22/01/2007
Falta de remédios no Rio de Janeiro
Segue o texto da reportagem da TV GLOBO da quinta-feira 18 de janeiro a qual mostra o grave problema da falta de medicamentos no Rio de janeiro (o vídeo da matéria pode ser visto em
http://rjtv.globo.com/RJTV/0,19125,VRV0-3114-262328-20070118,00.html )
O problema e tão grave que segundo declarações do subsecretário da saúde existem atualmente 25.000 mandados judiciais para fornecimento de medicamentos pelo estado. Isto significa que 25.000 pacientes foram abandonados pelo sistema de saúde e tiveram que recorrer ao judiciário para ter direito aos medicamentos excepcionais, de alto custo.
Fiquei preocupado com uma informação que recebi do subsecretário. Ele informou que em fevereiro será iniciada uma negociação com os fornecedores objetivando o fornecimento dos medicamentos. Para tal será necessário os convencer a parcelar a divida existente e entregar a preços menores que os atuais. Mas que esta compra será objetivando fornecer medicamentos a aqueles que possuem ordens judiciais.
Preocupante situação, pois passaremos a ter atendimento diferente aos pacientes. Aqueles que recorrem a justiça receberam medicamentos regularmente e aquele que aguarda a entrega administrativa, sabe Deus, quando poderão receber tratamento. Uma política com este objetivo de atender prioritariamente aqueles que procuram a Justiça vai fazer com que todos os doentes ao receber uma indicação de tratamento pelo médico passem a receber também a informação que deverão procurar a justiça caso contrario deverão aguardar numa longa fila de espera.
Recomendo por tanto que todos aqueles que dependem dos medicamentos excepcionais (para hepatites, transplantados, doentes renais, Alzheimer, Fibroses Cística, etc.) procurem logo seus direitos via judicial, caso contrario poderão ser relegados e não receber os medicamentos.
No Rio de Janeiro o melhor hospital e o Judiciário!
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
TV GLOBO - RJ-TV - Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
São medicamentos caros, que por lei, devem ser fornecidos de graça pelo governo do estado. Mas nem sempre estão a disposição dos doentes. Agora, a Secretaria de Saúde disse que vai mudar a forma de comprar os remédios e facilitar a vida dos pacientes.
Debaixo de chuva, sem o menor conforto, o aposentado Ivan de 70 anos espera a farmácia abrir. Assim como ele outros doentes chegam cedo porque não querem correr o risco de ficar sem medicamento.
A farmácia abre e a paciente Luciana Ramos volta de mãos vazias.
"Não tem remédio e não tem previsão para chegar. Vou ficar sem tomar", diz Luciana.
O remédio de Luciana custa R$ 300 e dura menos de um mês.
"Atrapalha o tratamento dela. O médico disse que não pode ficar sem tomar", reclama Marlene Ramos, mãe de Luciana.
Os medicamentos para tratamento psiquiátrico estão em falta há dois meses nas farmácias de alto custo do governo do estado. No estoque, prateleiras quase vazias e pouca infra-estrutura para armazenar os remédios. Também faltam medicamentos para esclerose múltipla e controle do colesterol.
Maria Cândida e Patrícia têm hepatite C. Elas usam o interferon - cada dose custa R$ 400. Maria Cândida diz que só está fazendo o tratamento porque entrou na Justiça.
"Antes de conseguir na Justiça, fiquei na fila um ano e meio. Entrando a Justiça, esperei mais três meses. É uma briga constante", conta Maria Cândida.
Hoje existem em todo o estado, 25 mil mandados judiciais contra a Secretaria de Saúde, obrigando a fornecer medicamentos. O presidente da associação que reúne doentes de hepatite C, Carlos Varaldo, disse que faltam remédios para quem precisa iniciar o tratamento.
"Aqueles que estão em tratamento continuam recebendo. Os que estão em fila de espera não sabem quando iram receber", alerta Varaldo.
O subsecretário de Saúde informou que não pretende mais fazer compras emergenciais para abastecer as farmácias de alto custo. A secretaria de Saúde anunciou que vai mudar a forma de negociação com os laboratórios de medicamentos. No mês que vem, vai ser realizados um tipo de leilão. Quem oferecer o menor preço vai passar a ser o fornecedor do estado.
"E com isso a gente transfere para o fornecedor o estoque e a logística de distribuição, barateando o custo não só do medicamento, mas de toda a logística de distribuição. Outra providência que a secretaria está adotando é o recadastramento dos usuários desse tipo de medicamento. A partir desse número, vai ser dimensionada a necessidade real para que não haja falta de medicamento", explica César Romero, subsecretário estadual de Saúde.
"Esperamos que realmente isso aconteça, porque estamos cansados de sofrer nessa procura por remédios. Não é um favor que está se fazendo, é um direito que a gente tem", diz a paciente Patrícia Mota.
Sobre as péssimas condições do prédio da farmácia de alto custo, na Rua Moncorvo Filho, no centro do Rio, o subsecretário de Saúde disse que, no mês que vem, pretende transferir o atendimento para um outro prédio.