26/02/2007
Nuvens pretas na saúde brasileira
Ano passado escrevi sobre a nova visão "econômica" e não "sanitarista" dos gestores da saúde pública. Os resultados desta visão começam a aparecer. Leia com atenção as notícias deste artigo, onde mostramos que para controlar despesas o raciocínio passa a ser dificultar o acesso a exames, tratamentos e medicamentos e, depois, pense e medite sobre o futuro dos doentes que dependem do sistema público de saúde.
1 - Em 28 de dezembro foi publicada a Portaria 3323/2006/GM/MS criando a CITEC - Comissão para Incorporação de Tecnologias do Ministério da Saúde.
É um assunto polemico e até perigoso, pois estão colocando em poucas mãos um poder de decisão sobre o uso de novos medicamentos, testes, procedimentos e equipamentos tanto no SUS como nos planos de saúde.
Ainda, pela sistemática a introdução de qualquer coisa nova no sistema poderá levar anos, prevalecendo sempre a opção econômica. Curiosamente o usuário não tem representação numa comissão desta importância a qual diz diretamente com o atendimento que vai receber.
Por que o CNS não faz parte desta CITEC? Quando da Consulta Pública (Portaria 2480/GM de 13/10/2006) lá figurava a sociedade civil e o CNS, mas na formação foram excluídos.
Ainda, na consulta pública se da a entender que um dos objetivos será regulamentar os protocolos objetivando evitar as ações judiciais, o que convenhamos, que isto pode ser muito perigoso já que vai limitar a opção terapêutica para os usuários do SUS não a aquilo aprovado pela ANVISA e sim ao que for aprovado pela CITEC. Passaremos então a ter a medicina daquele que pode adquirir o medicamento ou fazer determinado procedimento e por outro lado a medicina do usuário do SUS.
Em resumo, com esta sistemática qualquer novo medicamento, procedimento ou protocolo somente poderá ser autorizada para valer no SUS ou nos planos de saúde após passar pelos caminhos determinados pela CITEC, coisa que poderá levar meses ou até anos, sem interessar que o medicamento ou procedimento já esteja autorizado para comercialização no Brasil e disponível para quem pode pagar.
Por outro lado, cada individuo ou ONG tem tempo até final de março para solicitar mudanças nos protocolos, seguindo a rotina que consta na CITEC. Considero que o maior numero possível de ONGs, de forma isolada, deveria fazer suas solicitações, para ver se conseguimos avançar alguma coisa nos protocolos, nos testes, nos procedimentos e até nas biopsias.
É de fundamental importância participar ativamente. Lamentavelmente ficaríamos fora, já que mais esta portaria não nos foi comunicado pelo PNHV.
2 - Também, em 27 de outubro de 2006 foi publicada a Portaria 2577/2006/GM/MS a qual estabeleceu critérios rígidos para o fornecimento dos chamados medicamentos excepcionais, aqueles de alto custo utilizados em doenças crônicas ou por transplantados.
Portaria esta que absurdamente limita o numero de doses de medicamentos por patologia ao criar um teto para os repasses. Se for ultrapassada a quantidade estabelecida na Portaria ou se um paciente necessitar de dosagem superior a estabelecida por esta Portaria a despesa excedente deverá ser por conta da secretaria estadual da saúde. O ministério da saúde lava as mãos nestes casos.
Assim, novos pacientes ficarão sujeitos aos novos tetos. O secretário da saúde de São Paulo, Dr. Barradas, declarou aos jornais que os pacientes em alguns casos deixaram de tomar os medicamentos, a não ser que paguem do próprio bolso. Secretários da Saúde estão solicitando ao ministério uma revisão dos critérios e até ONGs estão recorrendo ao Ministério Publico Federal, como o fez o GADA de São José do Rio Preto.
3- Estrategicamente na sexta-feira anterior ao carnaval para assim evitar maior exposição na imprensa o presidente da republica determinou o contingenciamento de 16 bilhões de reais do orçamento aprovado para 2007.
O ministério que sofreu o maior corte foi o da saúde, perdendo R$. 5,7 bilhões. Dos R$. 40,6 bilhões previstos para 2007, a nova receita será de somente 34,9 bilhões, R$ 585 milhões a menos do que 2006, ano em que a pasta recebeu R$ 35,4 bilhões.
A medida viola a Emenda Constitucional 29, que determina que o orçamento da Saúde não poderá ser menor que o do ano anterior, acrescido da variação do PIB (Produto Interno Bruto).
4 - Já se encontra em vigor o Laudo para emissão de APAC especifico para o tratamento da hepatite C, fato também não informado as ONGs.
Nesta nova APAC é possível que o médico possa solicitar a eritropoetina, a Filgrastima e, ainda, interferon convencional de 5 e 10 milhões. Mas como o protocolo do próprio Ministério da Saúde não autoriza a entrega destes medicamentos para o tratamento da hepatite C os estados estão negando estes medicamentos.
Fica a pergunta, porque uma APAC deste tipo se o protocolo e ainda o do ano 2002 que não autoriza estes medicamentos? Para que judiar médicos e pacientes que irão receber um NÃO da secretaria da saúde?
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Portaria 3323/2006/GM/MS - Portaria 2480/GM/MS - Portaria 2577/2006/GM/MS - MP Contingenciando o Orçamento de 16/02/2007 - Laudo Para Emissão de APAC
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
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26/02/2007
Nubes negras en la salud brasileña
Año pasado escribí sobre la nueva visión "económica" y no "sanitarista" de los gestores de la salud pública en el Brasil. Los resultados de esta visión empiezan a aparecer. Lea con atención las noticias de este artículo, donde mostramos que para controlar gastos el raciocinio pasa a ser dificultar el acceso a exámenes, tratamientos y medicamentos y, después, piense y medite sobre el porvenir de los enfermos que dependen de el sistema público de salud.
1 - El 28 de diciembre fue publicada la Resolución 3323/2006/GM/MS creando la CITEC - Comisión para Incorporación de Tecnologías de el Ministerio de la Salud.
Es un asunto polémico y hasta peligroso, pues están colocando en pocas manos un poder de decisión sobre el uso de nuevos medicamentos, tests, procedimientos y equipos en el sistema público de salud.
Aún, por la sistemática la introducción de cualquier cosa nueva en el sistema podrá llevar años, prevaleciendo siempre la opción económica. Curiosamente el usuario no tiene representación en una comisión de esta importancia la cual dice directamente con el servicio que vaya a recibir.
¿Por qué el Consejo Nacional de la Salud (órgano que representa los usuarios) no hace parte de esta CITEC? Cuando de la consulta pública el Consejo Nacional de la Salud (Resolución 2480/GM de 13/10/2006) allá figuraba la sociedad civil y el Consejo Nacional de la Salud, pero cuando de su criación fueron excluidos.
Aún, en la consulta pública se da a entender qué uno de los objetivos será reglamentar los protocolos objetivando evitar las acciones jurídicas para requerir tratamiento, lo que convengamos puede ser muy peligroso ya que va a limitar la opción terapéutica para los usuarios de el sistema publico, no a aquello aprobado por el gobierno para ser comercializado en el Brasil y sí a lo que sea aprobado por la CITEC. Pasaremos entonces a tener la medicina de aquél que puede adquirir el medicamento o hacer determinado procedimiento pagando y por otro lado la medicina de el usuario del sistema publico.
En resumen, con esta sistemática cualquier nuevo medicamento, procedimiento o protocolo solamente podrá ser autorizada para valer en el sistema publico de salud después de pasar por los caminos determinados por la CITEC, cosa que podrá llevar meses o hasta años, sin interesar que el medicamento o procedimiento ya esté autorizado para comercialización en Brasil y disponible para quien pueda pagar.
2 - También, el 27 de octubre de 2006 fue publicada la Resolución 2577/2006/GM/MS la cual estableció criterios rígidos para el suministro de los llamados a medicamentos excepcionales, aquéllos de alto costo utilizados en enfermedades crónicas o por trasplantados.
Resolución ésta que absurdamente limita el número de dosis de medicamentos por patología al crear un techo para los repasos. Si es ultrapasada la cantidad establecida en la Resolución o si un paciente necesitar dosis superior a la establecida por esta Resolución el gasto excedente deberá ser por cuenta de la secretaría estadual o provincial de la salud. El ministerio de la salud lava las manos en estos casos.
Así, nuevos pacientes se quedarán sujetos a los nuevos límites. El secretario de la salud de San Pablo declaró a los periódicos que los pacientes en algunos casos dejarán de tomar los medicamentos, a no ser que paguen de el propio bolsillo. Secretarios de la Salud están solicitando al ministerio una revisión de los criterios y hasta ONGs están recurriendo al Ministerio Publico Federal (Fiscalia), como lo hizo el GADA de San José de Rio Preto.
3- Estratégicamente el viernes anterior al carnaval para así evitar mayor exposición en la prensa el presidente de la republica determinó la reducción de 16 mil millones de reales de el presupuesto aprobado para 2007.
El ministerio que sufrió el mayor corte fue el de la salud, perdiendo R$. 5,7 mil millones. De los R$. 40,6 mil millones previstos para 2007, la nueva receta será de solamente 34,9 mil millones, R$ 585 millones a menos que 2006, año en el que el ministerio recibió R$ 35,4 mil millones.
La medida viola a Enmienda Constitucional 29, que determina que el presupuesto de la Salud no podrá ser menor que el de el año anterior, aumentado de la variación del PIB (Producto Interno Bruto).
Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente:
Portaría 3323/2006/GM/MS - Portaría 2480/GM/MS - Portaría 2577/2006/GM/MS - MP bloqueando el presupuesto de 16/02/2007
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo