02/06/2007
Rio acaba com a "LISTA DE ESPERA" para receber o tratamento da hepatite C
Esclarecimentos sobre a compra centralizada do interferon peguilado
Após denuncia que efetuamos semana passada, diretamente a Chefia de Gabinete do Secretário Estadual da Saúde, na qual informávamos que existiam estocadas no deposito central do estado 8.100 ampolas de interferon peguilado, grande parte estocadas desde o final do ano passado, foram tomadas providencias imediatas e, todos os pacientes que desde agosto do ano passado se encontravam aguardando o medicamento estão sendo chamados para receber o tratamento imediatamente.
Esperamos que a gestão atual tenha assim desestruturado a "caixa preta" que existe dentro da secretaria da saúde. O Grupo Otimismo continuará colaborando com a atual gestão, denunciando sempre que necessário irregularidades, esquemas ou falta de capacidade administrativa dentro do sistema. Parabéns a Dra. Fabiane Gil e a Dra. Ana Célia pelas imediatas providencias.
Lamentamos que gestores de Brasília tenham divulgado como mérito próprio a regularização da entrega. Lembramos que para tentar consertar o dramático quadro, uma das primeiras providencias do atual secretário foi acabar com o Programa Estadual de Hepatites Virais e, provisoriamente, colocar as hepatites dentro do programa de AIDS, já que este programa tem estrutura e recebe apoio e assistência do ministério da saúde, única forma dos estados conseguirem se estruturar nos serviços de saúde.
O Programa Estadual de Hepatites do Rio de Janeiro foi a maior vergonha nos últimos quatro anos da saúde no estado. Conseguiu o mérito de ser o único estado que hoje trata menos pacientes que no ano 2000. Com a extinção do programa de hepatites, esperamos avançar mais rapidamente no atendimento aos infectados. Outros estados, como o Pará, também cansados de esperar ajuda do PNHV estão acabando com os programas estaduais. Brasília deveria seguir o exemplo.
Também, para evitar que gestores federais utilizem o chapéu alheio para contar vantagens, como aconteceu ontem, e justo e necessário que fique bem claro que a compra centralizada do interferon peguilado foi um triunfo da sociedade civil, a qual lutou por três anos para conseguir a centralização.
Em audiência publica no ministério, realizada dia 08 de dezembro de 2005, estando presentes o Ministro da Saúde Dr. José Saraiva Felipe, o Dr. Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde, representando o programa nacional de hepatites e, representando o movimento social, Jeová Pessin Fragoso (Grupo Esperança), Francisco Martucci (C Tem que Saber), Heloisa Caiado (Unidos Venceremos) e Carlos Varaldo (Grupo Otimismo), audiência na qual o Programa de Hepatites não estava presente porque foi entregue uma nota denunciando e repudiando o acontecido durante o ENONG 2005, nota assinada por unanimidade do movimento social. Após a exposição das reivindicações, constantes no Oficio resultante do ENONG e da Carta Aberta com milhares de assinaturas, recebemos do Senhor Ministro, entre outras, a seguinte promessa:
a) Considerou o Senhor Ministro que a solução referente ao tratamento das hepatites somente será conseguida desonerando os estados no referente a aquisição de medicamentos, centralizando a compra no ministério da saúde e distribuindo gratuitamente aos estados.
Após tentativas infrutíferas de realizar compras por pregões de referencia de preços o ministério passou a realizar a compra centralizada desde janeiro de 2007, desonerando os estados na aquisição do Interferon peguilado.
Parabéns ao movimento social coordenado pelas ONGs, as quais durante três anos se mobilizaram, recolheram milhares de assinaturas e conseguiram a compra centralizada do interferon peguilado. A sociedade civil e o herói nessa luta. Por favor, não usem o chapéu alheio.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo