha linhas orientadoras próprias, baseadas na sua população e nos respectivos factores de risco, para fazer os seus programas de rastreio.

Mas porque é que o vírus não evolui para uma doença crónica em todas as pessoas infectadas?
O mesmo acontece com quem tem a doença crónica, uns desenvolvem doenças de fígado e outros não. Não sabemos por que, apenas que há factores que aumentam o risco de desenvolver uma doença crónica: o consumo de álcool, diabetes, fígado gordo... há outras coisas que aumentam o risco de doença hepática mas não sabemos o que muda.

Em Portugal, o vírus afecta 62% dos toxicodependentes, a percentagem mais elevada na Europa. O país tem um risco acrescido?
É muito consistente que a maioria dos países europeus tem uma prevalência entre 2,5% e 3% mas, repito, acho que cada país deve desenvolver um programa de rastreio adequado à sua população porque também está provado que os doentes que não estão diagnosticados vão desenvolver doenças hepáticas a longo termo, e o custo para o sistema de saúde é significativamente alto. Acho que os serviços de saúde podem poupar dinheiro com o rastreio, o tratamento precoce e a prevenção a longo prazo.

E Portugal também lidera o consumo de álcool "per capita" e os jovens estão a substituir o consumo de tabaco por álcool e por comida pouco saudável. Tudo isto representa um risco acrescido...
Sim, e não só para a hepatite C mas também para o fígado gordo, que já é um grave problema de saúde nos EUA e noutros países desenvolvidos. O sedentarismo e a comida rápida estão a fomentar o fígado gordo e a diabetes, factores de doenças hepáticas e também de progressão da hepatite C. Por isso, é importante para Portugal olhar para os seus cuidados de saúde e ter atenção aos doentes com risco de desenvolver uma doença de fígado.

Nos EUA existe algum programa nesse sentido?
O que estamos a tentar fazer é educar os nossos médicos de família a olharem para os factores de risco da hepatite C e rastrear esses indivíduos. Não temos um programa de rastreio geral, em massa, como adoptámos para o VIH, mas desde Setembro do ano passado que todos os doentes que passam por um prestador de cuidados de saúde são rastreados. Pelo menos, essa é a recomendação. Portanto, talvez para a hepatite C ainda não seja necessário um programa de rastreio geral, mas sim encorajar os médicos de família a prestarem atenção aos factores de risco e, então, fazer testes a essas pessoas.

Há vacina para outros tipos de hepatite?
Além da B, também existe vacina para a A. Esta hepatite está muito associada à ingestão de comida contaminada e, portanto, nos países desenvolvidos não é um problema. Mas nos EUA, na fronteira mexicana, há um risco muito elevado e hoje temos um programa de vacinação em massa para as crianças.

Porquê para crianças?
Vacinamos as crianças contra a hepatite A e B porque é mais fácil em termos logísticos rastrear as pessoas quando estão na escola. E também porque uma vez vacinadas ficam protegidas para a vida.

E o Estado paga?
Sim, para as crianças é gratuito.

Os especialistas portugueses estimam que a necessidade de transplantes hepáticos vai aumentar 500% nos próximos anos. Este número parece um pouco exagerado.
Nem por isso. As projecções mundiais dizem que os transplantes vão crescer nos próximos dez a 20 anos e a principal razão é a população de infectados com hepatite C e com fígado gordo, muito semelhante aos problemas provocados pelo consumo excessivo de álcool e que conduzem a cirrose, cancro...

Uma pessoa com excesso de peso tem o mesmo risco de sofrer de fígado gordo do que um consumidor excessivo de álcool?
O risco é, aliás, provavelmente, mais elevado para a pessoa obesa. Só 15% dos consumidores de álcool desenvolvem doenças hepáticas, mas a percentagem de pessoas com obesidade que podem desenvolver fígado gordo é maior.

Portanto, o risco de cancro existe quando temos excesso de peso.
Claro. Tudo o que provoque cirrose no fígado aumenta o risco de cancro no fígado. Mas, em todos os países desenvolvidos está a aumentar o risco de doença hepática entre os portadores de hepatite C e obesos. A comida é muito importante para doenças cardiovasculares, diabetes, doenças hepáticas.

Além da nova combinação de medicamentos, que outras novidades estão no caminho?
Há muitas farmacêuticas a procurarem potenciais tratamentos para as doenças do fígado gordo, portanto, este é um problema de saúde significativo e que vai liderar a investigação, a par com novos medicamentos para a hepatite B e para o cancro do fígado. Para a hepatite C estão ainda a ser estudadas outras substâncias. Penso que nos próximos cinco a dez anos vamos ter "cocktails" de medicamentos para a hepatite C com múltiplos componentes que vão aumentar ainda mais a percentagem de cura.

Os EUA costumam ser uma espécie de laboratório para todas as doenças associadas ao excesso de peso. Como é que estão a controlar o problema?
Estamos no meio de uma crise neste domínio e ainda não sabemos qual é a solução. A educação é importante, mas também é importante a forma como as escolas estão ajustadas às crianças, por exemplo, para aumentar a prática de exercício físico. É preciso reintegrar a actividade física nos programas escolares.

Mas não está?
Sim, mas é menos do que costumava ser. Em casa os pais têm de estar atentos ao facto das crianças passarem mais tempo com vídeojogos, sentados no sofá a comer em vez de irem brincar na rua e queimarem calorias. É preciso uma política governamental, o empenho das escolas e dos pais em casa. Acho que os pais têm uma grande responsabilidade na educação dos filhos para que sejam mais magros e saudáveis.

E a indústria farmacêutica não tem novas soluções para combater o excesso de peso?
(risos) Sim, essa é a maneira fácil, mas uma verdade triste que a indústria farmacêutica se dedique a essa área, permitindo que nos tornemos mais preguiçosos e gordos. Acho que temos de ser responsáveis pela nossa própria saúde, tendo uma dieta melhor e praticando exercício, deixando os laboratórios centrados nos esforços para encontrar soluções para as doenças infecciosas, onde ainda há um longo caminho a percorrer.

Na sua opinião quais vão ser os principais factores de morte nos próximos anos?
Os principais factores vão continuar a ser as doenças cardiovasculares e a diabetes. Em todo o mundo, o terceiro cancro mais mortal é o do fígado, que é também o sexto mais comum. Portanto, acho que temos de estar atentos ao facto das doenças do fígado, no geral, estarem a aumentar e por isso precisamos que os cuidados de saúde se centrem mais nesta área no futuro próximo.

Portanto, o mundo estava muito preocupado com a sida (AIDS) e com o tabaco, mas parece que as grandes causas de morte estão relacionadas com a comida.

Sim, as grandes causas de morte vão estar associadas à comida e também aos vírus. Nos países desenvolvidos, o fígado gordo é o principal novo problema hepático e no mundo o segundo cancerígeno mais comum depois do tabaco é a hepatite B. As doenças do fígado, no geral, vão ser um grande problema de saúde em todo o mundo, mas podem ser prevenidas com uma dieta melhor e um consumo de álcool mais reduzido.

Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 12 de Junho de 2008.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
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02/06/2008


Las grandes causas de muerte van a estar asociadas a la comida y a los virus


Diario EXPRESO - Lisboa - Entrevista con Fred Poordad, investigador especialista en hígado gordo de los Esatados Unidos.

La hepatitis B es ya el segundo cancerígeno más común en el mundo, después del tabaco. El investigador norteamericano Fred Poordad estuvo en Portugal y dejó un alerta: las enfermedades del hígado están a aumentar y la dieta es uno de los culpables.


¿Vino al Algarve presentar novedades en el tratamiento de la hepatitis C. Lo qué dijo a los médicos portugueses?
Hablé sobre los resultados de un estudio americano muy importante y que nos dio lecciones de destaque, por ejemplo, que es esencial para el éxito de la terapéutica reducir la presencia del virus. También presenté datos sobre los nuevos medicamentos que serán el porvenir de la terapia para la hepatitis C y que parecen aumentar la tasa de suceso en un 20% en mitad del tiempo, o sea, pasando de 48 para 24 semanas.

Estamos a hablar de nuevos medicamentos y de la forma de los combinar.
Sí. Son una nueva clase de medicamentos que actúan directamente contra el virus, impidiendo su replicación. Las antiguas terapéuticas usan el sistema inmunitario para destruir el virus y estas actúan en el propio virus. Por tanto, es un mecanismo totalmente diferente. Pero cuando se combinan éstos dos mecanismos de acción, uno estimula la respuesta del sistema inmunitario y el otro combate el virus directamente, luego, hay más hipótesis de matar el virus.

¿Estas noticias terapéuticas ya están en el mercado?
No. Son medicamentos nuevos que aún están en investigación, en ensayos clínicos de fase II y que pasarán para la fase siguiente aún este año. Pienso que de aquí a tres años será lanzado en el mercado, en simultáneo en EE.UU. y en Europa.

No tenemos ninguna vacuna contra la hepatitis C.
Es verdad y, probablemente, no vamos a tener en nuestro tiempo de vida. A no ser que sean realizados grandes progresos en el conocimiento que tenemos sobre vacunas.

Pero hay para el tipo B.
Sí, perol a hepatitis B es mucha más simple que a C. Ésta es más parecida con el virus del SIDA porque también es un retrovirus. Por tanto, en el día en el que tengamos una vacuna para la C será, probablemente, el mismo día en el que tendremos una vacuna para el VIH. Podemos prevenir la B, pero se ya estamos infectados es muy difícil de curar. Para la C no hay vacuna, pero es curable.

Pero el virologista que identificó el VIH admite el aparecimiento de una vacuna de aquí a cinco años.
No me parece. Gustaría pero me quedaría muy sorprendido. El virus muda y es muy difícil encontrar una vacuna. No hay un origen del virus que sea igual entre todas las variantes, cada virus es un poco diferente y la vacuna no iría a funcionar para todos. La hepatitis B es diferente porque existen semejanzas entre todas las estirpes y la vacuna funciona para todas.

¿Es verdad qué el virus de la hepatitis C es la principal causa de trasplante hepático y del 60% de enfermedades del hígado en los países desarrollados?
Diría que 40% a 60% de las enfermedades del hígado en los países desarrollados están relacionadas con la hepatitis C, que también es la principal causa de trasplante.

Y que tiene tendencia para volverse en una enfermedad crónica.
Sí. Casi todas las personas que son infectadas van a desarrollar una infección crónica. El porcentaje es del 80% y será para lo demás de la vida, a no ser que sea tratada y curada.

Por tanto, los enfermos tendrán que tomar medicamentos por el resto de su vida.
No. Toman durante un año, en que logramos tratar 40% a 45% de los enfermos. Las noticias descubiertas, de que hablé hace poco, podrán venir a aumentar ese número para 60% a 70% en apenas seis meses de tratamiento, por tanto, es una gran diferencia.

¿Se confirma qué 200 millones de personas son portadoras o están infectadas con el virus de la hepatitis C, más que con el VIH?
Está correcto. El VIH afecta 40 millones de personas en el mundo y la hepatitis C entre 170 a 200 millones de personas.

La incidencia del virus es del 0,3% en Europa y del 1,5% en EE.UU. ¿A qué se debe esta diferencia?
Está asociada a la etnia y al elevado porcentaje de afro-americanos en la faja de edad de los 30 a 60 años, con 6,5% de infectados. En esa faja de edad también existen 3,2% de caucasianos infectados. Por tanto, cuando se mira para la superioridad global las diferencias son grandes.

¿Y es posible explicar las diferencias entre africanos y caucasianos?
Es difícil de decir. Encontramos diferencias en la respuesta inmunitaria en etnias diferentes y, probablemente, la tasa de infección crónica también es diferente conforme la etnia. Hay muchas diferencias entre sistema inmunitario y etnia que no sabemos explicar.

¿Es verdad qué el virus solo infecta humanos y chimpancés?
Es. O sea, no hay ningún otro modelo animal, como un ratón, para la hepatitis C. Es por eso que es tan difícil estudiar la enfermedad.

Se dice que las personas infectadas pueden vivir 10 a 15 años sin síntomas de la enfermedad.
Algunas personas pueden mismo vivir toda la vida sin ninguna señal de la enfermedad. Lamentablemente, el problema es que no podemos prever quien va a tener, o no, una enfermedad de hígado. Si desarrollamos terapias razonables que sean fáciles de tolerar y con elevadas tasas de cura, quizá podamos mirar para la enfermedad como una infección y tratarla en vez de que nos quedemos a la espera que los enfermos desarrollen una enfermedad de hígado para poderles tratar. Es una diferencia en la filosofía.

Pero para eso es necesario hacer rastreos.
Actualmente, qué nosotros hacemos es mirar para las personas que tienen factores de riesgo.

¿Qué son?
Las personas que fueron sujetas a transfusiones de sangre (especialmente antes de 1990 y en países donde no se hacen pruebas a la hepatitis C), enfermos que tuvieron contacto con drogas - en especial inyectables pero también cocaína inhalada -, ex-cautivos y personas oriundas de países donde hubo una vacunación en masa sin recurso a agujas desechables, como el Bloque del Este de Europa donde los enfermos fueron infectados con el virus de la hepatitis C por los propios servicios de salud. Hay muchos factores de riesgo y varían de país para país. Lo ideal es que cada país tenga líneas orientadoras propias, basadas en su población y en los respectivos factores de riesgo, para hacer sus programas de rastreo.

¿Pero porque es qué el virus no evoluciona para una enfermedad crónica en todas las personas infectadas?
Lo mismo acontece con quien tenga la enfermedad crónica, unos desarrollan enfermedades de hígado y otros no. No sabemos por qué, apenas que hay factores que aumentan el riesgo de desarrollar una enfermedad crónica: el consumo de alcohol, diabetes, hígado gordo... hay otras cosas que aumentan el riesgo de enfermedad hepática pero no sabemos lo que muda.

En Portugal, el virus afecta 62% de los toxicodependentes, el porcentaje más elevado en Europa. ¿El país tiene un riesgo aumentado?
Es muy consistente que la mayoría de los países europeos tiene una superioridad entre 2,5% y 3% pero, repito, creo que cada país debe desarrollar un programa de rastreo adecuado a su población porque también está probado que los enfermos que no están diagnosticados van a desarrollar enfermedades hepáticas a largo término, y el costo para el sistema de salud es significativamente alto. Creo que los servicios de salud pueden ahorrar dinero con el rastreo, el tratamiento precoz y la prevención a largo plazo.

Portugal también lidera el consumo de alcohol "per capita" y los jóvenes están a sustituir el consumo de tabaco por alcohol y por comida poco saludable. Todo esto representa un riesgo aumentado...
Sí, y no solo para la hepatitis C pero también para el hígado gordo, que ya es un grave problema de salud en EE.UU. y en otros países desarrollados. El sedentarismo y la comida rápida están a fomentar el hígado gordo y la diabetes, factores de enfermedades hepáticas y también de progresión de la hepatitis C. Por eso, es importante para Portugal mirar para los cuidados de salud y tener atención a los enfermos con riesgo de desarrollar una enfermedad de hígado.

¿En EE.UU. existe algún programa en ese sentido?
Lo que estamos a intentar hacer es educar nuestros médicos de familia a mirar para los factores de riesgo de la hepatitis C y rastrear esos individuos. No tenemos un programa de rastreo general, en masa, como adoptamos para el VIH, pero desde Septiembre del año pasado que todos los enfermos que pasan por un prestador de cuidados de salud son rastreados. Por lo menos, ésa es la recomendación. Por tanto, quizá para la hepatitis C aún no sea necesario un programa de rastreo general, sino que puede ser mejor alentar los médicos de familia a fijarse a los factores de riesgo y, entonces, hacer pruebas a esas personas.

¿Hay vacuna para otros tipos de hepatitis?
Además de la B, también existe vacuna para la A. Esta hepatitis está asociada a la ingestión de comida infectada y, por tanto, en los países desarrollados no es un problema. Pero en EE.UU., en la frontera mejicana, hay un riesgo muy elevado y hoy tenemos un programa de vacunación en masa para los niños.

¿Por qué para niños?
Vacunamos los niños contra la hepatitis A y B porque es más fácil en logística rastrear las personas cuando están en la escuela. Y también porque una vez vacunadas se quedan protegidas para la vida.

¿Y el Estado paga?
Sí, para los niños es gratuito.

Los especialistas portugueses estiman que la necesidad de trasplantes hepáticos va a aumentar 500% en los próximos años. Este número parece un poco exagerado.
Ni por eso. Las proyecciones mundiales dicen que los trasplantes van a crecer en los próximos diez a 20 años y la principal razón es la población de infectados con hepatitis C y con hígado gordo, mucho semejante a los problemas provocados por el consumo excesivo de alcohol y que conducen al cirrosis, cancro...

¿Una persona con exceso de peso tiene el mismo riesgo de sufrir de hígado gordo que un consumidor excesivo de alcohol?
El riesgo es, además, probablemente, más elevado para la persona obesa. Solo 15% de los consumidores de alcohol desarrollan enfermedades hepáticas, pero el porcentaje de personas con obesidad que pueden desarrollar hígado gordo es mayor.

Por tanto, el riesgo de cancro existe cuando tenemos exceso de peso.
Desde luego. Todo lo que provoque cirrosis en el hígado aumenta el riesgo de cancro en el hígado. Pero, en todos los países desarrollados está aumentando el riesgo de enfermedad hepática entre los portadores de hepatitis C y obesos. La comida es muy importante para enfermedades cardiovasculares, diabetes, enfermedades hepáticas.

¿Además de la nueva combinación de medicamentos, qué otras novedades están en el camino?
Hay muchas farmacéuticas a buscar potenciales tratamientos para las enfermedades del hígado gordo, por tanto, éste es un problema de salud significativo y que va a liderar la investigación, a la par con nuevos medicamentos para hepatitis B y para el cancro del hígado. Para la hepatitis C están aún a ser estudiadas otras substancias. Pienso que en los próximos cinco a diez años vamos a tener "cocktails" de medicamentos para la hepatitis C con múltiples componentes que van a aumentar aún más el porcentaje de cura.

EE.UU. suelen ser una especie de laboratorio para todas las enfermedades asociadas al exceso de peso. ¿Cómo es qué están a controlar el problema?
Estamos en medio a una crisis en este campo y aún no sabemos cual es la solución. La educación es importante, pero también es importante la forma como las escuelas están ajustadas a los niños, por ejemplo, para aumentar la práctica de ejercicio físico. Es preciso reintegrar la actividad física en los programas escolares.

¿Pero no está?
Sí, pero es menos de lo que debería ser. En casa los padres tienen que estar atentos al hecho de los niños pasan más tiempo con videojuegos, sentados en el sofá comiendo en vez de salir a jugar en la calle y quemen calorías. Es preciso una política gubernamental, el empeño de las escuelas y de los padres en casa. Creo que los padres tienen una gran responsabilidad en la educación de los hijos para que sean más delgados y saludables.

¿Y la industria farmacéutica no tiene nuevas soluciones para combatir el exceso de peso?
(Risas) Sí, ésa es la manera fácil, pero una verdad triste que la industria farmacéutica se dedique a esa área, permitiendo que nos tornemos más perezosos y gordos. Creo que tenemos que ser responsables por nuestra propia salud, teniendo una dieta mejor y practicando ejercicio, dejando los laboratorios centrados en los esfuerzos para encontrar soluciones para las enfermedades infecciosas, donde aún hay un largo camino a recorrer.

¿En su opinión cuáles van a ser los principales factores de muerte en los próximos años?
Los principales factores van a continuar a ser las enfermedades cardiovasculares y la diabetes. En todo el mundo, el tercer cancro más mortal es el del hígado, que es también el sexto más común. Por tanto, creo que tenemos que estar atentos al hecho de las enfermedades del hígado, en general, están a aumentar y por eso necesitamos que los cuidados de salud se centren más en esta área en el porvenir próximo.

Por tanto, el mundo estaba muy preocupado con la SIDA y con el tabaco, pero parece que las grandes causas de muerte están relacionadas con la comida.
Sí, las grandes causas de muerte van a estar asociadas a la comida y también a los virus. En los países desarrollados, el hígado gordo es el principal nuevo problema hepático y en el mundo el segundo cancerígeno más común después del tabaco es a hepatitis B. Las enfermedades del hígado, en el general, van a ser un gran problema de salud en todo el mundo, pero pueden ser prevenidas con una dieta mejor y un consumo de alcohol más reducido.

Versión integral de la entrevista publicada en la edición del Expreso de 12 de Junio de 2008.

Traducción: Carlos Varaldo
Grupo Optimismo







Last updated 15.6.2008