GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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30/04/2007


Campanhas de testes rápidos para detecção da hepatite C


Ao ler o e-mail abaixo, distribuído pelo Programa Nacional de Hepatites Virais, fiquei me perguntando se é melhor não detectar 1% dos testados como pode acontecer com o teste rápido ou, não detectar ninguém como acontece atualmente com as nunca realizadas campanhas de detecção sempre prometidas pelo governo?

É preciso lembrar que cientificamente qualquer teste com apenas 1% de falsos negativos (sensibilidade de 99%) é considerado um teste de ótimo desempenho. Eventualmente pacientes coinfectados HCV/HIV, renais crônicos ou com crioglobulinemia poderão apresentar testes falso-negativos, tanto no teste rápido como no teste Elisa, pois ambos são falhos nestes grupos de pacientes. O Elisa não possui 100% de sensibilidade. É por isso que o teste confirmatório deve ser o PCR e não o Elisa como foi dado a entender na nota do PNHV.

Para "insinuar" que existe diferença de sensibilidade entre o teste rápido e o teste Elisa seria conveniente ter apresentado estudos comparativos entre ambos, estudos estes que deveriam ter sido solicitados pelo Ministério da Saúde no ato da sua aprovação para uso no Brasil. O PNHV poderia ter alertado a ANVISA na ocasião do registro. Se não foram solicitados ou se estudos mostram que a sensibilidade do teste rápido o torna uma teste aprovado pela ANVISA, então não podemos o criticar só por suposições.

É possível, sim, prejudicar 1% dos testados, mas isso é um crime menor ante a possibilidade de prejudicar 100% da população brasileira. A cada quatro mil indivíduos testados com o teste rápido vamos encontrar 100 indivíduos positivos, e provavelmente 1 seja um caso falso negativo, mas o mais importante e que 100 estarão sendo alertados da sua doença e tratados. A não oferta do teste do governo em todos os postos de saúde do Brasil não conseguira detectar esses 100 casos positivos, porque simplesmente não estarão realizando teste nenhum e irão progredir para fases terminais da doença. A cada quatro mil testes rápidos estamos salvando 100 vidas.

Não é necessário alertar para as condições de bio-segurança realização do exame. A Sociedade Brasileira de Infectologia nem as ONGs que estão participando são irresponsáveis neste sentido e, em todos os casos, profissionais experientes e que realizam os procedimentos do exame. Os voluntários das ONGs, devidamente treinados, somente realizam a entrevista de triagem e fornecem informações sobre a doença e os locais de tratamento.

A nota do PNHV pode ser para se isentar de culpa, mas da forma como foi redigida mais parece querer desestimular uma ação da sociedade civil, das ONGs, da Sociedade Brasileira de Infectologia, as quais, rebeladas ante a falta de ações de detecção e alerta por parte do PNHV tentam fazer alguma coisa com aquilo que se encontra a seu alcance, cumprindo assim uma importante ação social.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo




-----Mensagem Original-----
De: PNHV - PROGRAMA NACIONAL DE HEPATITES VIRAIS
Para: ONG´S HEPATITES
Cc: COORDENADORES PEHV
Enviada em: quarta-feira, 25 de abril de 2007 16:04
Assunto: teste rápido

Prezad@s Coordenadores dos Programas Estaduais de Hepatites Virais, Presidentes e associados das Organizações da Sociedade Civil

O PNHV, respondendo à consulta feita por algumas Organizações da Sociedade Civil (OSC) sobre a oferta de teste rápido para o HCV, que ocorrerá em diversos municípios brasileiros no mês de maio, faz as que se seguem.

Segundo informações, algumas fornecidas por pessoas que participarão desta ação, e outras de ordem técnica, o teste rápido a ser utilizado é HCV Rapid Test Bioeasy, fabricante Standard Diagnostics - Coréia do Sul, distribuído no Brasil pela Bioeasy Diagnóstica Ltda e está registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

A sensibilidade[1] do teste é de 99,0% e a especificidade de 99,4%[2].

Esses dados são extremamente importantes para que o profissional avalie a necessidade de encaminhar o usuário para realização de sorologia pelo método utilizado na rotina dos serviços, o teste Elisa, mesmo que o resultado do teste rápido seja negativo. É relevante lembrar que, em razão da sensibilidade do teste rápido a ser utilizado, algumas pessoas testadas poderão não conhecer sua real condição sorológica de portador do vírus C, pois com sensibilidade de 99%, 1% das positivas terá o teste negativo, o que é denominado um teste falso negativo.

Esta é uma das razões da importância da realização do aconselhamento pré e pós-teste, realizado por profissional qualificado, no atendimento de rotina dos CTA. Com o teste rápido, o mesmo cuidado deve ser tomado, pois pessoas com algum risco de terem adquirido a hepatites C, podem vir a estar entre os 1%.

No processo do aconselhamento o usuário deverá:

- receber informações sobre o que é a hepatite C;

- compreender o que é a testagem e o significado de seus possíveis resultados;

- reforçar as questões relativas à prevenção

- fazer, em conjunto com o profissional que o atende, a avaliação de sua exposição ao risco de infecção: deverá ser investigado histórico de transfusão de sangue, hemodiálise, infecção por HIV ou HBV, compartilhamento de materiais para uso de drogas, exposição ocupacional, entre outros pontos que possam surgir durante o diálogo.

Quanto à coleta de amostras e à realização do teste, devem ser realizadas por profissionais de saúde capacitados, em condições adequadas de higiene e biossegurança;

O encaminhamento a ser dado ao usuário deve ter sido planejado com antecedência, antes da realização do teste rápido, e toda pessoa que tiver um resultado positivo para HCV deverá ser orientado a realizar o teste Elisa confirmatório. Com o resultado reagente também por este método, o usuário deverá ser encaminhado a um Serviço Especializado para ser acompanhado e, caso necessário, ser incluído no protocolo de tratamento para a Hepatite C conforme Portaria nº. 863, de 4 de novembro de 2002.

É necessário reforçar que pessoas com resultado negativo e com fator de exposição identificado na fase do aconselhamento, devem ser orientadas para repetir o teste pelo método de Elisa na rotina do serviço de saúde.

Gerusa Figueiredo
Coordenação PNHV

1] Sensibilidade é definida como a proporção dos indivíduos com a doença, que têm um teste positivo para a doença. Um teste sensível raramente deixa de encontrar pessoas com a doença.

[2] Especificidade é a proporção dos indivíduos sem doença, que têm um teste negativo. Um teste específico raramente classificará erroneamente pessoas sadias em doentes





Last updated 29.4.2007