17/09/2007
Importante aumento no orçamento programa de hepatites para 2008
O Ministério da Saúde na proposta de orçamento para 2008 está prevendo um aumento da verba para o PNHV - Programa Nacional de Hepatites Virais - de incríveis trezentos mil reais. Sim, ninguém está lendo errado, somente trezentos mil reais acima dos nove milhões previstos para 2007. Isto, se o Ministério do Planejamento não realizar algum corte antes do envio ao Congresso.
A proposta de orçamento já se encontra na nossa pagina, no LINK:
http://www.hepato.com/orcamento_2008_web2.htm
Para facilitar a visualização marquei
em vermelho a verba destinada ao PNHV e,
em azul, a verba do Programa de AIDS e Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST/AIDS, para o qual está previsto um orçamento de quase um bilhão e quatrocentos milhões de reais, representando 150 vezes mais que o destinado as hepatites.
Como cada programa deve solicitar a inclusão de verbas em relação a aquilo que pretende realizar no ano próximo, fica obvio que não existem projetos ou idéias no PNHV o qual nada de importante pretende fazer em 2008. Se não estão previstos recursos é porque não existem projetos. Somente promessas que nunca serão efetivadas é que podem ser feitas sem verbas! Ou seja, 2008 será mais um ano perdido nas hepatites, ficando sempre nas promessas e no lenga lenga dos ditos responsáveis.
Parece piada, mas o colocado nos parágrafos acima e a pura verdade da farsa que está acontecendo com as hepatites.
Os resultados demonstram que já é hora para acabar de vez com o PNHV
A hepatite B e um exemplo clássico do fracasso do PNHV. Após cinco anos de programa pouco mais de 2.000 pacientes estão recebendo tratamento no Brasil, representando oferecer tratamento a 1 entre cada 1.000 infectados.
Não se consegue entender porque sendo a hepatite B uma doença sexualmente transmissível (até com 100 vezes mais facilidades que a AIDS) ela não se encontra inserida no programa DST/AIDS. É um absurdo que a hepatite B seja a única DST que não e cuidada pelo programa DST/AIDS.
Deveria dar vergonha ao ministro da saúde o fato que a página do programa de DST/AIDS, encontrada em
http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS5DE08DEAITEMID55738BE8A8724AD6825105B6BBCFFDB6PTBRIE.htm
a hepatite B nem sequer seja relacionada entre as doenças sexualmente transmissíveis.
Podem acessar a página e ver com os próprios olhos, pois e inacreditável que
isso esteja acontecendo. A maior das DST em numero de infectados é ignorada pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis.
É hora de acabar com essa farsa em relação às hepatites. O programa DST/AIDS
não cuida da hepatite B porque "aparentemente" temos um Programa de Hepatites, quando na realidade, pelos resultados conseguidos nada temos que realmente apresente algum resultado pratico. São cinco anos sem resultados. Podem alardear que esta em andamento um inquérito Domiciliar Nacional, mas e bom avisar que esse projeto de 2002 foi ainda uma iniciativa da coordenação anterior, assim como os protocolos de tratamento. De 2003 até agora nada de novo foi realizado ou proposto, a não serem mentiras e promessas não cumpridas.
Não seria melhor tomar a decisão política de retirar a hepatite B do PNHV e que o mesmo passe a ser cuidada pelo programa de DST/AIDS?
Proponho isso porque os médicos infectologistas que cuidam da AIDS estão plenamente
capacitados e podem rapidamente tratar da hepatite B, doenças onde o acompanhamento
dos pacientes, a forma de tratamento e a importância da carga viral são exatamente
iguais. Até a resistência aos medicamentos e as formas de transmissão e prevenção
são iguais. Quem cuida da pacientes com HIV/AIDS possui condições de passar a tratar pacientes com hepatite B. Até a coinfecção HIV/HCV deve ser tratada pelos infectologistas.
Em relação à hepatite C, bom, vamos acabar com tudo o existente e idealizar um programa especifico para hepatite C, este sim, em mãos de hepatologistas. Não existem condições de consertar o PNHV. Ele deve acabar e se pensar em uma nova estrutura, tal vez um programa especifico, ligado a Secretaria de Atenção a Saúde, já que ao existir poucos novos casos da doença o maior problema e a atenção aos doentes e, não, um problema epidemiológico.
AGRADECIMENTOS:
Este tema foi colocado durante a semana para discussão entre as associações de pacientes e ONGs que cuidam das hepatites. Queria então agradecer publicamente aquelas que já se mostraram indignadas com a situação e acham que alguma coisa deve ser feita (outras ainda estarão se manifestando). São elas:
BA - Salvador - Grupo Vontade de Viver de Apoio ao Portador de Hepatite C
MA - São Luis - Grupo UNA-C de Apoio a Portadores de Hepatite C
RJ - Niterói - Grupo Gênesis de Apoio a Portadores de Hepatite C
RS - MARAU - Associação Marauense de Hepatite C - AMHE-C
SC - Florianópolis - Grupo Hercules de Apoio a Portadores de Hepatite C
SP - Osasco - GAPHOR - Núcleo de apoio ao portador de hepatite B e C de Osasco e região
SP - São Paulo - Unidos Venceremos - Grupo de Apoio a Portadores de Hepatite C
Os que desejarem reclamar escrevendo ao Ministro da Saúde podem utilizar o e-mail
portal.saude@saude.gov.br e solicitar para encaminhar ao Dr. José Gomes Temporão.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo