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Novos medicamentos para o tratamento da hepatite crônica B

09/09/2013

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 2 bilhões de pessoas foram infectadas com o vírus da hepatite B e dessas 350 milhões desenvolveram a doença de forma crônica e, portanto, se encontram doentes, resultando em um grave problema de saúde pública mundial.

A presença do marcador HBsAg positivo indica que a infecção é crônica. A cirrose ou o câncer de fígado conforme diversos estudos se desenvolve entre um 15% e 40% desses infectados com HBsAg positivo se não receberem o tratamento antiviral.

O objetivo do tratamento da hepatite B seria o de eliminar o vírus do paciente, no entanto, na pratica, geralmente se consegue a supressão em longo prazo da replicação viral com a consequente prevenção da progressão da doença no fígado e da redução do risco da progressão para a cirrose ou o câncer no fígado.

Atualmente existem duas estratégias de tratamento diferentes. O tratamento com interferon peguilado ou o tratamento com os medicamentos orais.

O tratamento com interferon peguilado é o único com data certa para acabar, um medicamento injetável, mas não indicado para todos os infectados e, o tratamento apresenta efeitos colaterais consideráveis. Não pode ser utilizado durante a gravidez.

Os tratamentos com os medicamentos orais apresentam mínimos efeitos colaterais, é realizado com uma simples capsula ao dia, mas nunca se sabe com certeza por quanto tempo eles deverão ser tomados pelos pacientes, podendo em alguns casos existir a necessidade de continuar indefinidamente.

Os dois medicamentos de primeira linha que podem ser utilizados com segurança são o entecavir e o tenofovir. Os dois apresentam alta barreira à resistência viral.

Lamivudina não mais é indicada devido à facilidade com que adquire resistência viral, perdendo seu efeito no paciente.

Adefovir é menos eficaz do que o entecavir e o tenofovir e tal qual a lamivudina também cria resistência, portanto, nenhum destes dois é recomendado para iniciar um novo tratamento.

O tenofovir é a opção indicada nos casos de resistência a lamivudina, porque o entecavir tem um perfil desfavorável nesses pacientes.

O tenofovir é o indicado pelo FDA para o tratamento das mulheres durante a gravidez objetivando baixar a carga viral para diminuir a possibilidade de transmissão à criança no nascimento, mas assim mesmo a aplicação na criança da vacina da hepatite B e a imunoglobulina nas primeiras horas após o parto são obrigatórias.

ATENÇÃO: Pacientes com HBsAg positivo ou com hepatite B oculta apresentam risco de reativação do vírus quando realizam procedimentos de quimioterapia ou tratamento imunossupressor, incluindo tratamentos com medicamentos biológicos (em particular em relação à terapia com rituximab). Portanto, todos os pacientes que estejam realizando esses tratamentos devem ser monitorados rotineiramente.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
New drugs for the treatment of chronic hepatitis B and interdisciplinary aspects of chronic hepatitis B virus infection - Horváth G. - Orvosi Hetilap, 2013, 154, 1142-1150.


Carlos Varaldo
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