GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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10/04/2006


As hepatites não são prioridades no Brasil


Quanto mais procuramos conhecer o funcionamento do sistema público de saúde em relação as hepatites, mais admiramos seus conceitos e propostas. Ao mesmo tempo, cada vez mais nos perguntamos, perplexos, qual a razão do imenso abismo entre as promessas e a prática. Atos politiqueiros de um lado e falta de vontade política de outro, medem o abandono a que mais de seis milhões de brasileiros doentes são condenados, comprometendo gravemente a sua saúde e sua qualidade de vida, muitos condenados certamente a morte pela omissão do estado.

A todos nós cabe a reflexão sobre o quanto deixamos de caminhar exatamente pelo fato de as hepatites não ser uma prioridade nacional. E o que comprova isso são atos emanados do Ministério da Saúde nos últimos sete anos. Vejamos alguns poucos entre muitos exemplos.

27/06/1999 - Cartazes de sala serão distribuídos a todos os consultórios odontológicos do Sistema Único de Saúde. Essa iniciativa é outra forma importante de prevenção contra a infecção pelo vírus da Hepatite C - Informa por Oficio o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS

29/06/2000 - O diagnóstico da hepatite C pode ser realizado, em uma das 49.260 Unidades Ambulatoriais do SUS - Responde por e-mail o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS

27/11/2002 - O Ministério da Saúde lançou ontem campanha sobre a hepatite, doença grave, mas pouco conhecida pela população. Considerada pela OMS a provável causadora de uma grande epidemia mundial, a hepatite viral também é pouco dominada pelos médicos da rede básica de saúde. "Com a informação, queremos melhorar tanto a prevenção quanto a rapidez no diagnóstico", afirma o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais, Antônio Carlos Toledo.

10/12/2002 - Uma forte chuva, provocando enchentes em vários pontos de Brasília (pela primeira vez na história da Capital) alagou o deposito e danificou todo o material da campanha divulgada no último dia 27 de novembro, assim, para azar da hepatite C a campanha foi suspensa.

Maio de 2003 - A primeira campanha é colocada nas ruas, com um cartaz divulgando as hepatites e informando (ou melhor, desinformando) que "todas as hepatites (A, B, C, D e E) apresentam sintomas iguais, como ficar amarelo ou urina escura" e continua afirmando que todas elas se transmitem, entre outras formas, pela boca, pelos alimentos ou pela água, colocando todas por igual quanto a suas formas de contaminação. Poucos dias depois, alertado o Congresso Nacional e o Ministro da Saúde o cartaz foi recolhido e incinerado. Foi um desastre total, um desrespeito a população.

12/11/2003 - A promessa da testagem nos CTAs foi feita pelo Dr. Jarbas Barbosa no encontro dos grupos, com inicio piloto em alguns CTAs em fevereiro de 2004 e total implementação até o mês de julho de 2004.

20/12/2004 - O Dr. Jarbas Barbosa em entrevista ao programa Espaço Aberto da GLOBO-NEWS declarou que todos os CTAs do Brasil já estavam testando a hepatite C.

Maio de 2005 - Foi feita uma desastrada campanha na televisão educativa informando a realização dos testes nos CTAs, porem, praticamente nenhum deles tinha recebido os kits.

08/03/2006 - Até o dia 17 de março o Dr. Jarbas Barbosa deveria enviar as ONGs um rascunho de um novo Programa Nacional de Hepatites o qual seria discutido na semana seguinte na Câmara de Deputados, de forma conjunta entre o Ministério da Saúde, a Frente Parlamentar e as ONGs. Somente foi enviado em 7 de abril, após a saida do ministro.

08/03/2006 - Em audiência o Ministro da Saúde garantiu que os medicamentos para tratamentos das hepatites, em especial o Interferon Peguilado seriam adquiridos de forma centralizada pelo Ministério da Saúde e distribuído aos estados e, ainda, para acelerar tal portaria solicitou ao Dr. Jarbas Barbosa que fosse adaptada a Portaria assinada semana anterior para centralizar a compra dos imunossupressores. Conforme externou, a intenção e a de assinar a portaria da compra centralizada antes da descompatibilização do cargo. O ministro saiu e a promessa foi junto.

Aqui estão apenas alguns exemplos do descaso de nossos governantes com os temas ligados às hepatites, confirmando que na prática não é uma prioridade nacional.

De nossa parte, fica uma sugestão. Que de agora em diante pensemos um pouco mais a respeito disto na medida em que nos dará uma clara e inequívoca visão de grau de comprometimento dos gestores da saúde com as necessidades dos cidadãos brasileiros.

Desde 1999, data da primeira promessa do Ministério da Saúde até 2006 passaram sete anos e neste período as estimativas mais conservadoras calculam em mais de setenta mil as mortes por culpa da hepatite C, por culpa de ações efetivas, por culpa da omissão do governo.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo







Last updated 7.4.2006