GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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Rio de Janeiro - RJ - Brasil
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09/08/2007


Explicando por que não aceitamos comparecer.

"Capacitação em Redução de Danos"


Recebemos do Programa Nacional de Hepatites Virais - PNHV o convite a seguir:

Nos próximos dias 04 e 05 de setembro se realizará, em Brasília, o Seminário Nacional sobre a articulação das ações e redução de danos no âmbito do SUS. Esta é uma iniciativa conjunta entre a Área Programática de Saúde Mental, o Programa Nacional de Hepatites Virais e o Programa Nacional de DST/Aids.
Este evento tem por objetivos ampliar o debate sobre a redução de danos, discutir e propor estratégias para as necessidades atuais das pessoas que usam álcool e outras drogas e atualizar diretrizes no campo da redução de danos à saúde. Assim, vimos por meio deste convidar V.Sa. para participar do Seminário.
O Ministério da Saúde custeará passagem aérea, hospedagem e alimentação, favor enviar ficha de cadastro com os vôos.


O Grupo Otimismo não vai comparecer porque não concorda com este tipo de ação por parte do Programa Nacional de Hepatites Virais - PNHV, pelos motivos, a saber:

1 - As ações de redução de danos foram criadas e sempre desenvolvidas pelo Programa DST/AIDS objetivando prevenir as doenças que se transmitem sexualmente ou pelo uso compartilhado de drogas, com sucesso nos seus objetivos. Inicialmente objetivavam evitar a co-infecção entre os usuários de drogas e com o tempo o programa foi ampliando para diversas populações especificas.

2 - Nas hepatites a prevenção de novos infectados é muito importante, principalmente em relação à hepatite B por se tratar de uma doença que se transmite sexualmente, até com maior facilidade que a AIDS. Mas como já existe um programa para cuidar das doenças sexualmente transmissíveis, o DST/AIDS, a prevenção já se encontra inserida nesse programa especifico.

3 - O conceito de "redução de danos" nas hepatites e muito mais amplo que simplesmente prevenir novas infecções, isto porque é estimado que 97% infectados com as hepatites B e C ainda não foram diagnosticados. Não sabendo que se encontram doentes, o dano ao fígado continua progredindo de forma implacável e silenciosa.

São seis milhões de DOENTES que estão sendo ignorados pelo governo, sem campanhas de detecção, de informação ou de alerta e, sem muitas opções de receber tratamento quando diagnosticados.

É para encontrar estes indivíduos que devemos realizar campanhas de redução de danos, para evitar que eles evoluam para danos irreparáveis a sua saúde. Para evitar a cirrose, o câncer e a morte.

4 - Todas as associações de pacientes (ONGs) que existem nas hepatites foram formadas por portadores procurando divulgar informações, conseguir medicamentos, exames e tratamentos. Também sempre realizaram trabalhos para alertar sobre a necessidade do teste de detecção. É neste sentido da redução de danos, do dano que progride nos infectados, que o Grupo Otimismo e a grande maioria das ONGs de hepatites têm ou deveriam ter, seu objetivo centrado.

5 - Querer mudar esse objetivo, levando as ONGs de hepatites e trabalhar junto as ONGs de DST/AIDS é desvirtuar o trabalho de prevenção aos danos a saúde dos infectados com as hepatites. Existem 600 ONGs de DST/AIDS no Brasil, praticamente 12 vezes mais que as ONGs de hepatites. São mais que suficientes para realizar o trabalho de redução de danos e à prevenção de novos infectados.

6 - O trabalho de prevenção de danos aos infectados com as hepatites não parece ser prioridade do Programa Nacional de Hepatites Virais - PNHV. As ações e os resultados demonstram o seguinte:

6.A - Três grandes fatos aconteceram desde a criação do PNHV em 2002, sendo o protocolo de tratamento da hepatite B, o da hepatite C e o Inquérito Domiciliar de Prevalencia das Hepatites. Todos os três tiveram aprovação no ano de 2002, durante a coordenação do programa pelo Dr. Antonio Toledo.

6.B - A partir de 2003, com o novo governo mudou a coordenação do programa, o qual passou a ser coordenado pela Dra. Gerusa Figueiredo.

6.C - Desses três pontos importantes temos a lamentar que os protocolos de tratamento das hepatites B e C, apesar das dezenas de promessas em diversos eventos e congressos, nunca foram atualizados nesses cinco anos, condenando os pacientes a receberem tratamentos e medicamentos ultrapassados ou a recorrer a justiça. O Inquérito Domiciliar estava previsto para acabar em 2005, estamos no final de 2007 e somente agora teve inicio nas regiões Sul e Sudeste não tendo previsão para a região Norte. Com sorte teremos os dados para o final de 2008, com três ou mais anos de atraso.

6.D - Nestes cinco anos não se gastou sequer um centavo em campanhas de divulgação e alerta sobre a necessidade da detecção das hepatites na TV, Radio, Jornais ou Revistas. A aludida campanha de 2005 fez o material, mas tentou que as empresas veiculassem de graça, sem receber pagamento. O resultado foi um fracasso total.

COMENTÁRIO FINAL:

Em 2005 foram notificados 9.523 casos de hepatite B e 7.998 casos de hepatite C. Continuando com este mesmo andar da carruagem do PNHV daqui a 20 anos teremos detectado cento e noventa mil (10%) dos dois milhões de infectados com a hepatite B e cento e sessenta mil (4%) dos quatro milhões de infectados com a hepatite C.

Podemos então afirmar que 96% dos infectados com a hepatite C e 90% dos infectados com a hepatite C irão progredir no seu dano hepático e morrer sem sequer saber que estavam doentes.

Não deveria ser direcionada a "redução de danos" para evitar esse genocídio? Até quando o PNHV vai brincar de faz de conta ao ignorar uma situação desse tamanho?

Pelos motivos acima, em respeito à dignidade de nossos 23.000 associados, o Grupo Otimismo não aceita o convite realizado, lamenta a tentativa de direcionamento dos grupos e, continuaremos na nossa luta de divulgação de informação alertando sempre sobre a necessidade de reduzir danos detectando os infectados.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo







Last updated 9.8.2007