05/01/2007
Esperança e desesperança na saúde do Rio de Janeiro
A cada novo governante, seja ele prefeito ou governador surge uma nova esperança nos milhares de doentes fluminenses que menos afortunados necessitam recorrer ao sistema público da saúde. Na maioria das vezes a esperança rapidamente se perde e as promessas realizadas durante a campanha são esquecidas.
Curioso e observar como todos os últimos governantes, sem exceção de nenhum deles, utilizou a primeira semana de mandato para reunir a imprensa criando factoides nas visitas aos piores hospitais. Todos eles declaram se sentir horrorizados com o quadro que encontraram, com o caos existente, com a falta de infra-estrutura, com a falta de medicamentos e exames, com a falta de médicos e enfermeiros. Não será ajudando a empilhar uma caixa no almoxarifado da farmácia, ou sinalizando um aparelho não instalado que a necessária reforma do sistema da saúde será alcançada.
Assim, parece estar de moda o "não ter sido informado da situação", o não saber de nada. Parece que durante a campanha, ou durante os anos que ocuparam cargos públicos nunca se interessaram pela situação da saúde, nunca leram um jornal, nunca viram televisão, mas a realidade e que nunca sequer colocaram um pé em qualquer hospital público, pertencendo a elite que dispõe dos melhores planos de saúde.
Ante o efeito hipnótico dos holofotes e das visitas aparatosas, medidas demagógicas podem ser irremediavelmente tomadas. O governador, ao exonerar o diretor do hospital Getúlio Vargas colocado lá no dia anterior como homem de confiança do novo secretário da saúde, não somente desprestigiou o Dr. Sergio Cortes como também mostrou desconhecimento do que seja querer resultados de alguém que tinha assumido o dia anterior.
É sabido que por força do corporativismo do funcionalismo público o secretário pode errar ao nomear subordinados, más caberia ao próprio secretário fazer a substituição. Fatos deste tipo em nada ajudam a aumentar a esperança da população nas ações do novo governo.
Outras, até mais graves, também ajudam a perder a esperança, exemplo delas são os portadores de doenças hepáticas. O Rio de Janeiro já foi referencia nacional e numero 1 no tratamento da hepatite C. Em 2002 foi nomeada uma coordenação do programa de hepatites na secretaria estadual da saúde, a qual, em três anos nada fez, pelo contrario, o estado passo a ocupar a penúltima posição no número de tratados nas regiões sul e sudeste.
Em três anos dessa coordenação nenhum hospital do interior do estado foi capacitado para o tratamento, nenhuma campanha de informação, divulgação ou alerta foi realizada para a população, os pólos de aplicação de medicamentos, exigidos por lei, foram implementados em todo o Brasil, menos no Rio de Janeiro, a pesar de aumentar o numero de doentes a quantidade de pacientes tratados diminuiu a cada ano e, o descontrole no estoque e dispensação dos medicamentos tomaram conta do sistema, acabando com uma lista de espera de 18 meses para receber os medicamentos. A justiça foi abarrotada de processos para os quais os pacientes eram curiosamente incentivados a recorrer a justiça pelo próprio estado. Lá e que recebiam a indicação de abrir o processo judicial contra o próprio estado.
A situação se tornou caótica, a tal ponto que os próprios pacientes solicitaram em janeiro do ano passado, mediante um abaixo assinado com três mil assinaturas, a substituição do coordenador do programa de hepatites. O secretário atendeu e o cargo ficou vago até o final do governo.
O novo secretário, Dr. Sergio Cortes, dando um tapa na cara dos sofredores portadores de hepatites, decidiu por bem ou, acreditamos por uma assessoria mal intencionada, não somente reempossar o velho coordenador, como ainda mais o promover a um cargo de maior envergadura. A sua assessoria informou que agora será diferente.
Podem os portadores de hepatites acreditar numa historia destas. Porque reempossar alguém que foi contra a sociedade civil, que conseguiu destruir um programa que era orgulho perante todo o Brasil? Não deveria ter ouvido o povo e respeitado o pedido realizado em 2005?
Bom, o tempo será testemunha. Da nossa parte devemos ficar atentos e controlar a situação. Devemos denunciar em alto e bom som a falta de medicamentos, de exames, de campanhas, de hospitais e médicos. Mais que nunca precisamos nos manter unidos e comunicar a situação em cada hospital ou na farmácia do estado.
Informe toda e qualquer arbitrariedade que você tomar conhecimento ou acontecer com você.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo