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GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel.: (21) 9973.6832
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com

07/08/2007


A hepatite B está exterminando os índios na Amazônia


Acontece na próxima terça-feira 14 de agosto uma audiência pública convocada pelo Ministério Público Federal para discutir a epidemia de hepatite B que já atinge 25% dos índios do Vale do Javari e matou grande parte da população das aldeias. A audiência será realizada na cidade de Tabatinga, na Amazônia.

Como de costume o governo divulgou ontem pelos jornais que os trabalhos do plano de ação de controle a hepatite nas áreas indígenas do município de Guajará-Mirim, estão programados para começar na segunda quinzena de agosto. Como sempre, novas promessas são realizadas após acontecer uma tragédia.

Estou falando em novas promessas porque já em 2003 durante um evento (ENONG) realizado pelo Programa Nacional de Hepatites Virais foram apresentadas as ONGs o programa de trabalho para 2004, no qual constava que seriam realizados durante o ano de 2004 cursos de capacitação em prevenção das hepatites para multiplicadores que atuam com População Indígena no Vale do Javari. Os cursos foram realizados em Brasília, o dinheiro foi gasto, mas lideranças indígenas denunciam que nunca apareceu alguém desses capacitados nas aldeias.

O dinheiro foi gasto, a divulgação foi realizada em jornais e congressos como se fosse uma ação realizada, muita gente bateu palmas para a ação divulgada pelo governo, mas a realidade e o resultado conseguido demonstram que as ações não foram concretizadas já que tudo ficou na capacitação e na divulgação para a imprensa e, o resultado é que 25% das populações indígenas estão infectadas com a hepatite B, os dizimando, os exterminando. Uma omissão total (mais um fracasso) de parte daqueles que ocupam cargos no governo federal e são pagos para realizar as ações de prevenção das hepatites.

Lamento ter recebido o convite para participar da audiência na ultima hora, quando já estava comprometido para representar a FIOCRUZ no II Encontro Nacional de Comitês de Ética em Pesquisa que acontece no mesmo período, isso sem considerar no elevado custo da passagem até a cidade de Tabatinga, no final da Amazônia, o que não permitiria pelo pouco tempo disponível conseguir a doação da passagem. Fica para a próxima.

Mas o assunto está tomando dimensão mundial. Neste domingo o principal jornal espanhol, o EL MUNDO, dedicou duas páginas ao grave problema alertando a comunidade internacional. Realizei uma tradução rápida da reportagem, a qual pode ser lida em (o artigo original, em espanhol, pode ser lido em http://www.elmundo.es:80/suplementos/cronica/2007/615/1186264801.html )

Sem duvida estamos diante um verdadeiro genocídio, o qual hoje "explodiu" nas aldeias indígenas, mas que já se encontra com o pavio acesso, pronto a explodir, com os seis milhões de infectados com as hepatites B e C que existem no Brasil.



A hepatite extermina indios em um Amazonas caótico


A selva agoniza. 25% dos índios estão doentes de hepatite. Animais como as tartarugas estão quase desaparecidas. Madeireiros ou petroleiros são os donos. Dois jornalistas espanhois percorrem em um mês 5.000 quilômetros do rio para fazer esta denúncia


Juan Carlos DA CAL / Vale do Javari (Brasil) - Jornal El Mundo - 5 de agosto de 2007 (Tradução: Carlos Varaldo)

A canoa branca remonta o rio Ituí, nos limites do Vale do Javari, na amazônia brasileira. A selva é fechada, virgem, cheia de vida. Os viajantes, pesquisadores do Centro de Trabalho Indigenista, procuram um grupo de índios, os korubo, uma das 16 tribos não contatadas que habitam neste vale do tamanho do Portugal. Tudo está em calma quando, passadas duas curvas...

"Apareceram correndo pela borda enquanto nos chamavam imperativamente fazendo gestos para que fôssemos. Pareciam desesperados", recorda o antropólogo Gilberto Azanha, um dos ocupantes da canoa.

O encontro quase não durou uns segundos. Nenhum dos pesquisadores falava o idioma korubo e, por prudência, decidiram não descer da canoa. Uns meses antes um companheiro tinha recebido uma flecha em um pulmão quando tratavam de contatar com outro índio. Mas a cena deixou em todos eles uma inquietante pergunta: o que empurra a uns índios com fama de belicosos a reclamar a presença de seus tradicionais inimigos brancos à beira de um grande rio? Estariam doentes? Doentes de hepatite?

Porque ao menos 3.500 indígenas que já passaram pelo processo do contato estão sendo dizimados pela hepatite. Estão morrendo.

Assim de claro. Assim de conhecimento público. E ante os olhos do mundo, dentro desta vitrine que ainda é para muitos a selva amazônica. Os brancos lhes contagiaram o vírus naqueles primeiros contatos. De forma deliberada -lhes dando de presente roupa poluída- ou inconscientemente, tratando de lhes organizar para melhorar suas possibilidades de sobrevivência. Dá igual. Começaram a morrer e a destilação ainda continua.

Contam-nos isso na Atalaia do Norte, o povo brasileiro que serve de entrada à área indígena do Vale do Javari, um dos grandes afluentes do Amazonas. Até aqui chegamos em nossa viagem de um mês seguindo o curso do rei dos rios, percorrendo a mesma rota que seu descobridor espanhol, Francisco da Orellana, faz 465 anos.


MAS DE 5.000 KILOMETROS

Da Quito até Belém do Pará. Mais de 5.000 quilômetros de água e vegetação sendo testemunhas do que acontece neste jardim do planeta após cinco séculos de exploração e caos humano. Em tempos da mudança climática pretendemos fazer um superficial diagnóstico, quatro denúncias, sobre sua degradação em mãos do homem.

No Equador deixamos uma selva com aroma de gasolina, poluída pelas petroleiras. No Peru estivemos em acampamentos clandestinos de madeireiros que estão derrubando grandes superfícies de selva. Em todos os lados contemplamos paraísos sujados pela ação humana, injustiças sociais, desequilíbrios monstruosos, histórias maravilhosamente positivas também. Mas nada nos emocionou tanto como a situação destes índios.

O 25% dos que habitam este vale, segundo dados do Governo brasileiro, são portadores do vírus da hepatite B em sua forma crônica. Um vírus cuja capacidade de transmissão é dez vezes maior que a do HIV (AIDS) e que é hoje a novena causa de morte no mundo. Já há mais de meia centena de mortos e um contágio mensal dessa ordem. Algumas aldeias estão tão afetadas que já entraram no que os técnicos chamam "crescimento zero" -nascem menos dos que morrem- o que é o primeiro passo para a extinção segura. E a ajuda não aparece.

Atalaia está perto da chamada triplo fronteira, um ponto selvagem onde confluem os limites de três países: Peru, Brasil e Colômbia, com suas respectivas populações -Santa Rosa, Tabatinga e Letícia- convivendo separadas apenas por uma rua ou o próprio rio. O movimento de povos é grande e a circulação de todo tipo de mercadorias -droga, madeira ilegal e espécies animais incluídas- aumentou a pressão sobre a selva virgem que a rodeia. E também sobre seus moradores.

Na praça central, um descomunal monumento representando a São Sebastião com o corpo atravessado de flechas assiste ao passar do rio a modo de presságio. A suas costas se levanta o hospital da Casa do Índio, um bonito recinto aberto por Médicos Sem Fronteiras faz 10 anos para acolher e tratar às vítimas da epidemia desatada na época.

Cada tribo dispõe ali de seu espaço próprio: uma grande choça hexagonal e diáfana, de concreto, onde os pacientes e suas famílias penduram as redes para passar nelas sua convalescença. Todas se encontram abarrotadas de índios doentes. Índios de olhar triste, olhos lacrimejantes e com um tom de pele amarelo nada natural. Passam semanas, meses, nestes quartos sem ter nada que fazer. Suas mulheres elaboram colares com sementes que com sorte venderão a algum jornalista estrangeiro. As mais jovens dão de mamar uma e outra vez a seus bebês. Provavelmente estamos assistindo à transmissão de alguma enfermidade através do leite materno.

Uma vintena de representantes das principais tribos -marubos, matis e mayurunas-, nos contam uma história que se inicia nos anos 80, quando os que procuravam ouro levaram ao estado de Roraima, ao norte do Brasil, as enfermidades que mataram a 2.000 yanomamis. Foi a primeira vez que o mundo inteiro se inteirou de que na romântica selva amazônica também ocorriam genocídios como este. Genocídios que agora se repetem.

A dimensão da catástrofe humanitária obrigou à Fundação Nacional do Índio, Funai, a destacar suas equipes na área da epidemia. Meses depois os funcionários governamentais retornaram as seus postos. Mas estavam poluídos. Vinham com malária, que se expandiu por toda a população recém contatada do Vale do Javari como um anjo da morte. Endêmica até hoje, quando já os mosquitos se tornaram resistentes, a malária continua matando aliada com outros cavaleiros apocalípticos chegados com o branco: a hepatite e a tuberculose.


Foi o começo da tragédia.

Coincidindo no tempo, os índios mayurunas das aldeias do norte do Vale se contagiaram destas doenças pelo contato com os madeireiros peruanos fronteiriços. Por seu caráter nômade, em seus deslocamentos pulverizaram o mal por todo o território com os casamentos entre etnias. A primeira morte se registrou em 1985 na aldeia Lamirâo. A última faz umas semanas, quando uma jovem se suicido ao saber que estava com hepatite. Não quis encarar o destino de seu irmão, falecido semanas antes em meio de terríveis dores.

HOMENS GATOS LOIROS


Aos matis, chamados também homens gato, indígenas muito tradicionais de rostos tatuados e perfurados, sucedeu-lhes algo similar. Antes do contato, em 1973, viviam em permanentes escaramuças com os ribeirinhos do Javari, colonos e madeireiros. Quando os brancos os massacravam, os índios respondiam com vinganças nas que, segundo seu costume, levavam consigo as mulheres e crianças de suas vítimas. De fato, no hospital encontramos algum matis loiro. Assim se contaminaram e a hepatite nunca mais os abandonou.

Uma epidemia de gripe reduziu sua população a metade poucos meses depois do contato. Dez anos mais tarde quase não ficavam 83 indivíduos, menos de 10% dos que viviam antes de render-se ante o homem branco. Graças ao trabalho realizado com eles pela Funai e muitas ONG, conseguiram recuperar seu equilíbrio demográfico, psicológico e cultural, e a finais de 2005 sua população foi estimada em 285 pessoas. Até que começou uma nova hecatombe...

As mortes aconteceram em sua principal aldeia, chamada Aurélio, não muito longe de onde os indigenistas viram acampados aos índios não contatados. O caos social retornou de novo. Famílias que tinham conflitos atávicos entre eles acabaram acusando-se de feitiçaria. Houve enfrentamentos, brigas geradas sobre os presuntos causadores dessas mortes, expulsões e, finalmente, uma importante cisão.

Faz dois anos, uma parte dos matis fundou outra aldeia, que chamaram Beija Flor, a 45 quilômetros da anterior. Foi uma decisão difícil, pois ali tinham a escola e o centro de saúde. A primeira mulher em dar a luz no novo assentamento teve gêmeos. Mas o que em outras partes do mundo tivesse sido recebido como uma bênção, aqui era justamente o contrário: um sinal de mau augúrio. Como foi também o fato de que dois homens fossem atacados pouco depois por um leopardo amazônico. Colocaram a culpa aos bebês e acabaram por abandoná-los na aldeia dos brancos. Em outra época o tivessem feito na selva.

"Antigamente, antes de contatar com os homens brancos, não tínhamos enfermidades. Se acontecia alguma tomávamos o Kambó (o veneno do sapo) e vomitávamos o mal. Mas agora não tem efeito, nem o chamán pode curar as doenças novas", recorda em sua língua Mina Ouaça, um velho matis contatado pela primeira vez em 1973, enquanto toca seu lado direito do corpo. Não há dúvida: dói-lhe o fígado. Como a Bina, sua filha de 40 anos cujo olhar arrasado ilustra a abertura desta reportagem.


CAOS SOCIAL

As mudanças que a epidemia causou na organização social destas tribos são evidentes. "Pessoas identificadas publicamente como portadoras do vírus da hepatite sofrem discriminação de seu próprio grupo. Muitas jovens viram seu futuro matrimonial comprometido após adoecer e as grávidas procuram à cidade para ter seus filhos, algo ao que negavam sistematicamente, para que sejam vacinados. Muitas já não voltam para sua aldeia", assegura Hilton Nascimento, ecólogo do Centro de Trabalho Indigenista, CTI.

As grandes populações se encheram de índios miseráveis que fogem da epidemia, agravando ainda mais os problemas sociais. Os jovens voltam para suas aldeias transformados. O futebol, bebidas alcoólicas e a música moderna substituíram o silêncio, as cerimônias com suas bebidas sagradas -como a ayahuasca- e os ensaios com suas armas tradicionais: zarabatana, lança e arco.

O uso das roupas é já sistemático entre os adolescentes. Entretanto, jovens que encontramos no hospital do índio mostram orgulhosos as tatuagens que recebem em seus ritos de iniciação, quando alcançam a puberdade. Pelo contrário, cada vez são menos os que se incrustam nos lábios, nariz ou orelhas qualquer tipo de adorno: desde espinhos até ossos.

"A gente já se acostumou às coisas do homem branco e agora é muito difícil voltar atrás. Mas isso não quer dizer que renunciemos a nossa tradição e a uma vida sadia", assegura Make Turu Matis, de 21 anos. Neto de Mina Ouaça, filho da Bina, ele é a terceira geração de doentes de hepatite no clã. "Caçar lhes seria mais útil que jogar futebol o dia inteiro", aponta de novo seu avô. Todos nos rimos ao escutar a tradução. Há recriminações comuns a todas as culturas...

Os korubo falam uma língua parecida aos matis, os quais, até agora, constituíam seu único enlace com o mundo exterior. Foram contatados pela primeira vez faz 10 anos, mas preferiram seguir em isolamento voluntário ao ver os estragos que a relação com os brancos produziu no resto das tribos. Entretanto, até esse enlace foi quebrado por causa da epidemia de hepatite.

Tradicionalmente os korubo facilitavam aos matis uma liana que utilizam em seus rituais -e que só eles sabiam onde conseguir-, em troca de facas, panelas e açúcar. Mas quando começaram as mortes, os matis acusaram aos korubo de querer lhes envenenar e a relação se deteriorou ao ponto de que nem eles sabem por que seus antigos aliados aparecem agora a beira do rio para pedir ajuda.

"Nossos chamanes nos avisavam: "Vocês não podem morar nos rios grandes, haverá doenças que não têm cura. Devem ir para as cabeceiras, onde as águas são puras, longe dos invasores". Mas não lhes fizemos caso e fomos às beiras dos grandes rios onde nos atraiu a Funai para nos atender melhor", recorda Jorge Marubo, responsável por saúde do CIVAJA, a organização que eles mesmos fundaram para defender-se da extinção.

Querem ajuda no seu grito de socorro, para que o mundo tudo saiba da tragédia e do abandono.

Os índios marubo, são majoritários no Vale e bastante bem organizados, são originários dos Andes, de onde se foram descendo em sua fuga dos conquistadores espanhóis até o último refúgio da selva. Foram contatados faz 30 anos, consideram-se a si mesmos como não agressivos e até o rebrote da epidemia mantinham excelentes relaciones com os brancos, aos que inclusive dedicam uma festa ao ano.

A memória do primeiro contato está ainda fresca: "Traziam-nos facões, espingardas, motores, gasolina e sal para que ficássemos rio abaixo, onde os rios são grandes. Logo, quando já sabíamos falar a língua do branco, este cortou os fornecimentos. Assim, ficamos dependentes deles. Já quase não caçamos com arco e zarabatana, nem tricotamos roupa de algodão. Antes só ficávamos em um mesmo lugar três ou quatro anos e quando diminuía a caça nos mudávamos. Agora, já assentados, necessitamos de gasolina e motor para nos deslocar dois dias por rio se queremos encontrá-la", recorda seu chefe, Clovis Marubo, com um irmão morto de hepatite e um filho também doente.

Em uma forma de protesto kamikaze, as aldeias marubas se negam a receber nenhum tipo de ajuda médica dos brancos porque já não confiam neles. "Se formos morrer igual, preferimos fazê-lo sem perder nossos costumes. Somos os últimos índios", conclui Clovis. Todos os que formam a direção desta organização, filhos dos caciques em sua maioria, saíram muito jovens de suas aldeias para estudar nos povos dos brancos. Hoje são seus porta-vozes e sua esperança ante o resto do mundo. Mas eles também estão morrendo.

Contam o caso da última vítima: Oswaldo Mayuruna, 24 anos, professor na escola de uma aldeia longínqua, e um dos jovens que melhor se adaptou ao trauma produzido pelo contato.

Faz um mês, começou a sentir-se mal. Tinha febre e mal-estar geral. Pensavam que podia ser malária. E, a falta de remédios, trataram de curar-lhe pelos meios tradicionais. Mas não melhorou. Aos poucos dias os vômitos foram de sangue. Depois veio o coma terminal. Cinco dias mais tarde morreu sangrado. Não houve tempo de transladá-lo a nenhum lugar nem os médicos do hospital puderam fazer nada através da rádio. Seguiram seu falecimento à distância, como o resto do mundo.


UM GENOCÍDIO

"As vacinas carecem de efetividade, estão vencidas ou danificadas por não as manter em refrigeração. Temos 15.000 fraldas, que em nossa cultura não usamos, mas faltam geladeiras movidas a energia solar. A repetição das vacinações não existe ou se faz com muito atraso", assegura Rosineide Marubo, uma das três mulheres indígenas auxiliar de enfermaria de todo o Vale do Javari.

O coordenador da equipe da Funai na Atalaia, Herodoto Jean de Sales, reconhece que a precariedade de meios de que dispõem faz muito difícil a atenção. "As áreas estão muito distantes. Às vezes, quando o rio está seco, custa até 10 dias chegar às aldeias mais longínquas. E a dificuldade é grande para fazer traslados de doentes porque não temos navios nem aviões suficientes. Tampouco pessoal, pois cada funcionário vigia uma superfície equivalente a 10 milhões de hectares", assegura com preocupação.

"É necessária uma intervenção internacional imediata porque em 20 anos podem desaparecer todos os indígenas do Vale do Javari e, então, estaríamos falando de um genocídio", assegura por sua parte Fionna Watson, presidenta do Survival, a organização indigenista que leva mais anos denunciando o que está acontecendo. Segundo Survival, a terceira parte das tribos poderia desaparecer em pouco tempo.

Estamos perante um fenômeno paradoxal: índios de segunda geração, filhos dos primeiros contatados e que já conhecem todo do mundo branco, estão fugindo ao interior da floresta em busca da última oportunidade para salvar-se. Seus parentes os animam para que avisem aos não contatados: "avisem que não venham, que nos estamos morrendo. Digam que nós já estamos condenados...".

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo






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07/08/2007


La hepatitis B está exterminando los indios en la Amazonía


Acontece el próximo martes 14 de agosto una audiencia pública convocada por el Ministerio Público Federal del Brasil (Fiscalía) para discutir la epidemia de hepatitis B que ya alcanza 25% de los indios del Valle del Javarí y mató gran parte de la población de las aldeas. La audiencia será realizada en la ciudad de Tabatinga, en Amazonía.

Como de costumbre el gobierno divulgó ayer por los periódicos que los trabajos del plan de acción de control a la hepatitis en las áreas indígenas del municipio de Guajará-Mirim, están programados para comenzar en la segunda quincena de agosto. Como siempre, nuevas promesas son realizadas después de acontecer una tragedia.

Estoy hablando en nuevas promesas porque ya en el 2003 durante un evento (ENONG) realizado por el Programa Nacional de Hepatitis Virales fueron presentadas a las asociaciones de pacientes las acciones del programa de trabajo para 2004, en el cual constaba que serían realizados durante el año de 2004 cursos de capacitación en prevención de las hepatitis para multiplicadores que actúan con Población Indígena en el Valle del Javarí. Los cursos fueron realizados en Brasilia, el dinero fue gasto, pero liderazgos indígenas denuncian que nunca apareció alguien de los capacitados para trabajar en las aldeas.

El dinero fue gasto, la divulgación fue realizada, mucha gente emocionada aplaudió para la acción divulgada por el gobierno, pero la realidad y el resultado logrado demuestran que las acciones no fueron concretadas ya que todo se quedó en la capacitación y en la divulgación para la prensa y, el resultado es que 25% de las poblaciones indígenas están infectadas con la hepatitis B, los diezmando, los exterminando. Una omisión total (más un fracaso) de parte de aquéllos que ocupan cargos en el gobierno federal y son pagados para realizar las acciones de prevención de las hepatitis.

Lamento haber recibido la invitación para participar de la audiencia en la ultima hora, cuando ya estaba comprometido para representar la FIOCRUZ en el II Encuentro Nacional de Comités de Ética en Investigación que acontece en el mismo período, eso sin considerar en el elevado costo del billete hasta la ciudad de Tabatinga, al final de la Amazonía, lo que no permitiría por el poco tiempo disponible conseguir la donación del billete. Queda para la próxima.

Pero el asunto está tomando dimensión mundial. Este domingo el principal diario español, el EL MUNDO, dedicó dos páginas al grave problema alertando la comunidad internacional la cual puede ser leída en http://www.elmundo.es:80/suplementos/cronica/2007/615/1186264801.html

Sin duda estamos delante un verdadero genocidio, el cual hoy "estalló" en las aldeas indígenas, pero que ya se encuentra con la mecha encendida, listo para estallar, con los seis millones de infectados con las hepatitis B y C que existen en Brasil.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo







Last updated 8.8.2007