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26/11/2010


Pensando com o umbigo: Um só peguilado é mais que suficiente!


Um dos estudos apresentados no Congresso Americano de Fígado, o AASLD 2010 realizado este mês, avaliava em quanto poderá aumentar o custo do tratamento da hepatite C por culpa dos efeitos colaterais e adversos que estarão acontecendo quando forem incorporados os inibidores de proteases ao tratamento com interferon peguilado e ribavirina. Não estarei falando sobre os custos calculados já que eles são referentes aos Estados Unidos, onde os preços de medicamentos, procedimentos hospitalares e consultas médicas são totalmente diferentes com a realidade de outros países, não podendo por isso fazer comparações.

Mas estarei aproveitando os dados apresentados daquilo que foi encontrado em relação aos efeitos adversos e colaterais que aconteceram ao analisar dados publicados de cinco ensaios clínicos de pacientes tratados com interferon peguilado e ribavirina e de sete ensaios clínicos realizados com a combinação dos inibidores de proteases Telaprevir e Boceprevir combinados ao interferon peguilado e ribavirina.

Foi encontrado que no tratamento com Boceprevir, interferon peguilado e ribavirina em tratamento de 48 semanas, 52% dos pacientes apresentaram anemia, 28% depressão, 24% diarréia e 22% prurido (erupções cutâneas).

No tratamento com Boceprevir, interferon peguilado e ribavirina realizado em 28 semanas, 56% dos pacientes apresentaram anemia, 20% depressão, 26% diarréia e 18% prurido (erupções cutâneas).

Pacientes tratados com Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina em tratamento de 48 semanas, 29% dos pacientes apresentaram anemia, 19% depressão, 34% diarréia e 61% prurido (erupções cutâneas).

No tratamento com Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina realizado em 24 semanas, 32% dos pacientes apresentaram anemia, 21% depressão, 33% diarréia e 54% prurido (erupções cutâneas).

Para efeito de comparação, nos três ensaios clínicos os pacientes tratados somente com interferon peguilado e ribavirina, sem nenhum dos inibidores de proteases, 27% dos pacientes apresentaram anemia, 21% depressão, 26% diarréia e 29% prurido (erupções cutâneas).

Meus comentários deduções e conclusões:

1 - Enquanto com o tratamento atual 27% dos pacientes apresentam anemia, com o tratamento utilizando o Telaprevir a percentagem dos que desenvolvem anemia continua igual ao atual, mas com a utilização do Boceprevir a anemia pode atingir até 56% dos pacientes. Um médico consciente qual dos dois inibidores de proteases indicaria para um paciente que antes do tratamento já apresenta uma taxa de hemoglobina perto do limite mínimo aceitável?

2 - No tratamento atual 26% apresentam diarréia, já com um dos inibidores de proteases a diarréia acontecerá em até 34% dos pacientes. Se o histórico do paciente mostra casos de intestino "frouxo" o médico vai indicar o inibidor que mantém a mesma percentagem de casos atuais ou vai indicar o inibidor que aumenta a diarréia fazendo com que a qualidade de vida do paciente seja prejudicada?

3 - O prurido é um problema dermatológico insuportável para muitos pacientes ocasionados pela desidratação causada pelo interferon, com erupções cutâneas que necessitam atenção especializada para evitar infecções, o qual hoje pode acometer até 29% dos pacientes e, que conforme demonstrado um inibidor de protease pode provocar o efeito adverso em até 61% dos pacientes, estaria um médico consciente indicando tal medicamento a um paciente que antes do tratamento apresenta problemas dermatológicos?

4 - Coloquei no título deste artigo o sugestivo nome de "Pensando com o umbigo" devido à intenção do Ministério da Saúde de querer discriminar os infectados com hepatite C que dependem de tratamento gratuito no SUS impondo somente um dos dois interferons peguilados registrados no Brasil. E seguramente uma idéia genial, pois os dois fabricantes estarão brigando e aquele que apresentar o menor preço terá o monopólio total, obrigando o concorrente que ficará sem mercado no Brasil a demitir quase uma centena de funcionários (a Presidenta eleita diz que quer criar empregos e o Ministério da Saúde vai ao sentido contrario).

Digo "Pensando com o umbigo" porque tal economia resultará no atraso científico do Brasil em relação ao resto do mundo. O fabricante que ficar fora do mercado não terá nenhum interesse em continuar realizando atualização dos médicos nem financiar congressos e, o fabricante que ficou com a totalidade do mercado também não precisará gastar dinheiro com isso, pois todos serão tratados com seu medicamento.

Digo, também, "Pensando com o umbigo" porque está sendo olhada a economia que poderá ser realizada hoje, mas não se pensou no que vai acontecer daqui a 12 meses quando chegarem os inibidores de proteases. Qualquer um pode imaginar que quando o governo chamar a licitação para sua aquisição aquele fabricante que ficou fora do mercado vai apresentar o menor preço e, assim, o governo deverá comprar um medicamento que não serve para ser utilizado com o interferon peguilado que existe no estoque por não existirem ensaios clínicos que recomendem a sua utilização, devendo então jogar no lixo o estoque ou passar a comprar o interferon peguilado que combina com tal inibidor ao preço que o fabricante impor, sem negociação.

Poderá também o governo comprar sem licitação, convidando aquele fabricante que possui o monopólio de fornecimento de interferon peguilado para adquirir o inibidor de protease que ele mesmo distribui, mas nesse caso, com certeza, o preço será alto, pois não existira possibilidade de escolha nem licitação.

Resumindo para fechar, se o "Pensando com o umbigo" se impor no Ministério da Saúde, a ilusão de ótica que aparenta ser uma economia hoje será uma despesa muito superior daqui a pouco, doze meses no máximo. Isso sem contar que todos os médicos conscientes estarão indicando ao paciente o interferon peguilado que considerem ser o mais adequado para seu paciente, ocasionando uma nova avalanche de ações judiciais e sobrecarregando os estados, pois serão os estados que deverão adquirir o medicamento receitado, o qual pela Constituição Federal é um direito assegurado do cidadão.

Fica a sugestão se não seria o momento do Ministério da Saúde reconhecer com humildade que poderão acontecer problemas e discutir o assunto mais detalhadamente, de forma aberta, realizando uma audiência pública?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte dos dados estatísticos:
AASLD 2010 - Abstract 1935 - Adverse Event-Related Treatment Costs Associated with Protease Inhibitor-Based Combination Therapy for Hepatitis C - S. Haider; J. M. Stephens; J. Carter; X. Gao; V. K. Rustgi.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo




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26/11/2010


Pensando con el ombligo: ¡Un solo pegilado es más qué suficiente!


Uno de los estudios presentados en el Congreso Americano de Hígado, el AASLD 2010 realizado este mes, evaluaba en cuanto podrá aumentar el costo del tratamiento de la hepatitis C por culpa de los efectos secundarios y adversos que estarán aconteciendo cuando sean incorporados los inhibidores de proteasas al tratamiento con interferón pegilado y ribavirina. No estaré hablando sobre los costos calculados ya que ellos son referentes a Estados Unidos, donde los precios de medicamentos, procedimientos hospitalarios y consultas médicas son totalmente diferentes con la realidad de otros países, no pudiendo por eso hacer comparaciones.

Pero estaré aprovechando los datos presentados de aquello que fue encontrado con relación a los efectos adversos y secundarios que acontecieron al analizar datos publicados de cinco ensayos clínicos de pacientes tratados con interferón pegilado y ribavirina y de siete ensayos clínicos realizados con la combinación de los inhibidores de proteasas Telaprevir y Boceprevir combinados al interferón pegilado y ribavirina.

Fue encontrado que en el tratamiento con Boceprevir, interferón pegilado y ribavirina en tratamiento de 48 semanas, 52% de los pacientes presentaron anemia, 28% depresión, 24% diarrea y 22% prurito (erupciones cutáneas).

En el tratamiento con Boceprevir, interferón pegilado y ribavirina realizado en 28 semanas, 56% de los pacientes presentaron anemia, 20% depresión, 26% diarrea y 18% prurito (erupciones cutáneas).

Pacientes tratados con Telaprevir, interferón pegilado y ribavirina en tratamiento de 48 semanas, 29% de los pacientes presentaron anemia, 19% depresión, 34% diarrea y 61% prurito (erupciones cutáneas).

En el tratamiento con Telaprevir, interferón pegilado y ribavirina realizado en 24 semanas, 32% de los pacientes presentaron anemia, 21% depresión, 33% diarrea y 54% prurito (erupciones cutáneas).

Para efecto de comparación, en los tres ensayos clínicos los pacientes tratados solamente con interferón pegilado y ribavirina, sin ninguno de los inhibidores de proteasas, 27% de los pacientes presentaron anemia, 21% depresión, 26% diarrea y 29% prurito (erupciones cutáneas).

Mis comentarios deducciones y conclusiones:

1 - Mientras con el tratamiento actual 27% de los pacientes presentan anemia, con el tratamiento utilizando el Telaprevir el porcentaje de los que desarrollan anemia continúa igual al actual, pero con la utilización del Boceprevir la anemia puede alcanzar hasta 56% de los pacientes. ¿Un médico consciente cuál de los dos inhibidores de proteasas indicaría para un paciente qué antes del tratamiento ya presenta una tasa de hemoglobina cerca del límite mínimo aceptable?

2 - En el tratamiento actual 26% presentan diarrea, ya con uno de los inhibidores de proteasas la diarrea acontecerá en hasta 34% de los pacientes. ¿Si el histórico del paciente muestra casos de intestino "flojo" el médico va a indicar el inhibidor qué mantiene la misma porcentaje de casos actuales o va a indicar el inhibidor qué aumenta la diarrea haciendo con qué la calidad de vida del paciente sea perjudicada?

3 - El prurito es un problema dermatológico insoportable para muchos pacientes ocasionados por la deshidratación causada por el interferón, con erupciones cutáneas qué necesitan atención especializada para evitar infecciones, lo cuál hoy puede acometer hasta 29% de los pacientes y, qué según demostrado un inhibidor de proteasa puede provocar el efecto adverso en hasta 61% de los pacientes. ¿Estaría un médico consciente indicando tal medicamento a un paciente qué antes del tratamiento presenta problemas dermatológicos?

4 - Puse en el título de este artículo el sugestivo nombre de "Pensando con el ombligo" debido a la intención del Ministerio de la Salud de Brasil de querer discriminar los infectados con hepatitis C que dependen de tratamiento gratuito en el sistema público de salud imponiendo solamente uno de los dos interferones pegilados registrados en Brasil. Es seguramente una idea genial, pues los dos fabricantes estarán peleando y aquél que presentar el menor precio tendrá el monopolio total, obligando el concurrente que se quedará sin mercado en Brasil a dimitir casi una centena de empleados (la Presidenta electa dice que quiere crear empleos y el Ministerio de la Salud va en el sentido contrario).

Digo "Pensando con el ombligo" porque tal economía resultará en el atraso científico de Brasil con relación al resto del mundo. El fabricante que queda fuera del mercado no tendrá ningún interés en continuar realizando actualización de los médicos ni financiar congresos y, el fabricante que se quedó con la totalidad del mercado también no necesitará gastar dinero con eso, pues todos serán tratados con su medicamento.

Digo, también, "Pensando con el ombligo" porque está siendo solo mirada la economía que podrá ser realizada hoy, pero no se pensó en lo que va a acontecer de aquí a 12 meses cuando lleguen los inhibidores de proteasas. Cualquiera puede imaginar que cuando el gobierno llame la licitación para su adquisición aquel fabricante que se quedó fuera del mercado va a presentar el menor precio y, así, el gobierno deberá comprar un medicamento que no sirve para ser utilizado con el interferón pegilado que existe en el almacén porque no existen ensayos clínicos que recomienden su utilización, debiendo entonces tirar al tacho de la basura el existente o pasar a comprar el interferón pegilado que combina con tal inhibidor al precio que el fabricante imponer, sin negociación.

Podrá también el gobierno comprar sin licitación, invitando aquel fabricante que posee el monopolio de suministro de interferón pegilado para adquirir el inhibidor de proteasa que él mismo distribuye, pero en ese caso, con certeza, el precio será alto, pues no existirá selección ni licitación.

Resumiendo para cerrar, si el "Pensando con el ombligo" si impone en el Ministerio de la Salud, la ilusión de óptica que aparenta ser una economía hoy será un gasto muy superior de aquí a poco, doce meses a lo más. Eso sin contar que todos los médicos conscientes estarán indicando al paciente el interferón pegilado que consideren ser el más adecuado para su paciente, ocasionando una nueva avalancha de acciones judiciales y sobrecargando los estados, pues serán los estados que deberán adquirir el medicamento recetado, el cual por la Constitución Federal es un derecho asegurado del ciudadano.

¿Queda la sugestión si no sería el momento del Ministerio de la Salud reconocer con humildad qué podrán acontecer problemas y discutir el asunto más detalladamente, de forma abierta, realizando una audiencia pública?

Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente de los datos estadísticos:
AASLD 2010 - Abstract 1935 - Adverse Event-Related Treatment Costs Associated with Protease Inhibitor-Based Combination Therapy for Hepatitis C - S. Haider; J. M. Stephens; J. Carter; X. Gao; V. K. Rustgi.


Carlos Varaldo
Grupo Optimismo




Carlos Varaldo Grupo Optimismo. Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores de las diversas actividades.
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Last updated 26.11.2010