GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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08/09/2006


A apatia do governo frente às hepatites é um genocídio

Site do Ministério da Saúde esconde a hepatite B da população


A falta de ações governamentais em relação às hepatites afeta de forma direta a mais de seis milhões de brasileiros e indiretamente irá afetar a toda a população do país, tamanha a conta social e econômica que em médio prazo isso vai representar.

Todos sabem o que é necessário ser feito, onde deve ser feito, como deve ser feito e, ainda, existem os meios e ferramentas para a realização, porém, nada e feito porque não existe vontade política dos responsáveis pela saúde no ministério da saúde.

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são tidas como um grave problema de saúde pública por afetarem muitas pessoas. Além disso, os sinais e sintomas são de difícil identificação e o acesso ao tratamento correto, também. Uma das principais preocupações relacionadas às DST é que elas são facilmente transmissíveis e quando acometem gestantes, podem atingir o feto e durante o parto, podem atingir o recém-nascido, causando doenças. Diante dessas possibilidades, o acesso irrestrito das pessoas ao diagnóstico precoce e tratamento adequado de todas as DST é fundamental.

Na página do Ministério da Saúde dedicada ao Programa de DST/AIDS encontrada em http://www.aids.gov.br a hepatite B, doença que sexualmente se transmite até 100 vezes mais facilmente que a AIDS e ignorada. A testagem das DST e estimulada, mas somente constam Aids, Cancro mole, Condiloma acuminado ou HPV, Herpes, Linfogranuloma venéreo, Sífilis, Tricomoníase, Gonorréia e Clamídia. No site do Programa DST/AIDS parece que a hepatite B não quer ser detectada.

A página na internet da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde encontrada em http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=962 relaciona uma serie de doenças infecciosas que esta secretária tem como obrigação a atribuição de cuidar, mas as hepatites B e C, doenças sob sua responsabilidade já que o Programa Nacional de Hepatites Virais pertence a esta secretaria não é sequer citada. Somente são citadas, com suas respectivas descrições: Influenza, Dengue, AIDS, Tuberculose e Hanseníase.

O Programa DST/AIDS deveria ser o responsável pelas ações de prevenção e controle da hepatite B (por se tratar de uma doença sexualmente transmissível) cabendo a este programa a obrigatoriedade de realizar ações de prevenção, porém nada faz acreditando que ao existir um Programa Nacional de Hepatites a este deveria caber qualquer tipo de ação.

A Secretaria de Vigilância em Saúde, a qual deveria cuidar da divulgação da doença e seus tratamentos já que nela existe um Programa Nacional de Hepatites Virais, ignora uma doença que atinge na sua forma crônica, segundo dados oficiais, dois milhões de brasileiros.

Será simples coincidência que os dois órgãos responsáveis, ambos subordinados a Secretaria de Vigilância em Saúde tenham "esquecido" da hepatite B ou, podemos falar em "censura" da informação para não detectar (e ter que tratar) os infectados?

Cada um que faça sua própria dedução do porque desta omissão com a saúde de dois milhões de brasileiros.

Em minha opinião pessoal acho que o Programa Nacional de Hepatites Virais após quatro anos de instalado não vingou, não decolou, permanecendo numa total inércia que já se arrasta com resultados desastrosos. Lamentavelmente foi lotado com funcionários oriundos do programa de AIDS sem a menor intenção de formar um programa independente de hepatites. Como conseqüência não tem um programa de hepatites e, o Programa de AIDS, que muito bem poderia cuidar das hepatites, já que a hepatite B e uma doença sexualmente transmissível não pode entrar nesta área já que na estrutura do ministério existe o programa de hepatite.

O Programa DST/AIDS não faz porque criaram o PNHV e, o Programa Nacional de Hepatites não faz porque nunca teve o menor interesse em fazer qualquer coisa que seja pelas hepatites. O maximo que o Programa Ncional de Hepatites esta realizando em 2006 e tentar "agradar" com propostas de convênios de cooperação as associações de pacientes para que estas em vez de criticar a falta de ações passem a bater palmas.

Recebi hoje um convite sobre o encontro das pessoas vivendo com HIV e AIDS o qual utiliza a letra da musica "SAÚDE" de Rita Lee e Roberto de Carvalho para demonstrar como as pessoas soropositivos se sentem em relação à inação nas ações de combate a doença por parte dos gestores federais:

Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha.


Este é o resultado que o Programa de Hepatites esta conseguindo apresentar após quatro anos de funcionamento. Muito lero-lero, muitas promessas e praticamente nenhum resultado pratico. Os números podem ser frios, mas quando vemos que em 2005, de dois milhões de infectados pela hepatite B somente 1.070 receberam tratamento e dos 4,5 milhões de infectados com a hepatite C somente 6.500 foram tratados, não poderá ser feita sem cair no ridiculo qualquer contestação ou desculpa por parte dos gestores federais.

Para os gestores o melhor a ser feito e ficar de boca calada falar que de nada sabem, que nada ouviram, que não foram informados e que em gestão de saúde pública muitas vezes e necessário que os doentes morram para melhorar os índices finais de infestação das doenças, já que curando ou morrendo o resultado final (estatisticamente falando) e o mesmo: "menos doentes".

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo







Last updated 8.9.2006